Repoxygen é o nome comercial de um tipo de terapia genética que induz a liberação controlada de eritropoietina (EPO) em resposta à baixa concentração de oxigênio. Foi desenvolvido pela Oxford Biomedica para o tratamento de anemia. Foi testado em ratos, e ainda está em desenvolvimento e não foi amplamente testado em humanos (não oficialmente).
A utilização de hormônios e outras drogas para aumentar ilegalmente o desempenho poderá tornar-se coisa do passado. O Repoxygen, embora difícil de obter, utiliza as capacidades naturais de um vírus como “mensageiro” para alterar o DNA humano. Esse gene modificado aumenta a produção de uma proteína chamada eritropoietina, que é responsável pela produção de glóbulos vermelhos, que todos sabem que é responsável pelo transporte de oxigênio para as células.
O uso da Repoxygen é permanente: uma vez “infectado” não há volta. A técnica não é totalmente nova, há registros de um caso em 1999, onde Jesse Gelsinger morreu devido a uma rara doença hepática. Mais tarde descobriu-se que foi uma reação imunológica à contaminação pelo vírus mensageiro. Talvez seja esse um dos motivos que a AMA determinou que a prática é ilegal, desde 2003.
Desde o ocorrido, a indústria tem evoluído muito no enfraquecimento dos mensageiros, mas mantendo as “entregas” em dia. Por esse motivo, atletas e técnicos tem visto a técnica como promissora para os seus obscuros objetivos. Em 2006 autoridades alemãs tiveram acesso a um e-mail de um técnico chamado Thomas Springstein (que havia sido acusado de ministrar medicamentos a corredoras em idade escolar) que dizia: “O novo Repoxygen é difícil de ser obtido. Por favor, dê-me instruções em breve para que eu possa aplicar o produto antes do Natal”.
Outra terapia que pode ser tentada por atletas é baseada na experiência chamada “Mighty Mouse”: em 1998 H. Lee Sweeney seus colegas da Universidade da Pensilvânia aplicaram um vírus portador de um gene que impulsionava o crescimento em ratos baseado na proteínha IGF-1. Como resultado, os “infectados” tinham mais de 15% de aumento da massa muscular e 14% mais fortes do que os ratos normais. O tratamento também impediu a perda de massa muscular nos ratos mais velhos.
Também há alternativas para infecção com genes que aumentariam a produção do hormônio do crescimento (hGh) ou do bloqueio da myostatin (uma proteína que limita o crescimento).
Esportes de endurance também podem ser impulsionados por um gene modificado, uma proteína chamada peroxisome proliferator-activated receptors Delta (PPAR-delta). Este artigo da Science News (em inglês) refere-se a estudos feitos pelo Instituto Salk de Estudos Biológicos, da Califórnia:
“Ratos de laboratório que tiveram seus genes alterados e sem nunca ter treinado, correram duas vezes mais do que os ratos inalterados. PPAR-Delta melhorou a capacidade muscular dos ratos, utilizando mais gordura para uso de energia e alterou a proporção de fibras rápidas para fibras lentas, aumentando a resistência muscular”.
Provar que existe doping genético não é fácil. Ainda não existem testes que detectem uma variação genética entre uma pessoa normal e um atleta, que normalmente possui alguns “dotes” genéticos naturais.
Técnicamente falando, é fácil de detectar o gene alterado, os cientistas sabem exatamente qual gene foi alterado, mas isso no tratamento de doenças. No esporte não se sabe onde o gene foi colocado, qual o vírus ou qual variedade de genes foi utilizada. Outra dificuldade é que os genes não seriam modificados em todas as células da pessoa: os vírus podem “atacar” seletivamente os músculos, sangue ou fígado. Os métodos atuais para detectar as diferenças entre as várias células é a biopsia, algo levemente doloroso.
Há uma saída fácil, mas que depende da colaboração dos laboratórios: é a chamada PET scan. Os genes seriam marcados radioativamente, e assim seriam facilmente dectados em exames. Porém com a “popularização” da produção de alto nível em países como México, Rússia e China (Brasil não?) é bem provável que os produtos genéricos não tenham essa identificação.
Uma boa ilustração sobre o funcionamento da terapia genética pode ser vista aqui.
O texto todo está escrito no passado ou futuro. Mas será que já não estamos vivendo o futuro na edição dos Jogos de Pequim? Essas novas tecnologias não estariam por trás de tantas quebras de recordes dentro e fora d’água?