Era uma vez….
19/Novembro/2009Met Merckx naar de Maan
17/Novembro/2009Achei um pouco tarde, mas ainda está valendo.
De 24 de junho a 30 de novembro ocorre na Bélgica uma dupla exposição: a primeira vitória de Eddy Merckx no Mundial de 1969 e a chegada de Armstrong (o Neil) na Lua. Na exposição os dois sonhos em chamadas paralelas, utilizando objetos, fotos, vídeos e texto.
Um traje espacial da Apollo e um uniforme da Faema lado-a-lado, já que os dois eventos culminaram quase simultaneamente: poucas horas depois de Merckx vencer em Vincennes, Armstrong colocou os pés na Lua.
Há um documentário criado por Karl Vannieuwkerke criado exclusivamente para a exposição, com meia hora de imagens, intercaladas com depoimentos de Lucien Van Impe, Martin Vandenbossche, Vic Van Schil, Herman Vanspringel e Jan Wauters.
Onde: CRVV, Markt 43, 9700 Oudenaarde
Quando: de 24 de junho a 30 de novembro de 2009
Preço Entrada: € 3,5
Met Merckx naar de Maan: Com Merckx para a Lua, na língua negra.
Coppi x Merckx
03/Setembro/2009Dificilmente alguém além de Bernard Hinault ou Lance Armstrong contestam a teoria de que os dois melhores ciclistas de todos os tempos foram Fausto Coppi e Eddy Merckx.
Mas entre os dois, qual foi melhor? O primeiro correu entre os anos 40 e princípio dos 50. O segundo entre final dos anos 60 e início dos 70.
Para um corredor deixar de ser apenas um “campeão” e passar a ser um “grande campeão” necessita de rivais que tornem difíceis as coisas para ele. Se pensarmos assim, Indurain passa a ser apenas um “campeão”, como Hinault ou Armstrong.
Mas Il Campionissimo e o Canibal tiveram ao seu lado um verdadeiro exército de qualidade, obstinados a vencê-los.
Geração Coppi
Coppi foi um homem que rompeu barreiras e sempre com situações pessoais delicadas (entre elas o episódio da Dama Bianca). Conhecido como o escalador com mais classe de todos os tempos, isso escondeu um pouco as suas outras grandes qualidades: um ótimo rodador e um ótimo contrarrelogista.
Nenhum homem, exceto Merckx antes do seu acidente foi capaz de abrir tantas diferenças com relação aos seus rivais.
Seu rival mais direto foi Gino Bartali. Contrastava com Coppi por ser um corredor do interior e muito religioso. Não era tão completo quanto Coppi, mas escalando estava praticamente ao mesmo nível.
O suíço da K era Ferdi Kübler, melhor rodador e mais regular que seu compatriota Koblet. O homem do nariz pontudo tem um Tour e um Mundial no seu currículo, assim como grandes clássicas (Liège, Fleche Wallone…)
O outro “K” era Hugo Koblet, le pedaleur de charme. Foi ele que arrasou em 1951, tanto no Tour quanto no GP das Nações, vencendo a Coppi. O homem que se penteava antes das chegadas foi três vezes pódio no Giro.
Um verdadeiro gênio que apareceu na fase final da carreira de Fausto foi Louison Bobet (Louison em francês é diminutivo, era o Luisinho), o primeiro capaz de impor-se três vezes consecutivas no Tour. Era um polivalente, venceu em provas tão diferentes com o Campeonato do Mundo, Tour de Flanders, Milan-San Remo, Giro di Lombardia e Paris-Roubaix.
Esse foi um ídolo de Merckx: Stan Ockers. Bastante completo, bom rodador (várias medalhas em Mundiais, regularidade no Tour e clássicas como Liège e Fleche Wallone). Participou duas vezes no Giro, sendo 2º. e 6º. Em 8 participações no Tour (sua pior classificação foi uma 8ª. posição na sua estréia).
Fioranzo Magni, um dos campeões esquecidos. Um dos melhores “descedores” ou down-hillers de todos os tempos, uma leitura de corrida fantástica (sem rádios!) e muito potente rodando ou escalando. Três vezes vencedor do Tour de Flanders e Giro d’Italia, além de vencer etapas em todas as grandes.
Um gênio do ciclocross, Jean Robic foi também um magnífico escalador. Ganhou o Tour na sua primeira participação (1947) sem portar um dia sequer o maillot jaune. Depois disso foi duas vezes Top5.
