A equipe de Rasmussen

31/outubro/2009

Ontem a imprensa italiana noticiou que Michael Rasmussen correria o próximo ano pela poderosa CDC-Cavaliere, uma equipe Continental Profissional italiana que acabou na 10a. posição do ranking italiano. Pouco provável que recebam um convite para o Giro.

Hoje, Rasmussen desmentiu a notícia: essa não é a sua equipe e não sabe por quê a notícia foi vinculada na impresa e espera que isso não atrapalhe suas negociações.

Posso estar enganado, mas creio que ele não tem nada certo.

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Jeannine Longo

31/outubro/2009

Jeannine (Jeannie) Longo nasceu em 31 de outubro de 1958 em Annecy, França. Hoje é, portanto seu 51o. aniversário.

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Sem dúvida, dentre suas inúmeras virtudes, destaca-se sua natureza competitiva e sua longevidade num esporte onde algumas de suas concorrentes ainda não haviam sequer nascido quando ela participou de sua primeira olimpíada e outras tantas também não estavam no útero de suas mães quando ganhou o primeiro mundial de estrada em 1985.

Sua carreira veio de outro esporte que tem uma certa afinidade com o ciclismo: o esqui alpino (aquela modalidade onde o esquiador além de deslizar precisa também subir morros). Seu primeiro título foi em 1973 (Campeã Européia Júnior). Depois de vencer campeonatos universitários, a pedido de seu treinador (e posteriormente seu marido) mudou para o ciclismo e poucos meses depois conquistou o título francês com apenas 21 anos.

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Até hoje ela acumulou mais de 30 medalhas em mundiais e jogos olímpicos. Foi cinco vezes campeã mundial de estrada, quatro vezes campeã mundial de CR e quatro vezes campeã mundial de pista. Na França seu domínio chega a ser ridículo: quinze vezes campeã de estrada e oito vezes campeã de CR. É tão versátil que foi prata no mundial de XC (mountain bike) em 1993. Na Grand Boucle (Tour de France versão para mulheres) conquistou três vitórias na classificação geral. Possui nada menos do que 38 recordes mundiais. No total já somou 1070 vitórias, número que pode aumentar, pois continua na ativa.

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Em 2008 ela foi convocada para defender o seu país na sua 7a. olimpíada, quando declarou que seria a última e acabou a 33 segundos da vencedora (Nicole Cooke) que tinha apenas 1 ano de idade quando Jeannie participou das Olimpíadas de Los Angeles e na prova de CR acabou a apenas 2 segundos da medalha de bronze.

Além da carreira desportiva, destaca-se também no campo acadêmico: é formada em matemática, possui MBA e é doutora em gestão esportiva. Juntamente com seu marido mantém uma equipe de ciclismo feminino destinada a revelar jovens talentos. Possui uma empresa de suplementos alimentares (Vitt’All+) e já escreveu vários livros sobre os segredos da longevidade e de sua dieta (é vegetariana).

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Se não bastasse, é uma pianista de talento e costuma apresentar-se no Festival Internacional de Piano de Besançon.

Site oficial: http://jeannielongo.free.fr/

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Estamos chegando no topo

30/outubro/2009

Já começamos a fazer sombra aos países de primeiro mundo:

Brasil soma 24 casos de doping esse ano.

Vejo essa situação por dois motivos:

  1. Ganância e vontade de vencer a qualquer custo;
  2. Fiscalização frouxa. Além de falta de investimento no esporte por parte dos órgãos governamentais, não existem medidas preventivas e tampouco controle adequado. Se está fácil, todo mundo toma e ninguém cai, a tentação aumenta.

Vintage Velos

30/outubro/2009

Navegando lá no “Na medida do humano” encontrei um post antigo sobre o Vintage Velos.

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Como foi que não vi isso antes? Lá tem aquela camisa que pedi pro Papai Noel no ano passado e ele não trouxe.


Giro d’Italia 2008 – Vários suspeitos

30/outubro/2009

A Gazzeta revela hoje que há vários suspeitos de batotagem no Giro 2008. Em maio a promotoria de Padua confiscou 83 amostras de urina feitas na prova após declarações de Emanuele Sella sobre o consumo de CERA.

As amostras foram reanalisadas no laboratório de Roma em busca dessa substância e os resultados de 6 ou 7 corredores apresentaram anomalias.

Assim o CONI pediu a UCI liberação para poder comparar as amostras com as do laboratório de Lausana. A entidade deu sinal verde e as análises começam nas próximas semanas e os resultados devem sair em dois meses.

Na versão impressa da Gazetta, fala-se em modificação na classificação geral da prova que terminou assim:

1. CONTADOR VELASCO Alberto 89h56’49”  
2. RICCO Riccardo 01’57”
3. BRUSEGHIN Marzio 02’54”
4. PELLIZOTTI Franco 02’56”
5. MENCHOV Denis 03’37”
6. SELLA Emanuele 04’31”
7. VAN DEN BROECK Jurgen 06’30”
8. DI LUCA Danilo 07’15”
9. POZZOVIVO Domenico 07’53”
10. SIMONI Gilberto 11’03”

Em vermelho os que já caíram.


UCI Track World Cup 2009-2010, Manchester

30/outubro/2009

Sessão 1 – Sexta, 30 de Outubro
Qualifying: Women’s Sprint, Scratch Race, Men’s Individual Pursuit, Keirin, Points Race

Sessão 2 – Sexta, 30 de Outubro
Finals: Men’s Individual Pursuit, Keirin, Kilometre TT, Points Race; Women’s Sprint, Scratch Race

Sessão 3 – Sábado, 31 de Outubro
Qualifying: Women’s Team Sprint, Individual Pursuit, Points Race; Men’s Sprint, Madison

Sessão 4 – Sábado, 31 de Outubro
Finals: Women’s 500m TT, Individual Pursuit, Team Sprint, Points Race; Men’s Sprint, Madison

Sessão 5 – Domingo, 01 de Novembro
Qualifying: Women’s Team Pursuit, Keirin; Men’s Team Pursuit, Scratch Race

Sessão 6 – Domingo, 01 de Novembro
Finals: Men’s Scratch Race, Team Sprint, Team Pursuit; Women’s Keirin, Team Pursuit; JKA Keirin (exhibition)

ATUALIZAÇÃO: acompanhe os resultados por aqui (dica do Leandro).

