Legalização das drogas

Em primeiro lugar: doping pra mim é droga. Um dopado é um drogado.

Li em algum blog por aí (preciso encontrar um meio de “guardar” as páginas de todos os sites e blogs que tenho lido) sobre a questão doping e equipamentos. Encontrei uma maneira de abordar o assunto com um colega de serviço que não pedala e não acompanha o esporte (só futebol), puxando a conversa para a diferença de equipamento. Ele ficou impressionado com a diferença de peso entre uma bicicleta mediana e uma bicicleta top de linha e fez a mesma pergunta do texto que eu havia lido: uma bicicleta superior não dá ao ciclista a mesma vantagem do doping?

Nesse ponto eu não tenho certeza para afirmar, mas creio que não. Além do mais, o doping é proibido, há uma lista de produtos e métodos ilegais. Usar o melhor equipamento, dentro das normas, é permitido.

Um outro aspecto que ele falou e já li em alguns lugares é sobre a liberação total e irrestrita do doping.

Considerem que um corredor profissional da primeira divisão corre em torno de 150-180 dias por ano. Eles precisariam de um bocado de drogas.

As drogas causa danos à saúde mental, certo? Não há nenhuma dúvida que o uso prolongado de drogas prejudica o cérebro (Zina?). Simpson, Pantani, Jose Maria Jimenez e Vandenbroucke são as provas mortas disso.

Na era da EPO indetectável os ciclistas estavam tomando doses cavalares do remédio. Terminavam as provas com níveis absurdos de hematócritos (na faixa de 60% – lembram alguém com o apelido Mr. 60%?). O sangue fica tão grosso que é necessário acordar no meio da noite para evitar uma morte súbita, tão comum nos jovens holandeses nos anos 80-90. Alguém vai dizer que na medida certa as drogas são seguras, mas seu efeito é cumulativo e os efeitos podem aparecer anos depois.Quando esses corredores morrerem, alguém vai lembrar deles?

A defesa de que a legalização tornaria a disputa mais equitativa não é verdade. Organismos diferentes reagem de maneiras diferentes aos medicamentos: a EPO tem efeito maior sobre pessoas com níveis normalmente baixos de hematócritos (afinal, é pra isso que ela foi criada). Ciclistas com melhores médicos ou farmacêuticos iriam ganhar. A diferença das bicicletas top de linha com as medianas é enorme, mas entre as top, a diferença é insignificante, independente de marca, grupo ou pneus. Nem todos os ciclistas teriam acesso ao maravilhoso medicamento de última geração, mas praticamente todos eles andam em bicicletas maravilhosas.

Um estudo com atletas olímpicos ingleses revelou que um alto percentual deles confessou que tomaria medicamentos que lhe garantisse um ouro, mesmo que isso colocasse em risco a sua vida. Quando Richard Virenque foi apanhado na malha fina da Festina tentou culpar seu massagista. O depoimento de Willy Voet foi fulminante: “Se eu tivesse dado a Virenque todas as drogas que ele queria, estaria morto nesse momento”.

Há muitas outras razões, mas a principal no meu entendimento é ética. Não vejo a diferença entre um atleta que se dopa para vencer, um político corrupto ou um golpista que logra velhinhas no golpe do bilhete premiado.

20 respostas para Legalização das drogas

  1. jucaxc disse:

    eu tenho pena dos caras que chegam em segundo e depois herdam o titulo . deve ser um gosto amargo !
    Tem paises que doping é enquadrado como crime de fraude esportiva e da cadeia ! creio que este é o caminho mesmo e doa a quem doer .

    • Zaka disse:

      O Pereiro falou isso… ele disse que uma vitória nunca teve um gosto tão amargo e ele torcia (pelo menos dizia) para que os exames do Jason Landis dessem negativos… Ele não tem a foto de amarelo no pódio em Paris… não deu a volta triunfal, não brindou com os companheiros e colegas. Isso ninguém vai dar pra ele.

  2. pedro disse:

    Não há pecadinho e pecadão!! TODOS pecaram!!! Assistia a um programa na rede TV sobre pixação em São Paulo. O repórter entrevistava um pixador “famoso” que tinha sua marca em vários lugares. E então ele foi questionado: “Mas… Pixar não é errado?” Como resposta disse: “Errado? E o que é certo nesse mundo? O que está certo nesse mundo?..”