Rapahel Geminiani não tem grandes vitórias, mas foi um “vueltomano” pela sua regularidade e capacidade de escalador. Por 11 vezes foi Top10 nas 3 grandes, incluindo rei da montanha do Tour e do Giro, além de um 2º. Lugar no Tour.
Um dos primeiros espanhóis a detacar-se no cenário internacional, Bernardo Ruiz, ótimo escalador e o primeiro espanhol a subir no pódio de Paris.
O maior rival de Coppi nas clássicas: Rik Van Steenbergen. Rik I (1) foi o segundo tricampeão mundial, além de vencer muitas clássicas e fazer pódio nas 3 grandes. Era um ogro. Difícil dizer ser era melhor sprinter ou rodador, mas para resumir basta dizer que durante sua carreira conseguiu quase 1.000 vitórias.
Geração Merckx
Uma verdadeira força da natureza e com cabeça de ferro. São muitos que dizem que sem sua queda em Blois seu reinado teria sido mais feroz. A época denominada “merckxismo” começa em 1º. de junho de 1968 em Tre Cime di Lavaredo, arrasando seus adversários sob a neve e acaba em Puy de Dome em 15 de julho, após levar um soco de um francês abobado.
Iniciou como profissional junto com Merckx: Felice Gimondi foi um corredor que poderia ter tido um currículo escandaloso se não tivesse nascido na época errada.
Sinônimo de azarado. Raymond Poulidor, grande “vueltomano” que não soube (ou não conseguiu) aproveitar sua superioridade nas montanhas com Anquetil e nem com Merckx.
Joop Zoetemelk, bom rodador que administrava muito bem suas deficiências na montanha. Muito constante e sempre atento nas corridas, conseguindo bons e importantes triunfos em muitas provas.
Luis Ocaña. Um corredor com um potencial incrível em terrenos variados mas de cabeça fraca. Deixava-se levar pela emoção e sempre tentava vitórias heróicas – coisa que conseguiu algumas vezes – mas que teria melhor sorte se tivesse seus esforços concentrados contra adversários específicos.
José Manuel Fuente, El Tarangu. Era um dos poucos melhores do que Merckx num quesito: a alta montanha. Rápido e ágil, era um escalador sem igual. Nunca teve sorte nas corridas (e nem fora delas) e não conseguia concentrar-se num objetivo. Tinha algumas deficiências nas descidas e não rodava muito bem.
Era um tempo de domínio belga e Roger de Vlaeminck (irmão do maestro do ciclocross) é talvez o maior “clasicomano” que já surgiu no ciclismo. Junto a Merckx e Van Looy, o único ganhador dos 5 monumentos e de muitas etapas em muitas corridas. Ganhador nato pelas suas qualidades de rodador, potência e rapidez.
Outro compatriota, mas não amigo: Walter Godefroot. Excelente sprinter e ótimo “clasicomano”. Outro belga indomável.
Lucien Van Impe: escalador puro, tinha dificuldades nas gerais das voltas, mas em etapas mortíferas das montanhas sempre estava lá.
Outro ogro que apareceu no final da carreira de Merckx: Freddy Maertens. Capaz de ganhar em todos os lugares e de todas as formas, impor-se numa Vuelta em 12 etapas e fazer exibições em todas as corridas. Nunca foi muito regular, para desgraça do ciclismo.
Supervalorizado pelos franceses, Bernard Thévenet foi um grande escalador e tem a honra de ter destronado Merckx no Tour.
Falando diretamente, tenho a impressão de que os rivais de Coppi eram de um nível melhor, mas Merckx teve mais gente para se preocupar.
Na minha opinião: empate.
Poderia fazer dois meses do jogo “Quem é o ciclista?” só com as imagens dos adversários deles
No pelotão com Hebert Polizio
30/Julho/2009Eddy
23/Julho/2009Eddy Merckx sofre um grave acidente
17/Junho/2009O ano é 1969, em Blois, durante um treinamento o técnico de Merckx, Fernand Wambst que fazia o trabalho de puxador com uma derny race (bicicleta motorizada), dando o vácuo a Merckx e outro companheiro cai.
O companheiro de Merckx cai e em seguida ele também sofre uma violenta queda. Seu treinador morre instantaneamente.
Merckx fica inconsciente. Sofre uma fratura numa vértebra e graves lesões na pélvis.
Depois desse dia ele passou a ter muitas dificuldades em conseguir uma posição confortável sobre a bicicleta. Frequentemente precisava mudar de posição para amenizar as dores que sentia.