Partindo da suposição que a pista é oficial (250 metros) o ciclismo de pista pode ser dividido em duas categorias: sprint e resistência.

Os eventos são disputados sob a forma de “chaves” com eliminatórias. Esse é um dos motivos do sucesso da modalidade: o público assiste a inúmeras provas durante um dia, num ambiente climatizado (quando falamos em velódromos cobertos), com segurança, conforto e muita emoção: na sua frente pode ver um sprint a 80Km/h.

Sprint

Quilômetro (masculino) e 500 metros TT (feminino): um contrarrelógio partindo da imobilidade.

Team Sprint: três ciclistas competem por três voltas na pista (masculino) ou duas ciclistas e duas voltas (feminino). Após a primeira volta o ciclista da frente sai da competição, deixando o segundo da equipe que sairá da competição na segunda volta, deixando o terceiro completar a prova e registrar o tempo. O objetivo dos dois primeiros é dar proteção e vácuo. A prova geralmente é disputada por duas equipes que partem de lados opostos da pista.

Keirin (em japonês, luta) é uma prova em que os ciclistas vão para o sprint após completar uma série de voltas atrás de uma moto especialmente desenvolvida para esse fim. Até a saída dela os ciclistas não podem ultrapassá-la. Restando duas voltas e meia ela sai para a direita e então eles partem para o tudo-ou-nada. Extremamente tático e exigente, montado com eliminatórias, repescagem e finais.

Match Sprint é uma disputa simples entre dois corredores por três voltas na pista.

Eventos de Resistência (endurance)

Perseguição Individual é uma prova onde dois corredores partem de lados opostos da pista, parados e literalmente perseguem o adversário. A prova tem 4000 metros para os homens e 3000 metros para as mulheres. A prova é vencida por quem cruzar a linha primeiro ou quando ocorrer a ultrapassagem de um deles. É complicado de assistir e saber quem venceu quando são dois corredores com nível muito parecido.

Perseguição por equipes é a versão coletiva da perseguição individual. A diferença é que são quatro corredores por equipe (na masculina ou três na feminina). É uma prova lindíssima de assistir: o ciclista da frente fica na frente apenas uma volta, sai para a direita e em seguida volta ao final da fila. Assim como a perseguição individual, vence a equipe (terceiro homem e segunda mulher) que cruzar a linha primeiro ou quando houver a ultrapassagem. No caso de um membro da equipe cansar, pode abandonar a prova sem prejuízo (desclassificação) para time.

Points Race é uma prova de grupo (20 a 30) em que os corredores competem por 20, 30 ou 40Km. O objetivo é ganhar pontos e vence quem somar o maior número. Os pontos podem ser somados nos sprints intermediários (a cada 10, 20, 25 voltas) ou nas ultrapassagens (voltas sobre os demais). Exige velocidade, resistência, sprint e inteligência. Alianças são formadas e quebradas rapidamente.

Madison é uma prova plástica, de pontos em equipes. Disputado normalmente em duplas, onde apenas um dos corredores está efetivamente na prova. Um dos corredores fica na faixa ao alto, esperando o seu companheiro quando ele deve emparelhar e ser “estilingado” (movimento difícil de explicar em palavras). Evento altamente técnico, difícil de correr e assistir mas muito emocionante: nunca estamos sem movimentos de trocas. A equipe vitoriosa é aquela que somar mais pontos, mas ao contrário da Points Race, ultrapassagens não dão bônus, mas a equipe que somar mais voltas tem prioridade e vencem a prova independente do número de pontos. Uma diferença sutil que muda muito a estratégia de corrida.

Scratch Race é uma corrida em grupo  realizada por 10, 15, 20 ou 25Km. Vence quem chegar na frente. A mais simples de assistir e entender.


UCI x AFLD

30/outubro/2009

Nessa época do ano em que não temos corridas eu [mode sarcasmo on] adoro [mode sarcasmo off] quando começam essas briguinhas e guerras de palavras.

Respondendo às acusações da AFLD (agência francesa responsável pela luta anti-doping) sobre o corpo mole que foi feito durante o Tour (com a Astana e companhia) a UCI divulgou ontem um comunicado oficial. Vamos ao resumo, tradução livre minha.

  • As acusações são totalmente infundadas e no futuro vão buscar um parceiro neutro para realizar os exames no Tour de France;
  • A AFLD sequer precisou trabalhar durante o Tour, seu papel foi modesto;
  • A Astana recebeu sim um tratamento especial: no sentido de que seus corredores foram submetidos a um número maior de exames do que os demais. Três vezes a mais do que a maioria dos demais corredores;
  • A AFLD deve olhar para o próprio umbigo antes de criticar: enquanto a UCI realizou 190 exames fora de competição nos ciclistas inscritos, a AFLD realizou apenas 13. E destes, 6 eram franceses.
  • Desse total de 13 exames, as amostras de 5 de uma mesma equipe foram enviadas aos laboratórios com os nomes e demais dados, o que invalida o exame;
  • Além da falta de confidencialidade, várias corridas foram realizadas sem exames (corridas na França, creio) pois a AFLD não enviou médicos para coletar as amostras.

Quando começa o Tour Down Under mesmo?