    Achei interessante e é válido nesse caso. Particularmente penso que a tendencia é só piorar! Podem debater, questionar, legalizar, prender, mas melhorar não vai!

    Isso é sim uma visão apocalíptica porque creio nisso e é a realidade! Ora, então qual a solução? Tentarmos sermos limpos num povo sujo!

    obs: adorei a sacada do Zina zaka!!! Genial
    obs2: até tu Virenque? hahahaha)

  3. Miguel disse:

    bem em 1º lugar tou contra a liberalizaçao do doping. acho completamente absurdo.

    ms chamar a um dopado um drogado acho que e demais e muito forçado, porque a maioria das pessoas dentro do ciclismo sabe bem que o doping nao sao casos isolados mas sim presentes na maioria do pelotao. um ciclista sabe que para ganhar deve recorrer a metodos ilicitos, ja que nunca chegara a ganhar sem se dopar.

    eu sou daqueles que esta convencido que 90% do pelotao de Pro Tour toma alguns desse medicamentos, medicamentos sim, porque a maioria dos produtos dao medicamentos usados para tratar doenças, nao e como as drogas de recreaçao como cocaina, heroina, metanfetaminas entre outras.

    por isso nao chamem a um dopado um drogado, que so piora a situaçao do ciclismo em geral

    • Zaka disse:

      Um sujeito viciado em anfetaminas, metanfetaminas (tipo o Tom Simpson) É um drogado que precisa de tratamento. Os estimulantes (famosos “rebites” como chamamos no Brasil e são usados por alguns motoristas de caminhão) e são tão comuns são drogas.

  4. Zeca Blak disse:

    Zaka,
    Concordo com seus argumentos, em parte. Acho sacanagem, má-fé, burlar a regra. Se a regra diz que não se pode tomar certos medicamentos, quando tomá-los estará o atleta sendo desonesto. Ok. Que remédios em excesso fazem mal ao ser humano e pode até matar pecocemente, ok. Eu, particularmente, não tomo remédio nunca e acho que eles servem somente pra casos extremos.
    O problema está quando falamos em esporte de alto nível. Há que concordar que, com ou sem doping, qualquer atleta de nível Olímpico, que segue rigorosamente sua rotina de treinamentos e provas, não é saudável. Mulheres atletas não mestruam por anos seguidos. Homens atletas adquirem problemas cardíacos, de coluna, próstata… Caminhar 3 vezes por semanas é saudável, dar uma corridinha na beira do mar é saudável… Competir uma grande volta de Ciclismo não é saudável. Treinar 7 dias por semana, 7 horas por dia não é saudável.
    A pessoa que opta por ser um atleta de alto rendimento sabe, mais cedo ou mais tarde, que abdicará de muitas coisas da vida (inclusive sua saúde) em troca do seu sucesso, seja por culpa dos longos períodos de treinamento, seja por tratamentos fisioterápicos em consequência dos excessos ou seja pelos milhares de remédios lícitos ou não que tomará. É cruel mas é uma opção. Ninguém é obrigado a ser um atleta profissional. Mas ser for, cuidado com as pessoas que o cercarão, cuidado com sua própria consciência, cuidado com sua saúde.
    Digo isso porque não vejo solução pro problema do Doping. Cansei de me decepcionar com atletas que torcia e depois o via, com cara de tacho, se justificando porque tomou CERA, EPO… Acho que a única forma de se ter competições mais equilibradas seria liberar geral. E falo isso com a mais profunda tristeza, tendo conhecimento de que muitos garotos e garotas estariam cavando suas próprias covas. Enquanto houver homens, dinheiro e fama envolvidos, haverá trapaça. Portanto ou libera geral ou acaba com o profissionalismo no esporte.

  5. Renato disse:

    Zaka, muito bem colocado! É uma pena o estágio atual onde tupo pode, desde que se passe alguém para trás. Mas como o álcool e o cigarro, que são permitidos, e as drogas ilícitas, não há como acabar. Não há interesse, e o pior, a fama faz a cabeça.

    Espero que a mídia faça a sua parte mostrando os casos e que, finalmente, eles se voltem para o futebol, automobilismo, etc.

