Testando as drogas – por Stuart Stevens

13/Novembro/2009

O Antonio Carlos (obrigado!) mandou essa matéria que saiu na revista Go Outside há algum tempo atrás. As substâncias já evoluiram, mas a reportagem continua atual.

“COMO VOCÊ QUER FICAR?”, disse o médico ao entrarmos no consultório. Mostrei-me confuso e ele se explicou: “Maior? Mais magro? Mais rápido em distâncias longas ou curtas? Quer mais resistência? Quer enxergar melhor?”. “Enxergar melhor?”, perguntei, incrédulo. “O hormônio do crescimento humano melhora os músculos dos olhos. Afinal, o que você deseja?” Freud escreveu que anatomia é destino, e aqui estava um médico me dando a chance, nos meus quarenta e tantos anos, de mudar meu corpo. Era estranho, mas tentador.

Demorou um tempo até eu chegar ao consultório do “dr. Jones” – vamos chamá-lo assim, pois concordei em não divulgar sua identidade. Meu objetivo era experimentar, sob supervisão médica, algumas drogas que aumentam a performance e são freqüentemente utilizadas em alguns dos esportes que pratico, como o ciclismo e o esqui cross country. Apesar de saber que arriscaria minha saúde, decidi que só havia um jeito de descobrir se essas drogas fazem você ficar 1% ou 10% mais rápido e forte: experimentar e ver no que dava. O cardápio que eu tinha em mente incluía hormônio do crescimento humano (human growth hormone ou HGH), testosterona, alguns esteróides anabolizantes e a poderosa eritropoietina, mais conhecida como EPO, um hormônio que estimula a medula óssea a produzir mais glóbulos vermelhos, aumentando os níveis de oxigênio no sangue. “

Leia o restante da reportagem no site da revista.


Comentários

09/Novembro/2009

Eu me divirto com esses caras.

imbecil

Cliquem para ler (censurei algumas palavras) e ver o e-mail e IP do idiota.


Kenny Williams

07/Novembro/2009

O Renato do Pedaleiro passou esse texto pra mim (obrigado!), muito interessante e que nos leva a uma reflexão: por quê todos os positivos não fazem o mesmo. Não seria muito melhor?

Aos meus amigos, clientes, concorrentes e comunidade ciclística dos EUA.

Meu nome é Kenny Williams e eu corro com a minha bicicleta há 20 anos. Em junho de 2009  eu quebrei a clavícula e passei por uma cirurgia. Na pressa de voltar a competir no topo eu comprei DHEA na farmácia local, sem consultar ninguém. Seis semanas mais tarde, no Masters Track Nationals em Colorado Springs eu testei positivo para droga ilegal. Não nego os resultados do teste.

Tenho vergonha do que eu fiz tenha ferido o esporte do ciclismo e as pessoas que se tornaram a parte mais importante da minha vida. Estou enfrentando a possibilidade real de precisar passar o resto da minha vida tentando reconquistar a confiança da comunidade ciclistica e de meus amigos, mas essa mancha vai me acompanhar pelo resto da minha vida. Não estou pedindo perdão, estou admitindo o erro e sinto todos os sentimentos horríveis decorrentes da minha decisão errada. Espero compaixão e compreensão. Compaixão porque nunca tive a intenção de magoar ninguém e se pudesse refaria a minha vida. Como eu fiz em toda a minha carreira como atleta, vou lutar para ter de volta a minha reputação de homem justo, concorrente forte e livre de doping. Podem acreditar em mim quando digo que nunca mais vou tentar um atalho desses novamente.

Corrida de bicicletas é uma das coisas mais importantes da minha vida, segundo minha esposa, a quem devo as maiores desculpas por ter sido tão irresponsável. Annette, me desculpe.

Eu também me sinto muito mal sobre os resultados que tirei dos outros atletas que competiram contra mim. Estou muito arrependido por ter decepcionado a todos. Aos meus patrocinadores e clientes, peço desculpas. A todos na comunidade e meus amigos, peço desculpas.

