Lucien Van Impe, o dinossauro do ciclismo

07/setembro/2009

Em todos os esportes, existem fases. O ciclismo não é diferente e é possível identificar fatores externos que o influenciaram: mudanças tecnológicas, melhoria das estradas, mudança nos sistemas de treinamento, o impacto dos meios de comunicação e, por quê não dizer, o doping.

Mais interessante é mencionar que existem corredores “imortais” que dão a impressão que sempre competiram, que nunca vão parar e que passaram por várias dessas fases.

O normal é que a “vida útil” de um ciclista seja de aproximadamente 10 anos. Mas há exemplos de corredores que competiram na Europa por 18 anos ou mais. São os corredores DIESEL: Coppi ou Bartali (que ganhou dois Tours com 10 anos de intervalo).

Mas vamos nos concentrar num nome mais atual que esteve presente no domínio de Merckx, nos 5 Tours de Hinault e conheceu Indurain: o holandês Lucien Van Impe.

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Foi profissional entre os anos de 1969 e 1987, um recorde. Excelente escalador, conhecido como TITI. Participou de 15 edições do Tour de France, terminando todas elas.

Até a chegada de Richard Virenque mantinha o recorde de 6 vitórias na maillot blanc à pois rouges (camisa de bolinhas). O problema desse corredor, segundo os jornais da época, era a sua “falta de coragem”: conformava-se em ganhar o Prêmio de Montanha (o que não é pouco, diga-se). Suas qualidades lhe permitiam ter feito muito mais. Quando escalava uma montanha, saltava nos pedais ao invés de pedalar. Tinha uma grande facilidade em subir.

1976 foi seu melhor ano. Eddy Merckx não vai ao Tour e os favoritos para a Grand Boucle são Joop Zoetemelk e Thevenet. Na primeira etapa de montanha Van Impe e Zoetemelk conseguem eliminar Thevenet pela luta da geral. A partir daí, a corrida estava restrita aos dois corredores. Na última etapa de montanha que acabava em Saint Lary, Van Impe ataca cedo junto a Ocaña. Zoetemelk ignora o ataque, não acreditando que eles possam ir longe. No final Zoetemelk perde 3 minutos e 12 segundos, e Van Impe consegue a maior vitória de sua carreira. Depois disso, Van Impe jamais voltou a vencer o Tour, mas sempre esteve presenta nas etapas de montanha.

Integrou inúmeras equipes, como não poderia deixar de ser numa carreira tão longa:

1969–1974 – Sonolor
1975–1976 – Gitane
1977 – Molteni
1978 – Lejeune
1979 – C&A
1980 – KAS
1981 – Marc
1982-1984 – Boston Mavic
1985 – Metauro Mobil
1986 – Santini
1987 – Dormilon / Sigma

Quando retirou-se do esporte, aos 41 anos de idade, disse a um jornalista que “na bicicleta tive a revanche de todas as piadas e brincadeiras de que fui vítima durante minha infância e adolescência em virtude da minha pequena estatura. Calei a boca de todos os grandões da minha cidade.”.


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