  6. Jucaxc disse:

    Olha achei boa a citação do Zeca Black , muita gente vai pelo bordão ” esporte é saúde ” mas não é bem assim , na vida tudo é relativo , na verdade atividade fisica é saúde , esporte ( de alto nivel ) não ! tem um livro ” Esporte mata ” que cita bem o assunto … mas por outro lado esporte de alto rendimento pode ser a salvação de uma pessoa , como aconteceu com a hemorragia da triatleta Carla Moreno . Ela cita que os médicos falaram que ela conseguiu suportar tal enfermidade devido a suas caracteristicas de atleta .

    Com relação ao gosto amargo , temos vários exemplos , esse do Pereiro e o do Henchov ( Vuelta 2005 ) quando pegaram o Heras com EPO , foram os mais citados . Na época Menchov disse que teve um gosto amargo . Pereiro disse que estava cansado de gente dizendo e dando tapinhas nas suas costas parabenizando pela conquista . Conforme o Zaka citou , e a glória do pódio ? e a champanhe ? e aquele sonho que colocar seu filhinho no pódio com a camisa amarela ou mandar um beijo pra esposa ? isso não tem preço velho !!! por isso que desconsidero trapaceiros , já falei asneira aqui de caras que foram punidos e voltaram , sei que merecem uma segunda chance , mas sinceramente esse tipo de gente merecia pegar uns 4 anos de cara e responder na esfera civil igual acontece na Itália e Bélgica .

  7. Zeca Blak disse:

    Jucaxc,
    No caso da Carla Moreno, o fato dela ser atleta fez com que aguentasse tanto sangue no abdômem. Beleza, mas o quê que causou a úlcera??? Não foi o excesso de esforço somado ao estresse?
    O que a salvou – ser uma super-atleta – foi o que quase a matou!

  8. Ricardo Buscema disse:

    Zaka vc está coberto de razão.
    Infelizmente estão sempre inventando uma maneira nova,e só pegam depois de um tempo.
    Se tivesse um meio da turma ficar confinada antes das provas…..

  9. Jucaxc disse:

    pior que se for analisar o fato dos esforços esportivos foi o principal motivo sim , concordo contigo . estamos num balaio de gato . Oscar Schimidt falou o mesmo , fala que hoje tem dor em tudo quanto é parte do corpo !
    e olha que ele foi uns dos poucos que tiro o chápeu , até no escuro ele fazia cesta !

    Esses dias atrás estava dando um treinão com um colega que ganhou o 12 Horas de MTB na elite e ele disse : cara tenho dó de quem ganha a vida em cima de uma bicicleta deve se doloroso heim ?
    é muita dor , ainda mais aqui no nosso pais que reconhece ( $$$$ ) muitooo o esporte .

    A propósito , a CBC anunciou hoje 2 anos de gancho para Alex Diniz , Alcides Vieira , Cleberson Webber e Alex Arseno …. Os quatro magnificos kkkkk !!!

    um abraço pro ” Eu ” !!!

  10. Zaka disse:

    Juca,
    Anunciaram o novo campeão brasileiro? Tenho uma foto prontinha do futuro-ex com a camisa que não pertence mais a ele pra postar.

  11. MARCUS VINICIUS disse:

    NO DIA QUE LIBERAREM O DOPING EU PARO DE ACOMPANHAR O CICLISMO ! ERA SÓ O QUE FALTAVA …..TOMARA QUE TODOS MORRAM ….

  12. Jefferson disse:

    É a justiça foi feita, mas o seguinte falaram que era de 8 a 11, cade o resto.

  13. Zeca Blak disse:

    Jucaxc,
    O esporte está acima da dor. Se fosse pelo dinheiro, nao exisitria quase nada aqui no Brasil. O que há é o amor pelo o que se pratica e a vontade de ser vencedor em alguma coisa. Nao me tornei atleta porque precisei trabalhar desde cedo, mas admiro todos que se dedicam. Até com um pouco de remorso de nao ter partido pra esse lado. Sempre tive noçao de que se fosse pra levar a sério teria que aprender a conviver com a dor. Sempre. E é aí que acho que entra a falta de auto-preservaçao da maioria dos atletas que nao atingem resultados expressivos “limpos”. Depois de tanto amor, dedicaçao e sofrimento, chega a um certo ponto que o sujeito liga o “foda-se” e pula fora ou se entope de porcaria. Imagino que seja isso. Nao sou do meio, apenas torço pelo esporte e pelo fair play, nao aceito, mas entendo o Doping.
    Talvez outra soluçao, ao invés de liberar geral, seja aumentar a pena pra quem for pego. 5 anos de afastamento já causaria um efeito maior nas cabecinhas fracas. A questao é: Sobraria alguém nos próximos 5 anos??? Complicado.