Atenciosamente, Kenny Williams

Blog (desatualizado)

Aqui tem o texto original ou aqui.


Doping no Brasil (5)

06/Novembro/2009

Seguindo a informação do Juca, segue abaixo notícia da ESPN:

Os ciclistas brasileiros Alex Diniz, Alcides Vieira, Cleberson Webber e Alex Arseno foram suspensos por dois anos, nesta sexta-feira, pela Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC). Todos foram flagrados no exame antidoping por uso da substância proibida eritropoietina (EPO).

Alex Diniz, Alcides Vieira, Cleberson Webber foram flagrados em exame realizado em abril, durante a Volta de Santa Catarina.

Alex Arseno testou positivo em junho, na disputa da Volta Ciclística do Paraná. Os quatro atletas abriram mão de apresentar suas defesas à CBC.

Muito interessante a última frase “os quatro atletas abriram mão de apresentar suas defesas”. Isso é admitir a culpa e agora não venha o “EU” aqui dizer que eles não tomaram nada ou tomaram sem saber o que era.

nodoping


Legalização das drogas

06/Novembro/2009

Em primeiro lugar: doping pra mim é droga. Um dopado é um drogado.

Li em algum blog por aí (preciso encontrar um meio de “guardar” as páginas de todos os sites e blogs que tenho lido) sobre a questão doping e equipamentos. Encontrei uma maneira de abordar o assunto com um colega de serviço que não pedala e não acompanha o esporte (só futebol), puxando a conversa para a diferença de equipamento. Ele ficou impressionado com a diferença de peso entre uma bicicleta mediana e uma bicicleta top de linha e fez a mesma pergunta do texto que eu havia lido: uma bicicleta superior não dá ao ciclista a mesma vantagem do doping?

Nesse ponto eu não tenho certeza para afirmar, mas creio que não. Além do mais, o doping é proibido, há uma lista de produtos e métodos ilegais. Usar o melhor equipamento, dentro das normas, é permitido.

Um outro aspecto que ele falou e já li em alguns lugares é sobre a liberação total e irrestrita do doping.

Considerem que um corredor profissional da primeira divisão corre em torno de 150-180 dias por ano. Eles precisariam de um bocado de drogas.

As drogas causa danos à saúde mental, certo? Não há nenhuma dúvida que o uso prolongado de drogas prejudica o cérebro (Zina?). Simpson, Pantani, Jose Maria Jimenez e Vandenbroucke são as provas mortas disso.

Na era da EPO indetectável os ciclistas estavam tomando doses cavalares do remédio. Terminavam as provas com níveis absurdos de hematócritos (na faixa de 60% – lembram alguém com o apelido Mr. 60%?). O sangue fica tão grosso que é necessário acordar no meio da noite para evitar uma morte súbita, tão comum nos jovens holandeses nos anos 80-90. Alguém vai dizer que na medida certa as drogas são seguras, mas seu efeito é cumulativo e os efeitos podem aparecer anos depois.Quando esses corredores morrerem, alguém vai lembrar deles?

A defesa de que a legalização tornaria a disputa mais equitativa não é verdade. Organismos diferentes reagem de maneiras diferentes aos medicamentos: a EPO tem efeito maior sobre pessoas com níveis normalmente baixos de hematócritos (afinal, é pra isso que ela foi criada). Ciclistas com melhores médicos ou farmacêuticos iriam ganhar. A diferença das bicicletas top de linha com as medianas é enorme, mas entre as top, a diferença é insignificante, independente de marca, grupo ou pneus. Nem todos os ciclistas teriam acesso ao maravilhoso medicamento de última geração, mas praticamente todos eles andam em bicicletas maravilhosas.

Um estudo com atletas olímpicos ingleses revelou que um alto percentual deles confessou que tomaria medicamentos que lhe garantisse um ouro, mesmo que isso colocasse em risco a sua vida. Quando Richard Virenque foi apanhado na malha fina da Festina tentou culpar seu massagista. O depoimento de Willy Voet foi fulminante: “Se eu tivesse dado a Virenque todas as drogas que ele queria, estaria morto nesse momento”.

