Milano Show

18/maio/2009

Alguns comentários dos protagonistas do fiasco de ontem. Bate-boca sensacional.

Lance Armstrong: o pelotão tomou a decisão coletivamente. Obstáculos no percurso, carros estacionados nas ruas, etc. Não foi o melhor dia para o ciclismo.

Angelo Zomegnan (Diretor de Prova): Di Luca manipulou o pelotão (eu falei isso ontem). Falei com Dario Cioni e Jens Vogt que são os corredores que representam a categoria na UCI. O que houve foi um ataque aos organizadores. Nos últimos dias estava ocorrendo uma troca de mensagens entre os corredores, Milano foi só um pretexto. Armstrong havia enviado e-mails dizendo que os corredores estavam assumindo riscos em demasiado. Falei com Bruyneel e tudo parecia resolvido. Chega uma idade em que as pernas ficam curtas e a língua comprida. Era um circuito onde era necessária muita explosão e levantar a bunda do selim muitas vezes, e aos velhos isso não agrada.

Perguntado se referia-se a Lance Armstrong, disse que nem às mulheres que o decepcionaram ele dava nomes, o que dirá de corredores.

Editorial da Gazetta: toda pessoa que ande de bicicleta sabe que corridas nas estradas são perigosas. A maioria das provas do circuito mundial são mais perigosas do que ontem. Corredores tem direitos, mas eles não podem jogar fora a alma do ciclismo.

Editorial do Il Giornale: há cem anos o Giro nasceu aqui. E aqui ele foi esfaqueado pelas costas ontem. Os corredores devem se esconder depois do que fizeram ontem. As mademoiselles do pelotão, lideradas pelo texano vendedor de chinelos chamado Lance Armstrong decidiu que as descidas são perigosas; e agora também as planícies. Ele incita e influencia os corredores mais jovens. Fizeram uma prova para ele, suprimindo todas as verdadeiras montanhas para evitar que ele fizesse qualquer esforço violento, mas agora ele se tornou uma pedra no sapato e temos que aturar o seu humor senil.

Mario Cipollini (esse é o meu comentário favorito): o que aconteceu ontem é uma desgraça. Achou o circuito perigoso? Não corra. Era um bom circuito. Quer ser chato? Havia dois pontos críticos: um delimitador de faixa (seria os nossos olhos-de-gato?) e um “S” ao dobrar a Porta Venezia. Não podemos mais ter “Ss” num circuito? Eu realmente gostaria de pensar que a segurança era em prol de todos os corredores e não da manipulação por parte de alguns pensando em outras coisas.

Danilo Di Luca: decidimos que não era seguro e não teríamos sprint. Mas alguém começou a acelerar e tivemos sprint. Cipollini deveria calar a boca, quando ele era ciclista era o primeiro a reclamar.

Filippo Pozzato (muito sensato): após a primeira volta estávamos todos receosos. Em seguida Lance foi para a frente e disse que na sua opinião aquilo não era um circuito de corrida. Então todos tomaram a decisão, mas eu acho que foi a decisão errada. O percurso deveria ter sido discutido ANTES da corrida, no final virou bagunça.

Luca Mazzanti (corredor da Katusha): vi que os grandes nomes chegaram a um acordo. Nós queríamos corrida (mas alface não fala).

Gianni Savio (diretor da Diquigiovanni): o ciclismo é um esporte sádico. Mesmo considerando todos os atenuantes, os corredores fizeram uma grande besteira.

Eu já dei minha opinião ontem. Agora vou complementar: se era pra anular a etapa, que chegassem todos juntos. Deram 8 voltas a ritmo de tartaruga (tipo eu) e nas últimas duas sentaram a bota e ainda disputaram o sprint. Que tipo de neutralização é essa?


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