“O acidente em Blois foi terrível para mim. Desde esse dia, o ciclismo transformou-se num sofrimento. Levei pontos na cabeça, raspei todo o corpo, mas as lesões cicatrizaram.
Tive sorte, pois eu poderia ter morrido, mas o problema do acidente foi o dano que ele causou na minha coluna. Meus quadris foram nocauteados. Isso significa que minhas pernas estavam fora de sintonia com o resto do meu corpo.
Após esse dia, nunca mais pude sentar confortavelmente numa bicicleta. Eu mudava minha posição e precisei mudar os ângulos de ajuste.
Gostaria de ter muitas bicicletas, todas sutilmente diferentes, prontas para correr, mas nunca encontrei a posição ideal. Antes de Blois, não posso dizer que não sofri numa corrida de bicicletas; o Tour foi um exemplo. Eu apenas precisava pressionar os pedais quando queria, era tudo o que eu tinha de fazer. Depois do acidente, a dor era constante, em alguns dias tinha vontade de chorar, em outros eu estava OK.
Uma vez, no final da minha carreira, estava pedalando ao Alsemberg, em Bruxelas, e perguntei-me o que eu estava fazendo ali. Pensei que teria que descer e caminhar, mesmo ela não sendo muito íngreme ou longa. Minhas costas eram a minha fraqueza e isso ainda hoje me afeta: não posso andar de bicicleta por causa dela.”
Relação das vitórias de Merckx após 1969, quando ele já não era o mesmo:
1970 (Team Faema-Faemino)
Tour de France, Geral, Montanhas, Mais combativo e 8 etapas
Giro d’Italia, Geral e 3 etapas
Paris-Roubaix
La Flèche Wallonne
Gent-Wevelgem
Paris-Nice
Ronde Van Vlaanderen
Critérium des As
Flag of Belgium National championship
Super Prestige Pernod International
1971 (Team Molteni)
Tour de France, Geral, Pontos e 4 etapas
World championship
Milan-Sanremo
Liège-Bastogne-Liège
Giro di Lombardia
Rund um den Henninger Turm
Omloop “Het Volk”
Paris-Nice
Critérium du Dauphiné Libéré
Grand Prix du Midi Libre
Tour of Belgium
Giro di Sardegna
Super Prestige Pernod International
1972 (Team Molteni)
Tour de France, Geral, Pontos e 6 etapas
Giro d’Italia, Geral e 4 etapas
Hour record – 49.431 km
Milan-Sanremo
Liège-Bastogne-Liège
Giro di Lombardia
La Flèche Wallonne
Giro dell’Emilia
Giro del Piemonte
Grote Scheldeprijs
Trofeo Baracchi, with Roger Swerts
Super Prestige Pernod International
1973 (Team Molteni)
Giro d’Italia, Geral, Pontos e 6 etapas
Vuelta a España, Geral, Pontos, Combinada, Sprints e 6 etapas
Paris-Roubaix
Liège-Bastogne-Liège
Amstel Gold Race
Gent-Wevelgem
Grand Prix des Nations
Omloop “Het Volk”
Paris-Brussels
Giro di Sardegna
GP Fourmies
Super Prestige Pernod Trophy
1974 (Team Molteni)
Tour de France, Geral, Combatividade e 8 etapas
Giro d’Italia, Geral e 2 etapas
World championship
Tour de Suisse, Geral, Pontos, Montanhas e 3 etapas
Critérium des As
Super Prestige Pernod Trophy
1975 (Team Molteni)
Milan-Sanremo
Ronde van Vlaanderen
Liège-Bastogne-Liège
Amstel Gold Race
Catalan Week
2 etapas, Tour de France
1 etapa, Tour de Suisse
Giro di Sardegna
Super Prestige Pernod Trophy
Six Days of Ghent (with Patrick Sercu)
1976 (Team Molteni)
Milan-Sanremo
Catalan Week
1977 (Team Fiat)
1 etapa, Tour de Suisse
Tour Méditerranéen
Six Days of Munich (with Patrick Sercu)
Six Days of Zürich (with Patrick Sercu)
Six Days of Ghent (with Patrick Sercu)
Se ruim ele já ganhou tudo isso, se estivesse 100% seus adversários precisariam contratar alguém para quebrar uma das pernas dele para dar igualdade de condições
.
A foto do início do post é meramente ilustrativa.
Frase do dia
09/Junho/2009
Entre Merckx e eu, ganhamos todas as clássicas: eu ganhei a Paris-Tours, e ele todas as outras.
Noël Vantyghem, corredor belga.


Escrito por Zaka 
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