  14. Bruno Tiggemann disse:

    Concordo em gênero, número e grau com o Zeca Black. Sou professor de Ed. Física e trabalho com musculação em academia.
    O ciclismo e o fisiculturismo são os 2 esportes que apresentam os maiores índices de uso de substâncias proibidas, lamentavelmente.
    No fisiculturismo, o grande problema é o “complexo de inferioridade” e a vigorexia, que acaba levando o sujeito ao uso dos anabolizantes.
    No ciclismo, creio que o fator $$$ seja o maior estímulo, e ainda mais sabendo que as provas são decididas por frações de segundos, onde qqr substãncia vai fazer toda diferença.
    Lembro de um artigo que foi escrito no New York Times no ano em que o Floyd Landis foi pego no Tour…
    O autor do texto (não lembro quem) comentava que nossa sociedade tolera o artista que usa Botox para tirar as rugas, o ator pornô que toma Viagra para desempenhar melhor no filme, o estudante que toma boleta para virar a noite estudando, o médico que usa boleta para completar o plantão na madrugada, o motorista que usa boleta para entregar a mercadoria no prazo, a menina que faz bronzeamento artificial e bota silicone nos peitos para se adequar aos padrões ditados pela mídia e pela sociedade, o garoto que se encharca de trago numa festa para ter coragem de chegar nas minas… Enfim, a lista é extensa…
    Alguns usam por motivos profissionais, outros por motivos recreacionais…
    Mas quando essa mesma sociedade pega um atleta usando drogas para aumentar o rendimento (que é o trabalho dele e do resultado deste trabalho depende a renovação de um contrato ou mesmo o prêmio de uma competição), aí sim, é um “Deus nos acuda”. O cara é execrado, cruxificado e esquartejado publicamente.
    Afinal, o que eles esperam: que o cara suba o Alpe d’Huez daquele jeito, somente à base de água mineral e salada de alface?

    Muita hipocrisia, não acham?

    Sou contra o uso de drogas no esporte. Acho que deve haver controles rígidos e punições severas, mas o doping SEMPRE estará um passo na frente do ANTI-DOPING, pois primeiro é precisa cometer o erro, para depois ser identificado.

    Se o cara é profissional e tem muito dinheiro em jogo, a questão econômica de certa forma estimula muitos atletas a corretem o risco, pois o prêmio compensa. O que eu acho muita BURRICE é o cara usar DOPING para umas “provinhas de merda”, para ganhar um caneco de latão que vai oxidar junto com o fígado do “batoteiro” (essa expressão é do Zaca, peguei emprestado). Sem falar na piazada usando anabolizante para engrossar um pouco o braço e tentar chamar a atenção das meninas (eu sempre digo que se mulher gostasse de bíceps grosso, o pedreiro Vicente já tinha “comido” toda a mulherada da redondeza).

    Mas a questão econômica no esporte tem um outro lado… Observem que alguns patrocinadores (T-Mobile, Discovery Channel…) suspenderam seus patrocínios. Não digo que foi o motivo DOPING, mas qual é a empresa de renome e que zela pela sua reputação que vai querer ter seu nome associado à um bando de trapaceiros e tomadores de boleta?
    Quando dá merda (ou seja, positivo), respinga nos patrocinadores também… E este é um dos motivos pelos quais o fisiculturismo nunca decolou economicamente nas premiações, pois poucas empresas querem associar seu nome à um bando de marmanjões de sunga, entupidos até as orelhos com hormônios sintéticos.
    E no ciclismo, que é um esporte maravilhoso e centenário, pode acontecer o mesmo, afastando os fãs e os patrocinadores.

