Gibo Simoni

08/fevereiro/2009

Retirado do Parlamento Ciclista, autoria de “leblaireau”.

“Não posso dizer que conheça pessoalmente muitos ciclistas (não tenho essa sorte), mas vejam como conheci Gilberto Simoni.

Nos situemos em setembro de 1992. Meu irmão, um par de anos mais novo que Simoni, havia conhecido uma trentina muito bonita na Inglaterra. Estava apaixonado por ela e eu, vendo a situação e que ele não tinha nada de dinheiro e eu sim, propus que fizéssemos uma viagem a Trento de carro para que ele visse sua amada e eu aproveitaria para tirar umas férias que não havia tido no verão.

Dito e feito. Durante a longa viagem por estrada, começamos a aprender italiano com um par de livros que compramos. Poucos dias depois de chegar em Trento, onde nos trataram as mil maravilhas, fomos convidados para uma festa. De maneira incrível, em pouco tempo já falávamos em italiano com todo mundo.

O caso é que nessa festa uma menina gostou de mim e no final me perguntou quais eram os meus planos para o dia seguinte. A verdade é que não era muito bonita e eu não tinha vontade de vê-la novamente, mas lhe falei a verdade: disse que tinha pensado em ir ao Monte Bondone, essa montanha mítica onde o grande Charly Gaul havia escrito uma página memorável e Miguel Induráin acabava, no Giro desse mesmo ano, de resistir aos ataques de Chioccioli, Chiappucci e companhia.

E perguntei a menina se ela sabia como ir. Ela disse que sim, mas melhor que ninguém ela conhecia um rapaz que havia por ali. Ele veio e fui apresentado a ele, dizendo que se dedicava a dar pedaladas e era muito bom.

Me disse que se chamava Gibo e me pus a conversar com ele. Eu não tinha nem idéia de quem era, logicamente. Quando expliquei minhas intenções, me disse que iria treinar por essa zona no dia seguinte e se eu queria acompanhá-lo. “De bici? Não tenho e além disso essa montanha pode matar-me”, respondi.

No final fomos, meu irmão e sua namorada, a “minha” e eu, tranquilamente no carro, atrás do tal Gibo. As duas trentinas não faziam nada mais do que falar maravilhas desse Gibo, que iria ser uma figura, e meu irmão e eu nos olhávamos como dizendo “bom, será menos”.

Quando chegamos ao topo, tiramos umas fotos numa placa que diz “Monte Bondone” e logo estávamos conversando com o tal Gibo; de Induráin, Chiapucci, Bugno, Chioccioli, os astros do momento.

Já ao final da conversa (falava um italiano fechado que às vezes era difícil de entender), perguntei-lhe quais ciclistas italianos ele via para o futuro. Sem dúvidas, nos falou de um tal Pantani que escalava como os anjos. E eu lhe disse, “mas dos escaladores já não se fala, tem que ser como Induráin ou Bugno, que se defendem na montanha e marcam nas cronos”.

E o tal Gibo me disse: “Bom, mas Pantani vai ser uma estrela, já verá”. E eu perguntei: “E você, como é?”. “Bom, depois de Pantani sou eu”, nos disse rindo.

E aí acabou, não sem falar que era um grande admirador de Perico Delgado. Agradecemos, desejamos boa sorte e poucos dias depois voltamos a Espanha.

Quando surgiu Pantani no Giro de 94, meu irmão e eu não lhe dávamos crédito. Era o tipo que nos havia falado aquele italiano de Trento. E claro, nos rendemos aos pés de Pantani. Perguntei a meu irmão (que já não tinha mais contato com a “sua” trentina) de como se chamava o sujeito que nos falou de Pantani (curioso: o nome de Pantani era familiar, mas o de Gibo havíamos esquecido).

Um ano depois, vendo o Tour de 95, aparece um tal Gilberto Simoni, da equipe AKT que vai escapado. Eu, no caso, não tinha nem idéia de quem era, pois entre outras coisas não associo Gibo com Gilberto. Mas meu irmão, aproximando-se da televisão, me disse: “Veja, não é esse o italiano que conhecemos em Trento?”. A verdade é que não se distinguia muito bem e a resposta foi: “Vá, que mais quer?”.

Aí acabou a coisa. Não tínhamos Internet para investigar sobre o tal Simone e rapidamente nos esquecemos dele. E não foi até ver o pódio do Giro de 99, que não pude acompanhar por motivos profissionais, quando peguei o telefone e disse a meu irmão: “O que está em terceiro no pódio é nosso amigo Gibo? Tem a foto que tiramos com ele e com tua amiga no Monte Bondone?”. Mas, é claro, que essa foto havia desaparecido depois de tanto tempo.

Mas, bom, como não se conhece todos os dias a um futuro campeão, a partir desse momento comecei a fixar-me em tudo que faz Simoni e realmente, me dá uma grande alegria cada vez que o vejo atacar e ganhar.

italianos

Alguém sabe o nome do corredor à esquerda?


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