A AFP noticiou ontem que em Alberto Contador pode deixar a Astana sem prejuízos financeiros. Eles citam o artigo 2.15.139.8 do regulamento da UCI.
Isso tornou-se um problema quando a Astana, juntamente com outras 4 equipes (Caisse d’Epargne, Euskaltel, Saxo-Bank e Sky) não cumpriu com os requisitos da licença ProTour. As equipes tem até o dia 20 de novembro para cumprir com todos os requisitos, mas a regra permite que os corredores peçam a rescisão do contrato quando eles não forem cumpridos até 20 de outubro.
Artigo 2.15.139.8 do Regulamento UCI de Ciclismo
Artigo 8 – Rescisão do contrato
Sem prejuízo a legislação que rege o presente contrato, que poderá ser encerrado antes da caducidade, nos seguintes casos e nas seguintes condições:
1.1 O corredor poderá rescindir o presente contrato, sem aviso nem responsabilidade por danos:
…….
f) Se, em 20 de Outubro do ano anterior, com um ano de matrícula abrandiga pelo presente contrato, o ProTeam UCI não apresentou um arquivo contendo os documentos essenciais numerados no artigo 2.15.069bis.
O artigo em questão enumera vários itens que a equipe deve apresentar, como orçamento, patrocínio, contratos assinados com os principais parceiros, garantias bancárias, contratos assinados com pelo menos 12 corredores e, para novas equipes, descrição da estrutura da equipe.
Segundo informam vários jornais e sites britânicos, Bradley Wiggins assinou contrato com a nova equipe Sky para a próxima temporada.
Wiggins que corre (corria?) pela Garmin: para ser liberado do contrato que o mantinha na equipe até o final de 2010 teve que reembolsar uma multa de 2 milhões de libras (no caso, a Sky pagou).
Essa notícia reforça os rumores da transferência de Alberto Contador da Astana para a Garmin (dinheiro em caixa agora não falta).
Em entrevista hoje na Telemadrid, Alberto Contador disse que está “resignado em ficar um ano mais na Astana”, devido ao contrato que tem com a equipe, que o impede de mudar de time.
Claro que todo contrato prevê a quebra. Normalmente essas quebras implicam em multas. Multas essas que geralmente são pagas por quem ocasiona a quebra (no caso, outra equipe).
Aparentemente, as “muitas ofertas” que ele recebeu não contemplam pagar a quantia de dinheiro estipulada na cláusula de quebra (geralmente o salário algumas vezes multiplicado).
Com relação a equipe que Fernando Alonso pretende montar, afirmou que é muito cedo para falar nisso: é um projeto a longo prazo. Nesse ponto, rumores indicam que o principal patrocinador da equipe seria a Red Bull (já pensaram Galvão Bueno narrando o Tour? “Lá vem Contador, da equipe RBR – ou RBC).
Prior to the 2008 season, Contador signed a three-year contract with Team Astana, ensuring that the rider will represent the Kazakh sponsored team for the years 2008, 2009 and 2010.
Agora o Pistolero vai ter que ser o líder de Vinokourov. Isso promete!
Segundo jornais espanhóis, o diretor da equipe (Eusebio Unzué) anunciou que tem interesse em contratar Contador. O problema é apenas o vil metal.
Contando com a presença do ciclista mais bem pago, Alejandro Valverde, as contas ficariam um pouco apertadas para o salário de Contador (4 milhões de euros/ano).
Assim, Unzué está tentando junto a empresas de seu país um segundo patrocínio para essa despesa extra.
Quem sou eu para dar palpite, mas vejo uma convivência difícil entre Valverde e Contador. O caminho para el pistolero seria uma outra empresa, tipo a Garmin ou a nova Sky.
Enquanto ele pensa, o boss vai arrecadando gregários.
Bom, mas considerando que é o AS, não podemos considerar isso um jornal (mesmo entre os espanhóis nos fóruns que leio, as críticas são ferozes – a mais leve delas afirma que eles só entendem de futebol).
Continua a repercussão das declarações (e perguntas) feitas por Greg LeMond. Agora vou resumir e colocar um estudo feito e baseado no VAM (vertical ascendent in meters por hour) difundido por nada menos que Michele Ferrari (www.53×12.com).
O estudo considerou que a subida do Verbier tem 8,7Km e um desnível de 640 metros. Alguns sites mostram uma distância um pouco menor e um desnível um pouco maior. Isso poderia dar uma variação de até 2% no resultado final e foi usada a hipótese “mais fácil”.
Contador subiu em 20 minutos e 36 segundos: VAM de 1864 m/h.
Utilizando a fórmula do Dr. Ferrari, e considerando o gradiente (conforme tabela abaixo) é possível determinar a potência necessária para percorrer esse trecho.
Relative power (W/kg) = VAM (m/hour) / (Gradient factor x 100)
Relative power (W/kg) = 1864 / 275 (gradiente para desnível de 7,5%)
Relative power = 6,78 (W/kg)
Abaixo uma tabela com algumas grandes escaladas e o VAM de alguns ciclistas.
O espanhol deixaria todos os antigos corredores no chinelo, mesmo Riis e Pantani.
Complementando o artigo, encontrei essa tabela que mostra a evolução da potência dos ciclistas ao longo dos anos:
A favor de Armstrong, é necessário lembrar que em 2004 a escalada ao Alpe d’Huez foi um contrarrelógio onde todos partiram descansados. Pantani, dopado até as orelhas tinha até hoje a maior potência em condições normais de prova (pré-Festina).
E já que falamos de Lemond, encontrei essa outra tabela onde mostra o seu VO2 Max dos áureos tempos. Nada mal também.