
Raramente nas grandes provas a emoção chega até nossas casas nas últimas etapas da prova. Na metade dela já deduzimos qual corredor vai acabar com a camisa de líder. No máximo, faltando três ou quatro etapas, como tem sido habitual. Ou quando o fantasma do doping faz sua aparição, mesmo após o fim da competição.
Falando em emoção, não resta dúvidas que o Tour de France de 1989 foi seu sinônimo. O mítico duelo Fignon X Lemond na última etapa do contra-relógio na Champs-Élysées está gravado na mente de todos os fãs do esporte.
Laurent Fignon era um grande campeão e poderia ser o herdeiro de Bernard Hinault. Mas não tinha muitos admiradores mesmo entre seus compatriotas: comentários mal-educados e arrogantes; pinta de intelectual barato (que lhe valeu o apelido de “O Professor”); suspeitas de dopagem; equipe prepotente…. Para finalizar, na penúltima etapa ainda cuspiu na lente de uma câmara da televisão espanhola. Era, segundo seus adversários, um ciclista prepotente, embora combativo.
Deve ter sido triste para ele observar na televisão, semanas depois do fato que tentava apagar da sua mente, como o público parisiense aplaudia um americano. E não só aplaudiam por que Lemond era melhor, pela forma espetacular de ganhar a prova, mas também por que Lemond caia melhor no seu gosto. Era mais simpático.
Laurent Fignon converteu-se durante essas três semanas de julho no líder da má-educação segundo os principais jornais. Não só os espanhóis o detestavam após a cusparada nas lentes da sua televisão, mas também os franceses após o soco, entre risadas, que Fignon deu num jornalista francês.
Se mereceu ganhar, se era o mais forte, é um fato. Mas sua prepotência, raiva e egocentrismo o deixaram pelo caminho. Parecia que um Deus justiceiro estava presente naquele caloroso 23 de Julho em Paris para colocar cada um no seu lugar em função de seus atos com a humanidade.
Escrito por Zaka