Há muitas outras razões, mas a principal no meu entendimento é ética. Não vejo a diferença entre um atleta que se dopa para vencer, um político corrupto ou um golpista que logra velhinhas no golpe do bilhete premiado.


Doping no Brasil (4)

31/Outubro/2009

Não vou aprovar esses comentários. Mas vou fazer um post só com essas jóias.

É aquela velha história: neguinho faz m* e depois não tem coragem suficiente de assumir e falar o seu nome verdadeiro. Infelizmente para os meus amigos curitibanos, é outro que mora aí. “Atleta dopado” é o nick que ele usou.

Alguns breves comentários:

  1. Lave sua boca antes de falar de pessoas que já deixaram o esporte e sairam limpos;
  2. “Damos nossa vida pelo esporte para depois vc vir nos julgar”. Doping não é esporte. Se você precisa disso, está na profissão errada.
  3. Deveria ter saido do ciclismo quando percebeu que para ganhar (se é que ganhou) precisava roubar.
  4. “Uma pena que estejam sendo chamados de dopados”. Hum… e é pra chamar de quê? De heróis?
  5. Dopado sempre vem se fazer de vítima. Ninguém é obrigado a fazer e nem tomar nada, isso acontecia do outro lado do muro de Berlim. Aqui no sul existe um ditado popular que diz “obrigado, só tronco de arrasto morro acima”.

Leiam e cheguem às suas próprias conclusões.

atleta dopado
Enviado em 30/10/2009 às 22:29

voces vem falar de corupção? pelo jeito vcs estão por fora do ciclismo mesmo! os atletas são os que menos gostariam de estar tomando substancias ilegais, mas isso veio bem antes da gente entrar no esporte,a diferença é alguns conseguiram competir por varios anos sendo os verdadeiros trapaceiros como na era may que quase não tinha controle e quando tinha eram muitos simples só pegava porcarias mesmo essas substancias que estão sendo pegas hoje estão sendo usadas no brasil a mais de dez anos eu conheço praticamente todos os ciclistas de eleite do pelotão brasileiro e garanto para não dizer todos 95% tomam alguma coisa e os outros 5% ainda vão tomar

Enviado em 30/10/2009 às 22:31
conheço vc rogério não te culpo pelo seus julgamentos
gostaria que vc do jeito que vc pensa mas a realidade é outra

Enviado em 30/10/2009 às 22:32
nós ciclistas profissionais damos nossas vidas pelo esporte que amamos para depois vc vir nos julgar

Enviado em 30/10/2009 às 22:35
me diga apenas 1 ciclista dos tempos de hoje que vc acha que não toma nada e que tenha resultados que ja te respondo! eu não conheço 1

Enviado em 30/10/2009 às 22:38
corri por varios anos limpo mas chegou uma hora que cansei de levar pau daqueles mesmos atletas tomavam substancias dai pensei ou saio do ciclismo ou tomo ?resolvi tomar porque amo ciclismo e não tinha condiçoes de continuar sem patrocinio

Enviado em 30/10/2009 às 22:42
passei por vario controles e nunca cai esses ciclistas que cairam foi só descuido foi bom para alertar o resto do pelotão para nos pararmos um poquinho antes das competições!eles foram os pioneiros desse tipo de controle sou de outra equipe mas converso com eles direto é uma pena que eles estejam sendo chamados de dopados ja que o doping é uma trapaça e eles tomaram apenas para se igualar aos outros

Enviado em 30/10/2009 às 22:46
e digo mais esses ciclistas pegos no controle teriam ganhado igual as mesmas corridas sem substancias alguma! claro se os concorrentes estivessem limpos tambem, eles são atletas profissionais se cuidam muito para terem esses resultados é uma pena terem caido no controle ! as corridas não terão o mesmo brilho com a falta desses ciclistas

Enviado em 30/10/2009 às 22:48
me desculpem se alguem ficou ofendido com oque disse mas não adianta ficarmos tampando o sol com a peneira

Enviado em 30/10/2009 às 22:50
espero que eles voltem para esse nosso esporte que amamos porque na minha opinião são as verdadeiras vitimas de tudo que esta acontecendo no brasil


Estamos chegando no topo

30/Outubro/2009

Já começamos a fazer sombra aos países de primeiro mundo:

Brasil soma 24 casos de doping esse ano.

