Paris-Roubaix 2008

11/abril/2008

A Paris-Roubaix também conhecida como a “Clássica das Clássicas” ou o “Inferno do Norte”, por sua extrema dureza, é uma das corridas ciclísticas mais antigas. Foi criada em 1896 após a inauguração do velódromo de Roubaix. Ocorre no segundo domingo de abril e seu trajeto é caracterizado pelos duros trechos de calçamento (pavés), entre os quais se destacam o Bosque de Arenberg e o Carrefour L’Arbre.

Em 1968 a partida da corrida mudou de Paris para Compiègne. Fez parte da extinta Copa do Mundo de Ciclismo desde sua criação em 1989 até transformar-se no atual ProTour.

A Paris-Roubaix já foi definida como um inferno ou uma loucura. Troisvilles, Arenberg-Wallers, Gruson… os trechos atuais de paralelos (eu chamo de paralelos ao invés de pavés) já são lugares santos de peregrinação de aficcionados pelo ciclismo. E são, sobretudo, pontos fatídicos em que os corredores que sonham com o pódium no velódromo de Roubaix entram em estado de ansiedade extrema num exercício de sobrevivência cruel. Stephem Roche comentou numa ocasião: “Aqui há tipos que matariam a mãe para ganhar uma posição”.

Uma loteria infernal: paralelos, vento, barro, pó, pneus furados e acidentes encobrem os super-heróis da Roubaix, que oferecem recitais espetaculares de estratégia, força, resistência e velocidade. É o terceiro monumento da temporada, e apresenta-se sob a forma de paralelepípedos.

Os paralelos

A marca registrada da prova é sem dúvida os trechos de pavés. São um total de 28, numerados do primeiro (número 28) ao último (número 1). Clicando aqui é possível ver uma relação de todos eles, com a distância de prova, tamanho e dificuldade (1 para o menor, 5 para o maior).

Os principais trechos

Quiévy à Saint-Python
Km 107
Distância: 3700m
Número: 28
Dificuldade: 4

Um dos trechos mais conhecidos. Uma abertura entre dois edifícios do povoado de Quiévy marca o início do setor. Não é o mais difícil, mas é o mais longo (o setor 16 também tem 3700 metros, mas o calçamento é muito mais regular).
É relativamente bem pavimentado e começa bastante plano, mas pouco depois começa a zona de paralelos e se converte num falso plano que sobe bastante. De repente a “estrada” vira à direita e se encaminha diretamente a Saint-Python


Haveluy à Wellers
Km 156
Distância: 2500m
Número: 19
Dificuldade: 4

É o começo da parte realmente difícil da prova, os 100 quilômetros finais.
É relativamente plano, com uma leve subida na primeira metade, mas a superfície é muito irregular. No percurso as pedras tem vários formatos, desde bem dispostas e lisos até a aqueles com aparência de que foram despejados ao azar, o que destrói o ritmo de muitos corredores e permite que as equipes fortes marquem um ritmo alto antes do próximo setor, a parte legendária da prova.

Bosque de Arenberg (Troueé d’Arenberg)
Km 163,5
Distância: 2400m
Número: 18
Dificuldade: 5

É o setor símbolo da prova. E também o mais difícil.
São 2400 metros que percorrem um bosque. Foi instituido em 1968 por indicação do campeão mundial Jean Stablinski, vizinho da região de Valenciennes que trabalhava na mina que se extendia ao lado do bosque e que foi fechada em 1990.
Atualmente, um dos pontos estratégios fundamentais e mais temidos pelos corredores. Apesar da distância para linha da chegada, a seleção descartará muitos corredores da luta pela vitória. Como Stablinski disse: “A Paris-Roubaix não se ganha em Arenberg, mas ali se seleciona o grupo em que estará o vencedor”.
Até 1998 a entrada do Bosque de Arenberg estava numa pequena descida, o que levava os corredores a sprintar para tentar entrar na melhor posição possível. Essa foi uma das causas da queda de Johan Museeuw em 1998 que quase lhe ocasionou a amputação da perna devido a uma gangrena. Em 1999 a entrada para o trecho foi invertida para reduzir a velocidade do pelotão e evitar outros incidentes.
Em 2005 o trecho foi novamente cancelado, dessa vez pelos organizadores alegando que era demasiado perigoso e não poderiam assegurar a segurança dos corredores. Posteriormente o trecho foi reparado para restabelecer a largura original de 3 metros.

