A mais bela

09/abril/2009

paris-roubaix

A mais bela das corridas, aquela que ainda mantém vivo o autêntico sabor do ciclismo. Jacques Goddet foi quem definiu melhor a prova, como “a última folha do ciclismo”. Também é muito habitual o sobrenome de “Inferno do Norte”.

Inferno do Norte não é pela sua dureza. O motivo real é que após a 2a. Guerra Mundial, aquela zona ficou cheia de crateras e por causa dessa imagem,  um repórter escreveu no seu jornal ”os corredores atravessaram o inferno do norte”.

Ela foi criada em 1896 por dois industriais do ramo têxtil de Roubaix, Théo Vienne e Maurice Pérez e põe à prova tanto homens quanto máquinas que atravessam por zonas de pavés, cujo esforço para percorrê-los é comparável ao que ser realiza nas grandes escaladas do Tour ou do Giro. Acrescente a isso a alta velocidade da prova: em 1964 Peter Post venceu com uma média de 45,129Km/h.

Através dos anos o traçado da prova foi variando devido a melhoria do calçamento e o sumiço gradual das zonas de pavés. Por isso além de conservar os mesmos pontos estratégicos (Doullens, Arras, Carvin e Wattignies) foi-se incorporando outros (Arenberg, Mons-en-Pévèle e Carrefour l’Arbre).

Nos seus mais de 100 anos de existência, a prova converteu-se num duelo franco-belga: 47 para os últimos contra 30 dos primeiros, com uma leve abertura para os italianos.

Em vitórias individuais, Roger de Vlaeminck é quem detém o maior número (4) contra 3 de Lapize, Debry, van Looy, Merckx ou Moser. Mas independente do número, vencer em Roubaix é entrar para a história do esporte.

A primeira edição aconteceu em 18 de abril de 1896 quando a localidade de Roubaix decide organizar uma prova que a una com Paris, seguindo o exemplo de outras provas como a Paris-Brest-Paris (atualmente sob a forma de randonnée) ou a Burdeos-Paris (extinta). Desta forma, também pretendia dar um motivo de orgulho aos trabalhadores das fábricas de Roubaix que trabalhavam seis dias por semana e tinham apenas o domingo livre, dia de celebração da prova.

Desta forma, 48 bravos ciclistas tomaram seus lugares para a partida às 5 horas da manhã para percorrer os 280Km. O alemão Josef Fisher teve a honra de ser o primeiro vencedor da prova.

Mas isso não bastava para o sucesso da prova: após algumas edições a igreja católica gritava aos céus protestando pela participação de ciclistas católicos numa prova que se celebrava num domingo e ameaçaram interromper a prova realizando procissões no seu trajeto.

Felizmente, o problema foi resolvido quando os organizadores concordaram em realizar uma missa antes da largada.


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