  15. Conan disse:

    O Bruno Tiggemann, basicamente, apresentou o ponto de vista que venho defendendo há muito tempo.
    Embora a opinião de cada um deva ser respeitada, isso não significa que tenhamos de concordar com ela. Por isso, Zaka, concordo contigo quando afirmas que “doping” é droga. Como já reparaste, eu emprego sempre o termo droga para esse tipo de substâncias.
    Já não concordo contigo nas tuas conclusões. Quando afirmas que “o doping é proibido, há uma lista de produtos e métodos ilegais. Usar o melhor equipamento, dentro das normas, é permitido.” não estás a ser correcto. Há uma extensa lista de produtos farmacêuticos que são permitidos, até determinado limite. A partir de determinado limite é que passa a ser considerado batota. Porquê? Poderíamos também esgrimir centenas de argumentos em relação aos equipamentos, a começar por aquele batoteiro que vestiu a pele de tubarão para ganhar nove medalhas de ouro. Mas o mundo aplaudiu a batota. Verdade desportiva?
    A lista de produtos também varia todos os anos, ao sabor de quem está no poder. Porquê? Comecei a questionar-me no episódio da polémica com a cafeína. O Comité Internacional baniu por completo o seu uso, mas depois fez marcha-atrás, devido ao seu consumo tradicional e usual em determinados países, entre os quais Portugal. O limite passou de zero para 50 xícaras de café. Verdade desportiva? Com o álcool aconteceu o mesmo. Então, porque é tradicional já não é prejudicial para a saúde? E que dizer do mundo pantanoso do consumo de drogas permitido em determinados países, como a Holanda? O povo em geral pode consumir, menos os desportistas. Porquê?
    Toda a sociedade ocidental, no seu geral, aceita a batota, tal como afirma Bruno Tiggemann. Só aos desportistas é exigida a pureza. Porquê?
    Mas vamos aceitar por momentos a tua tese. Sendo assim, onde está a ética que se limita a ver o ciclismo como desporto da batota? Como é possível que um atleta ganhe uma meia-maratona numa cidade em Inglaterra e quatro dias depois o mesmo ganha outra meia-maratona na Austrália? Se fosse um ciclista era, de certeza, um drogado. Como não é ciclista, é um atleta de méritos confirmados.
    Como é possível que haja clubes de futebol, na Europa, que efectuem 70 ou mais jogos por época com um plantel de 26 jogadores, sempre em alta e sem aparentes quebras de rendimento e depois, subitamente, há uma quebra física de TODA a equipa? Que dizer daqueles que, enquanto a competição está renhida, se apresentam, jogo após jogo, sempre no pico de forma e, quando o objectivo é alcançado, perdem com qualquer um, mesmo com equipas amadoras? Atenção, não são dois ou três clubes, é uma boa dezena! Ninguém se interroga? Se fosse uma equipa de ciclismo, eram drogados. Como é uma equipa de futebol, é “normal”.
    Mas há outras coisas que me incomodam, nesta guerra contra o ciclismo. A devassa da vida privada é uma delas. Como o episódio recente que aconteceu com o Óscar Pereiro (http://www.todociclismo.com/noticia.asp?id=52163). E com o João Cabreira. E tantos outros. Leiam isto e reflictam (http://2w-paulao.blogspot.com/2009/10/privacidade.html). Se nós permitimos isto, mais tarde ou mais cedo somos também “apanhados na curva”. Leiam e reflictam (http://www.politicalcartoons.com/cartoon/1b2b1f5b-b029-45a9-97d0-0bde75896d06.html)

    (http://www.politicalcartoons.com/cartoon/22e27d08-09c7-47cd-9579-ccca68991ba0.html). Foi por isto referi o episódio do tipo que me chamou drogado enquanto eu treinava. Qual será o limite para o controlo da nossa vida privada?
    Depois, há o critério das análises. Demonstraste o teu apreço pelo Cadel Evans e pelas suas “corajosas” palavras. Como irás reagir quando ele acusar positivo? Alguém tem dúvidas que ele se droga? Para rir e reflectir:
    (http://www.politicalcartoons.com/cartoon/ec5b2b34-ad88-4d3b-af5a-0118dceadeec.html)
    (http://www.politicalcartoons.com/cartoon/0b1a1f1c-88db-4f03-b29d-25fa0dfc16cc.html)
    (http://www.politicalcartoons.com/cartoon/502eaec4-8b1b-420a-9f4c-1fd2c9767ec3.html)
    (http://www.politicalcartoons.com/cartoon/1bc18ab2-5fa8-42d0-85e9-7c4fe04560e1.html)
    (http://www.politicalcartoons.com/cartoon/30355e20-f4bd-46c9-acd9-c72516d02a0f.html

