Audax 200Km do Vale

06/Abril/2009

Um pouco de autopromoção. Mas também que sirva como incentivo para quem nunca participou de um Audax que faça isso.

O Audax do Vale é organizado pela turma do PEDALAJEADO. Quem me dera ter uma turma assim para organizar os Audax aqui em Caxias do Sul. Um cuida do blog, outro da parte burocrática, outro das inscrições e por aí vai. Dividindo as tarefas, fica tudo mais fácil.

A concentração para entrega do material foi no Unishopping. O hotel onde estávamos ficava a 200 metros. Tudo tranquilo então.

No sábado um calor de amolecer asfalto. Aí alguém pediu para que desligassem o forno e veio um temporal com direito a granizo e tudo.

No domingo acordamos às 4:10 com um *%¨&)$* que estava caminhando de sapatilha no apartamento de cima. Que ansiedade! Vai dormir que ganha mais!

Já no local da largada, posicionei-me estratégicamente bem na frente. A idéia era tentar fazer os 150Km de asfalto o mais rápido que pudesse para no trecho de 11Km de chão ir na maciota.

Até que a primeira parte da estratégia funcionou. Eu não contava era com a chuva já no quilômetro 2. Pancadão na pior hora e no pior trecho (cheio de tachões nas entradas/saídas). Como eu consegui me infiltrar no primeiro pelotão, fiquei mais tranquilo.

O meu “erro” foi me infiltrar no pelotão mais forte :) . Era uma turma de Ijuí e mais alguns que não conheço. Me mantive fortão até o quilômetro 30 aproximadamente (no pedágio). Aí pinguei e abandonei meus ex-companheiros.

Lá no PC1 uma outra turma de speed me alcançou. Creio que o pessoal era de Lajeado e arredores (um deles inclusive me falou que costuma ler esse blog, só que eu, mal-educado como nunca, esqueci de perguntar seu nome).

Atualizado: os companheiros de pelotão eram o Guaraci (o que lê o blog, de Estrela) e o Norberto (Bike) de Lajeado. Ele também não conhecia os outros dois.

Desse PC até o seguinte foi tudo muito rápido. O trecho é plano e fizemos um pelotãozinho bem legal, revezando e tudo o mais.

Do PC2 em diante a estrada é ondulada, nas subidas baixávamos a velocidade e acelerávamos nas descidas. Foi nesse trecho o único stress com o trânsito, quando um camionheiro filho-de-uma-que-ronca-e-fuça nos espremeu numa ponte.

Passando de Lajeado fomos em direção a Muçum. Foi nesse trecho que levei um susto e quase caí ao subir do acostamento para a pista. Graças a minha extrema habilidade :) evitei uma queda boba.

Chegando em Encantado pinguei pela segunda vez e meus companheiros me abandonaram. Quando cheguei no PC dois deles já haviam trocado para as MTB e estavam saindo. Os dois speed-sofredores (inclusive o leitor do blog) ainda estavam lá.

Depois disso foi só encarar o trecho tenebroso: primeiro tive que esperar o trem passar (é sério!), depois o barro não deu trégua. Em duas oportunidades tive que tirar as rodas para fazer uma limpeza e liberar as rodas (travadas com o barro). Fiz os 11Km em mais de uma hora….

Em Colinas encontrei uma mangueira e fiz uma lavagem rápida. Com a bicicleta em condições razoáveis sentei a bota nos quilômetros finais.

Audax não tem tempo. Todos são vencedores. Mais do que isso é um desafio pessoal, mas eu gosto de ver os meus tempos e ter uma idéia de como EU estou, não como estão os outros. Exatamente às 14:58 eu cheguei (acreditem, minha estratégia era chegar às 15:00!).

A chegada!

A chegada!

O Faccin e eu (de MAGLIA ROSA)

O Faccin e eu (de MAGLIA ROSA)


Atualizações

04/Abril/2009

Bom, este blog ficará sem atualizações neste final de semana (pelo menos até amanhã à noite).

Este que vos escreve está saindo de viagem nesse momento para participar do Audax 200Km de Lajeado amanhã. Afinal, também mereço um pedalzinho básico para relaxar :) .