 

Wallers à Hélesmes
Km 170
Distância: 1600m
Número: 17
Dificuldade: 4

Outro ponto de referência da prova está situada no meio deste setor. O “Pont Gibus”. Existe algumas vias desmanteladas e em desuso, e uma delas tinha uma ponte que cruzava aqui, hoje é uma passagem de nível.
A superfície começa boa, e depois de cruzar a passagem de nível há uma zona quase totalmente coberta de barro, próximos a uma pequena corrente d’água.
Sua dificuldade 4 é justificado pelas pedras irregulares e depressões que podem acumular água se a chuva estiver presente. É ainda mais duro se considerarmos que está logo após o Arenberg.

 

Mons-en-Pèvèle
Km 210
Distância: 3000m
Número: 10
Dificuldade: 5

Um dos trechos mais difíceis da prova. Os corredores chegarão com 210Km nas pernas e durante os 3000 metros com certeza veremos algum movimento no grupo de favoritos. A imagem é muito bonita, sempre com a igreja de Mons-en-Pèvèle no horizonte.
Em 1958 os corredores subiam um “muro” calçado chamado “Le Caouin”. Quando este foi asfaltado, escolheu-se outrio muro chamado “Pas Roland”. Porém, em 1968 asfaltou-se essa também, e desde então, o trecho ficou totalmente plano, reintroduzido na prova em 2006.

 

Cysoing à Bourghelles
Km 233
Distância: 1300m
Número: 6
Dificuldade: 4

Como o trecho anterior, este também divide-se em dois, mas esse é muito mais difícil. O percurso deixa a cidade de Cysoing e pega uma zona de paralelos limpos e bem assentados. Esse começo engana e dá uma falsa sensação de segurança, pois alguns metros depois a superfície mais se assemelha a uma plantação de pedras, ocasionando baixas rotações nos pedais. A situação melhora no final do trecho, mas não volta a ser um trecho bem pavimentado.
Esta parte da França é mais parecida com as paisagens belgas, por essa razão, unido ao fato de que o final da prova está próxima, os belgas (flamencos em sua maioria) estão aos milhares assistindo a esse e aos três setores seguintes.

 

Bourghelles a Wannehain
Km 235
Distância: 1100m
Número: 6
Dificuldade: 4

Após algumas centenas de metros de asfalto, o trajeto deixa Bourghelles no trecho usado pelo antigo setor 6.
O terreno é completamente plano, mas a superfície é extremamente irregular e a cada ano se realiza um grande trabalho para limpar a grande quantidade de brita da parte final.

 

Champin-en-Pévèle
Km 240
Distância: 1800m
Número: 5
Dificuldade: 4

Poucos quilômetros após o setor 6, após cruzar as vias do TGV (trem-bala, principal responsável pela perda de muitos setores), o trajeto faz uma curva aguda à esquerda e o setor começa imediatamente. É totalmente plano e passa entre granjas e dirige-se aos campos. Após 1 quilômetro, faz um giro à direita e atravesa o povoado de Camphin.
Não é um dos setores mais longos, mas a irregularidade dos paralelos dá uma dificuldade 4. Algumas partes estão bem pavimentadas, mas outras estão destruídas pelos veículos agrícolas que transitam por ele.
Diferentemente de outras partes mal pavimentadas, esse trecho não tem uma linha lisa, por isso os corredores mais importantes que esteja no grupo destinado a vitória e que não estejam tão fortes como seus companheiros de pelotão podem descartar a luta pela vitória.

 

Carrefour de L’Arbre
Km 242
Distância: 2100m
Número: 4
Dificuldade: 5

Outro trecho de dificuldade máxima. Situado entre as localidade de Gruson e Camphin-en-Pèvèle. Percorre-se no sentido Camphin-L’Arbre, num falso plano. O setor divide-se em duas partes mais ou menos iguais, a primeira está composta por giros esquerda-direita e os paralelos são muito irregulares.
Na segunda parte, totalmente reta leva ao restaurante de L’Arbre e gira para tomar o asfalto e unir-se ao setor 3.
Sua dificuldade é um pouco menor que o Bosque de Arenberg, mas o acúmulo de setores o torna mais complicado.
Pode ser um ponto que decide a corrida, por isso muitos aficcionados se reunem neste ponto para assistir o desenlace da prova.

 

Favoritos

Tom Boonen, Fabian Cancellara, Leif Hoste (Silence-Lotto), Alessandro Ballan (Lampré), Juan Antonio Flecha (Rabobank), Stuart O’Grady (CSC), George Hincapie (High Road), Philippe Gilbert (Française des Jeux),


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