Vejo essa situação por dois motivos:

  1. Ganância e vontade de vencer a qualquer custo;
  2. Fiscalização frouxa. Além de falta de investimento no esporte por parte dos órgãos governamentais, não existem medidas preventivas e tampouco controle adequado. Se está fácil, todo mundo toma e ninguém cai, a tentação aumenta.

Giro d’Italia 2008 – Vários suspeitos

30/Outubro/2009

A Gazzeta revela hoje que há vários suspeitos de batotagem no Giro 2008. Em maio a promotoria de Padua confiscou 83 amostras de urina feitas na prova após declarações de Emanuele Sella sobre o consumo de CERA.

As amostras foram reanalisadas no laboratório de Roma em busca dessa substância e os resultados de 6 ou 7 corredores apresentaram anomalias.

Assim o CONI pediu a UCI liberação para poder comparar as amostras com as do laboratório de Lausana. A entidade deu sinal verde e as análises começam nas próximas semanas e os resultados devem sair em dois meses.

Na versão impressa da Gazetta, fala-se em modificação na classificação geral da prova que terminou assim:

1. CONTADOR VELASCO Alberto 89h56′49″  
2. RICCO Riccardo 01′57″
3. BRUSEGHIN Marzio 02′54″
4. PELLIZOTTI Franco 02′56″
5. MENCHOV Denis 03′37″
6. SELLA Emanuele 04′31″
7. VAN DEN BROECK Jurgen 06′30″
8. DI LUCA Danilo 07′15″
9. POZZOVIVO Domenico 07′53″
10. SIMONI Gilberto 11′03″

Em vermelho os que já caíram.


UCI x AFLD

30/Outubro/2009

Nessa época do ano em que não temos corridas eu [mode sarcasmo on] adoro [mode sarcasmo off] quando começam essas briguinhas e guerras de palavras.

Respondendo às acusações da AFLD (agência francesa responsável pela luta anti-doping) sobre o corpo mole que foi feito durante o Tour (com a Astana e companhia) a UCI divulgou ontem um comunicado oficial. Vamos ao resumo, tradução livre minha.

  • As acusações são totalmente infundadas e no futuro vão buscar um parceiro neutro para realizar os exames no Tour de France;
  • A AFLD sequer precisou trabalhar durante o Tour, seu papel foi modesto;
  • A Astana recebeu sim um tratamento especial: no sentido de que seus corredores foram submetidos a um número maior de exames do que os demais. Três vezes a mais do que a maioria dos demais corredores;
  • A AFLD deve olhar para o próprio umbigo antes de criticar: enquanto a UCI realizou 190 exames fora de competição nos ciclistas inscritos, a AFLD realizou apenas 13. E destes, 6 eram franceses.
  • Desse total de 13 exames, as amostras de 5 de uma mesma equipe foram enviadas aos laboratórios com os nomes e demais dados, o que invalida o exame;
  • Além da falta de confidencialidade, várias corridas foram realizadas sem exames (corridas na França, creio) pois a AFLD não enviou médicos para coletar as amostras.

Quando começa o Tour Down Under mesmo?


O doping além do ciclismo

28/Outubro/2009

Aos poucos, timidamente, os mais corajosos vão assumindo seus erros.

Andre Agassi confessa que tomou substâncias estimulantes (em espanhol).

Uma pena que a coragem só apareça depois de encerrada a carreira.