Audax Colorado Last Chance

11/Setembro/2008

Temos um brasileiro participando dessa prova de 1200Km pelo território norte-americano: ele se chama Roberto Trevisan.

Maiores informações AQUI, no blog do Santa Ciclismo, praticamente on-line.


Audax no Rio Grande do Sul – Parte 3

06/Setembro/2008

Audax 300 – 10 de maio de 2004

Eu tinha uma responsabilidade maior nesse evento: deveria “descobrir” 300Km de asfalto para os malucos que pedalariam a partir da meia-noite da Sexta-feira Santa.

De posse de um GPS peguei meu carro e saí sem rumo pela Rota do Sol. Para resumir a história, como a estrada não estava totalmente pavimentada, marquei o trecho até uma lancheria antes da serra, voltaríamos até Cambará do Sul, depois seguir pela RS020 até São Francisco de Paula e encerrar a prova em Canela. Como faltava cerca de duas dezenas de quilômetros, saindo da área central de Caxias do Sul, fomos até uma pequena localidade conhecida como Nossa Senhora da Salete onde teríamos um PC e depois adentraríamos na Rota do Sol.

Era outono aqui. E a noite típica de inverno: chuvisco, frio e neblina. E dessa vez eram 70 e tantos pica-paus sem a menor experiência em pedaladas longas à noite. Lembro bem que fiz a besteira de partir com apenas um farol (nem lembro se era de leds, é bem possível que fosse um halógeno).

E também não tínhamos noção do frio que estava nos esperando na estrada e a escuridão que teríamos que enfrentar. As lojas da cidade (e por quê não dizer do estado) não tinham praticamente nada de roupas adequadas para andar no frio. Tudo era improviso.

Nessa prova tívemos um PC que transformou-se numa lenda: é o PC do fogão à lenha, lá no restaurante da Tia Jô. Eu e o Samuel estávamos mais para trás (dessa vez o Marcos e o Alencar se mandaram) e chegamos no tal PC por volta de 6 horas da manhã. Lembro que estava lotado: era gente sentada ao redor do fogão, em cima do fogão, no chão. E um belo café com iguarias campeiras estava nos aguardando.

Confesso: no dia tive vontade de ficar por lá mesmo. Só não fiz isso para não deixar meu companheiro de sofrimento sozinho. Teria me arrependido se fizesse isso.

E o que estava ruim ficou pior: a chuva se apresentou. Frio e chuva, ficamos molhados até o meio dia, passando por Cambará do Sul, uma das regiões mais frias do estado. Tivemos uma pequena trégua apenas na estrada de São Francisco de Paula e depois na de Canela.

No final das contas conseguimos completar o trajeto dentro das 20 horas (não lembro exatamente, acho que fiz em 17 horas e meia, aproximadamente).

E essa prova teve uma particularidade que jamais foi repetida: iniciava numa cidade e terminava em outra, distante 70Km. Se é divertido, a logística fica prejudicada, estava todo mundo “a pé” e sem forças (nós havíamos locado uma van para nos trazer de volta à Caxias).

E assim foram os primeiros Audax no Rio Grande do Sul. Hoje temos um calendário apertadíssimo e centenas de praticantes. Posso dizer para os meus descendentes que fui o “descobridor” da modalidade por aqui. É gratificante de ver tanta gente que poderia estar fazendo outra coisa se dedicando a essa modalidade.


Audax no Rio Grande do Sul – Parte 2

04/Setembro/2008

Audax 200 – 13 de março de 2004

A logística para a prova, partindo de um grupo de pica-paus não foi muito fácil. Nosso grupo era composto por mim, meu irmão Marcos, Alencar Boito, Jorge Kohlrausch e meu tio e padrinho Samuel Guazzelli.

Nossa primeira providência foi a aquisição de pneus lisos 1.5 para nossas mountain-bikers, exceto o Alencar que já andava de speed na época.

Na sexta-feira anterior à prova, fomos todos de carro a Porto Alegre. Quatro barbados dentro de um Palio, duas bicicletas no teto e duas no transbike. Samuel já estava em Porto Alegre na casa de suas filhas.

