SESTide

Anualmente é realizada uma feira em Lübeck que reune médicos, especialistas, representantes de laboratórios, da indústria farmacêutica, interessados em patologias, pessoas relacionadas ao esporte, ao doping e ao anti-doping.

Esse ano foi divulgado na 8th International Luebeck Conference um produto chamado SESTide (Supravalent Erythropoiesis Stimulating Peptide), sintetizado pelo laboratório alemão AplaGen.

É um produto de fácil produção (não precisa engenharia genética), pode ser produzido como qualquer outro medicamento, não precisa ser armazenado em geladeira e, o mais importante, estimula a produção de glóbulos vermelhos sem estimular o crescimento de células malignas. Um verdadeiro achado e de esperança para milhões de doentes.

Mas como seus primos mais velhos EPO alfa (a primeira), beta, omega, delta, zeta, vários tipos de EPO chinesas ou russas e as EPO análogas, como a Aranesp e a CERA, poderá e será utilizado para outros fins diferentes daqueles para o qual foi projetado.

Logo após essa feira tivemos o mundial de atletismo em Berlim. Embora o produto ainda não esteja sendo comercializado (e tampouco testado em humanos) suspeita-se que algumas marcas em provas de resistência tiveram alguma relação com ele (mas se até um sprinter como Zabel confessou ter tomado EPO, eu incluiria também provas de explosão).

Mario Zorzoli, um dos experts na luta contra o doping da UCI disse “Eu não conheço sua existência. O último que tivemos conhecimento foi a Hematide, uma EPO disfarçada, decorada para enganar o sistema imunológico e durar mais tempo no organismo, que dizem que foi usada no último Tour”.

“As novas EPO, as EPO miméticas por assim dizer, abrem as portas que as EPO de sempre abriram, mas não tem a forma de chaves. Estruturalmente não tem nada a ver com as antigas, mas tem o mesmo efeito” diz Cristóbal Belda, um oncologista. “É igualmente perigosa, porquê estimula como todas as EPO não só a fabricação de glóbulos vermelhos, mas também tecidos cerebrais, musculares, coração…”.

Mesmo correndo contra o tempo e com um retraso considerável, as autoridades não estão paradas: a AFLD anunciou que fará análises em amostras de 40 corredores que estiveram no Tour de France de 2008 (mas não divulgaram seus nomes).

Eu tenho um palpite: do Carlos Sastre para trás, contem 40 nomes.

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One Response to SESTide

  1. Pedro (Barcellos Sports) disse:

    Zaka, em primeiríssimo lugar parabéns pela ótima cobertura jornalística (sou formado na profissão e vc tem ótimos textos)…

    Em segundo lugar rsss…Acredito que o SESTide vai deixar menos pessoas tossindo (rsss..) É uma evolução para os doentes, só que, os sãos não precisam de médicos…