    Para terminar: quem tem autoridade para definir aquilo que eu posso ou não consumir? Aceito que me proibam de fumar em recintos fechados, pois prejudico terceiros. Mas será legítimo proibirem-me de abusar dos chocolates, dos rebuçados, de gelados, de bolachas, de sal e pimenta, de gordura, com o argumento que faz mal à minha saúde? Tudo isto faz mal, dizem. Ao sabor de modas e correntes de opinião, que mudam constantemente. Novas investigações desmentem o que se tinha confirmado à 5 anos, que tinha sido desmentido à 10 anos, que tinha sido confirmado à 15 anos… E todos estão preocupados com a minha saúde, dizem. Mas então… Como posso convencer os putos que insistem em treinar comigo de que a coca, por exemplo, é prejudicial para a saúde? Se está na lista proibida é porque melhora o rendimento, certo? Errado, só está na lista porque é prejudicial para a saúde. Quem é a WADA para determinar o que me faz bem ou o que me faz mal e para me proibir de consumir, baseado em critérios que se modificam ao sabor do tempo, dos humores e de quem detém o poder?

    • Zaka disse:

      Rapidamente: a pele de tubarão era permitida na época, portanto não era ilegal. Assim como a transfusão era permitida nas olimpíadas de LA se não estou enganado, então não era ilegal e deve ter sido usada.
      Pq no futebol não existem tantos exames ou exames rigorosos? Acho que o fato chama-se “dinheiro”.

  16. André Vianna disse:

    Zeca Black: Não, esporte de alto nível não é sinônimo de falta de saúde. O corpo humano aguenta muito mais do que qualquer atividade esportiva olímpica (não conto essas corridas de aventura como esporte, ultramaratonas são questionáveis). E posso escrever isso com propriedades pois sou da área, estudo o esporte. Atletas não adiquirem problemas cardíacos se treinam direito, muito menos problemas de coluna. A máxima de que esporte não é saúde é uma inverdade gigantesca, até porque se vc não tem um mínimo de saúde como vai ser campeão? Sem saúde não se tem rendimento, sem rendimento, não há vitória. Por favor se vc viu essas informações em algum lugar me passe o link para eu dar uma olhada. Ou vecê está se pontuando pelos casos ruins relatados. adoraria esclarecer mais, porém preciso saber de onde tirou essas informações. Esporte é saúde sim, o contrário era dito antigamente quando os métodos de reinamento eram rudimentares, e ainda hoje muitos treinadores usam esses métodos, como o “No pain, no gain”. Isso é passado! Se alguém se machucou no esporte ou foi por que não seguiu o que era pra ser feito ou porque o treinador é um incompetente, isso se for formado…
    Renato: Não sei se pegariam tantos casos de doping no futebol, pelo menos não aqui no Brasil, talvez na europa. Nos outros esporte, como foi visto, provavelmente sim… não tô defendendo o futebol, longe de mim, mas é outra coisa.
    Jucaxc: Que livro é esse? Que absurdo! pode me passar o autor?
    Bruno Tiggemann: Desculpa, mas você, como professor de Ed. Física, concordar em dizer que esporte não é saúde, ao meu ver, é um absurdo imenso e uma incoerência enorme. Afinal eu não entrei na faculdade pra fazer mau às pessoas! Sei que cada pessoa é única e que deve ser tratada como tal, que o que é bom pra um pode ser fatal pra outro aparentemente igual.
    Zaka: O futebol DEVE ser testado, como TODOS os esportes. Alguns remédios podem ser considerados drogas também, pois viciam, geram dependência extrema. Mas um cara que usa insulina/EPO/etc não é drogado é dopado, e só. Talvez, justamente por não ter a força que tem o futebol (dinheiro e poder) os outros esportes fiquem se matando, se acusando. Devem ser muitos que querem o poder, mas só poucos podem ter (tipo briguinha UCI – Eixo das Grandes).

  17. Zeca Blak disse:

    Andre,
    Você é da área. Eu não. Várias vezes frisei que não sou do meio, tenho uma visão de leigo. Entendo perfeitamente sua visão, mas acho utópica. Desculpe discordar. Realmente não me aprofundei no tema antes de dissertar, simplesmente falo pelo que vejo por aí. E na minha humilde opinião (não “constatação”) sei de atletas de alto nível, com excelentes resultados, completamente “quebrados” fisicamente. Como o Jucaxc confirmou. É fato.
    Sua visão de que atletas de alto nível só chegam ao alto nível porque são saudáveis, funcionaria num cenário onde todos os profissionais da área são compententes, o que não acontece. Vários atletas seguem incompetentes que acabam com suas colunas. Mas vc é estudioso e eu não. Foi mal.