Havia uma reunião obrigatória e a retirada do material no DC Navegantes, onde deveríamos deixar nossas queridas. Fiquei preocupadíssimo na época, mas depois olhando outras bicicletas que ficariam lá, muito, mas muito melhores do que a minha, nem dei bola. Ela seria uma das últimas a ser furtada.

Dormimos na casa de um ciclista local que tinha uma espécie de alojamento na parte superior da sua oficina de carros. Dormir é modo de dizer, brigamos a noite toda com os mosquitos que tentavam nos carregar para fora do quarto. “Acordamos” de madrugada, a largada era às 6 horas e estávamos a dezenas de quilômetros do DC.

Não vou relatar toda a prova, mas basicamente posso resumir que foi uma “bagunça organizada”. Duzentos e tantos ciclistas que nunca tinham andando nesse tipo de evento saíram como doidos, ninguém querendo ficar por último.

Para o nosso grupo, a prova foi marcada pelo acidente sofrido pelo Jorge. O grupo onde estava, junto com o Marcos e o Alencar sofreu uma queda ao desviar de sinalizadores (tartarugas) e ele acabou se machucando bastante. Bateu a cabeça, desmaiou, esfolou-se todo. Lembro que ao final da prova, pegamos o carro dele e dirigimos por aproximadamente 100Km para buscá-lo no hospital. Ele estava muito mais feio do que o normal. Mas no final, tudo acabou bem.


Eu, Alencar, Jorge (so o braço), Marcos e Samuel


Eu, Alencar e Jorge


Samuel


Jorge e eu


Marcos e Alencar


Eu e Samuel


Eu chegando ao PC100

Milhares de fotos do evento ainda podem ser encontradas no Inema.

continua….


Audax no Rio Grande do Sul – Parte 1

02/Setembro/2008

Quem é ciclista com certeza já ouviu falar nos eventos Audax. Apesar de ser uma modalidade nova no Brasil, a primeira vez que um evento desses ocorreu na França foi em 1891. É, portanto, um evento mais antigo que o próprio Tour de France.

Quem não é ciclista, ou mesmo é ciclista mas está por fora do assunto, sinto sempre dificuldades em explicar como pode existir um evento onde não há vencedor.

Na realidade existem dois tipos de eventos: os Audax são provas onde todos andam em pelotão. A modalidade que praticamos no Brasil é a Randonneur, onde cada um faz o seu próprio ritmo, devendo apenas obedecer o tempo máximo estabelecido.

200Km – 13h30min
300Km – 20h00min
400Km – 27h00min
600Km – 40h00min
1200Km – 90h00min

Cada prova completada dá ao competidor um “brevet” que nada mais é do que uma autorização para que ele realize a prova seguinte, de maior quilometragem, que são as seguintes:

Todas as provas devem ser homologadas pelo Audax Club Parisien. Cada país possui um representante que faz a interface entre os franceses e os organizadores locais. Assim, um calendário é definido sempre no ano anterior, as informações dos competidores são enviadas para o ACP que homologa os tempos e libera um número de brevet. De posse desse número, um brasileiro, pode por exemplo, participar de uma prova na Austrália, coisa já feita pelo Paulo Bagatini de Lajeado/RS.

Evidentemente que essa homologação não é gratuita. Cabe ao organizador repassar um valor em euros referente ao número de competidores ao representante que repassará aos franceses.

Os primeiros Audax realizados no Brasil foram feitos no RJ e SP por um grupo de amigos que fundaram o CAB (Clube Audax Brasil) no ano de 2003. Com toda a série completa, Manuel Terra foi à França participar do Paris-Brest-Paris 1200Km. Essa prova é uma espécie de mito dos ciclistas amadores, seria quase como uma peregrinação à Meca ou a Caravaggio em Farroupilha. Ocorrendo a cada quatro anos, reúne milhares de ciclistas.

Nesse mesmo ano, encontrei uma matéria no site Bikemagazine a respeito da prova completada pelo Manuel Terra. Eu vinha de alguns anos de pouca atividade física e estava retomando ao mountain-bike e na época participava (ainda participo) de um grupo de discussões chamado Bike-RS. Encontrando essa matéria, disponibilizei o link na lista e ainda fiz um comentário: “se tivesse alguma coisa parecida por aqui, com certeza participaria”.

