Ullrich e Fuentes

Mesmo negando veementemente qualquer tipo de relação com o espanhol Eufemiano Fuentes, autoridades alemãs encontraram indícios de viagens de Ullrich (um total de 24) até Madri entre dezembro de 2003 e abril de 2006.

Como? Confiscando um computador de Rudy Pevenage, seu assessor na T-Mobile. Os investigadores restauraram dados deletados do HD da máquina e lá constavam registros das viagens secretas do gordinho até Madri (esse pessoal não costuma jogar HD fora? Derrubar ácido em cima? Botar fogo? É uma coisa tão barata…).

Ullrich defende-se dizendo que seus contatos com o espanhol eram exclusivamente para tratar do seu problema de excesso de peso (teria gasto um total de 80 mil euros em dois pagamentos – no mesmo período teria recebido 8,5 milhões de euros entre contratos e publicidade).

Entendo que a luta contra o doping não deve baixar a guarda. Mas por quê não concentrar os esforços em quem está na ativa e não num corredor aposentado?

10 respostas para Ullrich e Fuentes

  1. Zaka, peço permissão para mandar um off topic aqui.

    Li há pouco no AS.com que estão pensando em incluir a subida até “La bola del mundo” na Vuelta 2010. Pensei: “Aquela? Será? Não pode ser!”

    Aí fui até o site deles, no link abaixo:

    http://www.as.com/ciclismo/articulo/ciclismo-cima-puede-dar-espectaculo/dasclm/20091018dasdaicic_1/Tes

    E pude comprovar tudo: os malucos querem matar os ciclistas! Quem quiser, há um resumo da subida no link abaixo, feito pelo climbbybike.com:

    http://www.climbbybike.com/climb.asp?Col=La-Bola-del-Mundo&qryMountainID=4539

    E, abaixo, o perfil da montanha:

    Sim, eu sei que há coisas muito piores que aquilo. Mas notem: a ideia deles é incluir a subida até “La bola del mundo” no final da escalada a Navacerrada! A pendência média, vocês podem ver, é até razoável. Mas olhem só os últimos três quilômetros! Coisa pra arrebentar o pelote!

    E aí? Será que vão colocar mesmo?

    P.S.: Se a Vuelta incluir “La bola del mundo” em uma etapa, o Giro teria que pensar na Scanuppia, o que acham?

  2. Sim, tem razão. Mas o que me impressionou foi a ideia de colocar a subida da “La bola del mundo” como ponto final de uma etapa que já contaria com Navacerrada.

    Fico com a impressão que tal combinação tornaria a nova etapa um pouco mais dura que a do Angliru… Pode ser só impressão, mas foi a primeira coisa que me veio à cabeça: os ciclistas chegariam para aqueles três últimos quilômetros já bem quebrados.

  3. Conan disse:

    Caro Zaka
    Bom mesmo era ver esse empenho dos nazistas do ciclismo nas outras modalidades que esse doutor Fuentes servia. Os futebolistas, os tenistas, os basquetebolistas. E os outros.
    Há quem viva com a cabeça enterrada na areia e só veja um mau da fita, o ciclista. O resto, toda a jogada de bastidores que procura obter o poder a qualquer custo e atropelando todos os direitos humanos, isso não interessa. Não interessa porque para isso é preciso pensar e pensar custa mais que subir o Ventoux.
    Como escreveu Madeira (http://veloluso.blogspot.com/), todo o mundo é canonizado quando morre, mesmo que seja um filho da puta pedófilo como o Michael Jackson (ele não escreveu isso, sou eu que afirmo). Só no mundo da música poucos são os “heróis” que não consumiram álcool ou drogas de todo o tipo. Mas há pintores, escultores,… É só escolher! Esses produtos serviam de fonte inspiradora para todos eles, eis a justificação. Aí não há problemas, é legal, é legítimo, é subversivo. Mesmo que esses consumos tenham, directa ou indirectamente, causado a morte do artista precocemente. Mesmo que esses artistas tenham servido (e servem!) de inspiração para muitos jovens, que tentavam imitar o ídolo consumindo a mesma merda que este consumia. E que morriam da mesma maneira. Mas isso é “arte”. Na “arte” tudo é legítimo, até o consumo de EPO. Já um ciclista… “Morreu hoje Frank Vandenbroucke. Um Corredor de Ciclismo… Um drogado!”. Posso acrescentar o Bruno Neves, promissor jovem ciclista que morreu de paragem cardíaca. Foi o que revelou a autópsia. Mais de ano e meio depois, ainda há quem tente ligar a morte dele às drogas desportivas. Qualquer jornal português, que não liga puto ao ciclismo, apressa-se a escrever um artigo de que, afinal, há mais suspeitas sobre a paragem cardíaca do moço. Um ciclista… um drogado!
    Está na altura de os adeptos do ciclismo pensarem onde isto irá parar. Eu sou amador, nunca fui profissional, embora quando jovem tivesse “brincado um pouco” aos profissionais. Treino ciclismo por puro gozo pessoal. Utilizo a bicicleta no meu dia-a-dia casa-trabalho. O mais parecido com competição em que participo são os passeios de Domingo em eventos organizados por clubes de bairro. Então hoje, durante o meu treino, depois do trabalho, fui mimoseado com um “vai trabalhar, drogado!” da parte de um simpático condutor. Sem qualquer aviso, sem qualquer tipo de conflito, pois isto passou-me numa estrada larga, com uma berma também larga e asfaltada, onde eu seguia. Não havia a mínima hipótese de o condutor considerar que eu estava a atrapalhar. Umas buzinadelas, o chiste, o riso alarve de quem seguia com o bicho no carro. Não o conhecia e ele, penso, também não me conhece. Terá sido o facto de ele ver um sujeito com idade de ser avô a fazer o que ele, aparentemente bem jovem, não conseguir fazer? Na altura não soube interpretar tal episódio. Mesmo agora, depois de ler esta notícia, continuo a não saber. Mas que isto está ligado não tenho dúvidas. E que me incomoda, incomoda. E muito. E fico a pensar onde isto irá parar.

