“Maglia Rosa” é a identificação do atleta líder da maior (ou uma das) provas de ciclismo de longa distância do calendário mundial: o Giro d’Italia.
Prova tradicional, disputada desde 1909, se não é a mais famosa (o Tour de France é a prova mais conhecida), é considerada mais difícil. A geografia da Itália faz desta prova um prato cheio para os ciclistas escaladores.
Os escaladores, geralmente, são mais leves que o resto do pelotão. Porém, possuem muita força e uma alta resistência a esforços prolongados, como é o caso das escaladas em montanhas que chegam até a 2.500 metros e vários quilômetros.
Instituída há muitos anos, o uso da camisa de líder da geral é de uso obrigatório. As camisas de cores diferentes foram instituídas para uma fácil identificação pelos demais concorrentes e PRINCIPALMENTE pela imprensa que acompanha o desenrolar da prova.
No Giro, a cor da camisa do líder é rosa claro. Num primeiro momento, as pessoas que não entendem absolutamente nada do assunto acham estranho e sempre escutamos alguma piadinha infame relacionando o comportamento sexual dos atletas com a cor da roupa que usam. O motivo real da cor rosa é a homenagem a empresa organizadora: o jornal Gazzetta Dello Sport.
Diz a lenda que no tempo dos homens das cavernas (nem tanto!) não havia papel de qualidade para a impressão do jornal. A solução foi a utilização de um papel de qualidade inferior, na cor rosa. Até hoje esse periódico tem as páginas dessa cor.
Agora, o que vem a ser exatamente “líder da geral”?
As provas em etapas consistem em “pequenas” provas diárias. Os tempos individuais obtidos em cada uma das etapas são somados. Desta forma, com o decorrer da competição, é relativamente comum o líder da geral ter um tempo muito menor do que os demais (até 2 horas ou mais).
Esse ciclista que tem o menor tempo, é o líder da geral, e usa a camisa rosa (ou rosa claro) no Giro.

Porém, como nem tudo são morros, existem competições paralelas na mesma prova, cada uma delas patrocinada por uma grande empresa, que oferece os prêmios (vultuosos) em dinheiro:
- Prêmio de Montanha: no decorrer da prova, existem metas volantes, posicionadas estrategicamente nos topos de várias montanhas. Os ciclistas marcam pontos ao chegar nas metas ou GPM (Grande Prêmio de Montanha). Quanto maior a dificuldade da montanha, maior o número de pontos. Geralmente só os 3 primeiros marcam pontos. No decorrer da competição, os pontos são acumulados e o líder do GPM usa obrigatoriamente a camisa verde.

- Classificação por Pontos: é um nome complicado para identificar os sprinters, os especialistas nas chegadas massivas em terreno plano. Semelhante ao GPM, as metas volantes são posicionadas em pontos pré-determinados e os primeiros a cruzar nesse ponto recebem pontos que são igualmente somados. O líder dessa competição usa a maglia ciclamino (ou magenta, em bom português).

- Classificação de ciclistas jovens: igual a classificação geral, com o diferencial que os ciclistas devem ter menos de 24 anos para disputar essa camisa. O líder usa uma camisa branca (que voltou em 2007 depois de alguns anos de ausência).

Além dessas camisas, existem várias outras de menor importância, como a Azzurri di Italia (exclusiva para italianos), o prêmio Garibaldi (em 2007, homenagem ao mercenário herói que ajudou em algumas revoluções pelo mundo – inclusive o Brasil) e os prêmios para as equipes (soma de pontos de sprinters, de tempo, etc).
Fala-se no retorno em 2008 da camisa preta, que identificaria o último colocado na classificação geral. É o equivalente da “lanterna vermelha” do Tour de France. Se é motivo de chacota pelo resto do pelotão, mesmo esse competidor deve ser respeitado: poucos mortais conseguem o feito de pedalar distâncias tão grandes em tão pouco período em ritmo tão forte.