Não lembro exatamente quando foi, creio que no final do ano de 2003 ou início de 2004. Sei que algum tempo depois, uma mensagem veio do mesmo grupo de discussões, feito pelo Marcelo Lucca informando que no dia 13 de março de 2004 estaria organizando o Brevet 200Km em Porto Alegre. E mais, que organizaria o Brevet 300Km no dia 10 de abril aqui na minha cidade, Caxias do Sul.

Lembro que foi o maior tumulto. O servidor de grupos do Yahoo! deve ter enlouquecido com o total de mensagens recebidas.

continua…..


Tour de France 2008 – Perfil etapa 20

25/Julho/2008

A mais decisiva das etapas.

53Km num terreno não totalmente plano, várias curvas fechadas. Isso significa a necessidade de resistência e explosão.

A tendência natural das coisas é que Cavel Evans consiga fazer um tempo cerca de 2 minutos inferior a Carlos Sastre. Denis Menchov também deve, teoricamente, baixar isso ou mais.

Algumas enquetes nos sites especializados indicam o pódium com Cadel Evans, Denis Menchov e Carlos Sastre. Nessa ordem.

Mas ciclistas não são carros de corrida. Ninguém, exceto os próprios corredores sabem do seu estado físico. Podemos ter um Evans fraco e um Sastre extremamente motivado pela camisa amarela (como diz Johan Bruynel: a liderança é o melhor doping).

Vamos aguardar para ver. Quer dizer, eu não, sou o diretor de prova do Audax 300Km aqui na cidade. Vou ficar sem dormir essa noite e amanhã estarei percorrendo o percurso da prova. Aqui e aqui vocês podem ter uma idéia melhor do evento.

Terei que me contentar com a gravação da prova. E isso só amanhã à noite.

Bom contra-relógio a todos!


Audax Caxias 200

28/Abril/2008

Pausa para o comercial.

Dia 17 de maio estou organizando em Caxias do Sul o Audax Caxias 200.

A prova faz parte do calendário brasileiro da modalidade Audax. Além dessa, temos outra marcada para o mês de julho (300 quilômetros).

O percurso é um tanto seletivo, com um terreno bastante acidentado (veja na imagem abaixo) e percorrerá a rodovia RST 453, também conhecida como Rota do Sol, cujo asfalto na Serra do Pinto (Serra Geral) foi concluído recentemente.

Neste link é possível baixar o arquivo kmz para visualização do percurso no Google Earth.

Inscrições e demais informações no site oficial.


L´Eroica

24/Novembro/2007

Dois dias antes da estréia da prova para os profissionais, aconteceu a 11a.  edição do evento ciclo-esportivo “L’Eroica. Não é uma competição, não é um Audax, não é um passeio. É uma mistura de tudo isso.

Os organizadores (Associação de Ciclismo do Parque do Chianti) definem 4 distâncias diferentes, para os diferentes níveis de preparo físico: 34Km, 75Km, 135Km e 205Km (o mesmo dos pros).

Em todas as distâncias, existem trechos de “strada bianca”, ou trechos sem asfalto, com poeira branca.

É uma homenagem ao ciclismo de ontem, ao ciclismo heróico, romântico.

E os participantes entram no espírito de antigamente. Bicicletas antigas misturam-se à novíssimas bicicletas de carbono, roupas antigas, bermudas de lã curtíssimas, caramanholas de alumínio, bicicletas com apenas 10 marchas com sistemas arcaicos de trocas, ciclistas carregando os pneus nos ombros, fazem o espetáculo ainda mais bonito.

Algumas subidas com inclinação de 15% em estrada de chão simplesmente “destroem” os participantes com suas pesadas bicicletas e relações 42×26. Não é raro vermos ciclistas empurrando ou carregando suas jóias.

Veja algumas clicando na imagem abaixo.

L’Eroica

Paris Brest Paris 2007

02/Novembro/2007

Alguns vídeos que catei no YouTube (se alguém localizar um brasileiro neles, deixe um aviso nos comentários, ok?)