    • Zaka disse:

      Concordo 100% com suas palavras.
      Infelizmente os seus vizinhos ibéricos preocupam-se, aparentemente, com outros esportes muito mais lucrativos e utilizaram o ciclismo como, chamamos aqui no Brasil, bode expiatório (alguém em quem jogar a culpa). Sempre falou-se do futebol e do Real Madrid e do Barcelona. Falou-se também dos tenistas, em especial daquele de cabelo comprido que joga durante horas e não cansa. As próprias autoridades espanholas patrocinaram o Fuentes anos atrás (publiquei isso aqui no blog) para que ele desse um jeito de aumentar as medalhas olímpicas.

      Bom, aí chamam de drogado. Aqui já me chamaram de vagabundo (e nem sabem o meu horário de trabalho ou se estou de férias) e fazem piadinhas das roupas. É nosso karma.

      Abraço

  4. Augusto disse:

    Muito, muito sensatas as colocações do Conan e do Zaka…

    Por um esporte que distribua saúde, abaixo a performance…

    Não é ela sozinha quem causa tudo, e logo não é a culpada…, mas é sobre a frustração que ela causa nos não-vencedores (atletas e torcedores, dirigentes e patrocinadores)…

    Esta incapacidade de lidar com o fato de não ser o melhor, o mais forte, o mais rápido…

    Todos, eu disse TODOS, somos responsáveis pelo doping…

    Alguns são agentes diretos, conscientes e dolosos…outros não..

    mas todos ainda que puerilmente incentivamos a performance a qualquer custo…

    Ou então, vamos aplaudir o profissionalismo…independente de ser o primeiro ou o último…

    Não me lembro de ter visto moção de apreço pelo Luciano Pagliarini quando ele chegou em último na Olimpíada…

    Braço!

  5. Augusto disse:

    Sobre a pergunta (no final) do tópico, porque é importante levar os processos até o fim.

    E mostrar que a simples negativa não impede que a verdade sobrevenha.

  6. Zeca Blak disse:

    Sempre que o Conan aparece, leio com especial atenção seus textos. Concordo contigo 100%. Mozart, Kurt Cobain, Jim Morrinson, Basquiat, Vinicius de Moraes, Cartola, Jimi Hendrix, John Lennon, Kerouac, Bukowski, e tantos outros artistas que são venerados, endeusados por sua obra. Todos dopados. E os pobres ciclistas profissionais… Regras são regras, ok. Nas artes não há regras contanto que o resultado seja uma obra-prima. No esporte há que se respeitá-las. E quem não respeita, tá fora.

  7. leonn disse:

    Não creio que se deva comparar muito esporte com arte. Sob alguns aspectos os esporte é arte e arte pode exigir um quê de profissionalismo/seriedade.

    Na arte o resultado final é que avaliado, não as circunstâncias na qual a obra foi criada. Por mais que um artista seja endeusado, primeiramente sua obra tem que agradar a quem o endeusará posteriormente. E aí sim, o fã passará a imitar ou considerar relevante o comportamento do ídolo.

    Aí eu pergunto, quem quer saber o quanto há de sofrimento ou auto destruição na composição daquela música, quadro, dança e etc?

    Aliás, há uma visão sobre artistas é que são pouco profissionais, cheio de manias e estrelismo. Há alguns segmentos em que a dor de cabeça, com a irregularidade da produção dos artistas é bastante sentida. Um exemplo em que isso ocorre com frequência é nos quadrinhos em que desenhista não entrega as páginas em tempo predeterminado e isso atrasa uma edição ou outra. Sendo que desenhistas menos talentosos, mas mais produtivos ganham espaço.

    Já no esporte competitivo (a forma como eu me refiro a esporte profissional ou não-exibição), a performance é o que prevalece e essa premissa tem que ser alcançada dentro de regras e condições legais. Quando nós, fãs, vemos um ciclista indo numa fuga suicida ou TTI destruindo a todos e nos empolgamos (como foi Cancellara no último mundial), estamos assumindo que aquele show é fruto de esforço, de técnica e gana. Isso tudo, de forma legal, isto é, limpa, sem doping.

    Então, alguém diz que fulano é o melhor porque se dopa e o cultua? Não creio.

  8. Antonio Carlos Alves disse:

    Ufa!!!!Caramba! como se diz aqui
    Conan vc arrazou

    Que existe uma bronca gratuita com os ciclistas isso existe mesmo.

    Eu também acho que os preconceituosos queriam ser é como nós ciclistas….e não podem, o muito que eles fazem é tomar cerveja e ficar que nem o “bolão” aquele cara da foto com a roupa da Lampre.

    Mas podem xingar de drogado vagabundo o ciclismo é lindo e se feito com seriedade o esporte é muito gratificante, nós estamos em contato com a natureza sem a poluir…homem e máquina numa só sintonia.

    Xinguem o ciclista mas não xinguem o ciclismo.

    Como diz o Vianna…Zuar o ciclismo é como xingar a mãe.