Tour de France – Médias horárias e estatísticas

Fiz um pequeno levantamento a respeito das médias horárias em cada uma das edições (96) do Tour de France.

As médias de cada uma das edições, bem como a variação com relação ao ano anterior podem ser visualizadas abrindo o PDF abaixo.

Médias Horárias Tour de France

Algumas considerações com relação aos anos que estão em vermelho:

  1. 1906 – Maior redução absoluta (3,018Km/h) e percentual (10,98%) da média horária: a estréia dos Pirineus justifica a redução.
  2. 1919 – Menor média horária (24,056Km/h): facilmente explicada pela 1a. Guerra Mundial. As equipes não existiam, os corredores estavam ocupados matando uns aos outros, não existiam bicicletas e as estradas deveriam estar em péssimas condições.
  3. 1928 – Maior crescimento absoluto (4,173Km/h) e percentual (17,22%) da média horária: nessa edição além do domínio absoluto de Nicolas Frantz (relatado aqui), era permitido a substituição de ciclistas no início do estágio 12. Considerando que ele  perdeu 28 minutos quando quebrou sua bicicleta e pedalou até o final do estágio usando um modelo feminino, há de se pensar que a média poderia ser ainda maior.
  4. 1934 – Quebrada a barreira dos 30Km/h: a introdução do contrarrelógio individual pode ser a razão da quebra.
  5. 1956 – Quebrada a barreira dos 35Km/h: não encontrei nenhuma razão significativa para isso.
  6. 1996 – Quebrada a barreira dos 40Km/h: vencida por Bjarne Rijs foi a edição de “estréia” da EPO onde mais da metade do time do campeão confessou posteriormente ter usado o produto, inclusive o próprio vencedor.
  7. 1998 – Maior crescimento percentual (6,58%) e maior média (41,765Km/h): chamado de o Tour de Dopage em virtude do escândalo Festina. Isso explica tudo.
  8. Levou-se 53 anos para aumentar os primeiros 10Km/h de média (1903 a 25,678 até 1956 com 36,268Km/h).
  9. Nos 53 anos seguintes (de 1956 a 2009) a média aumentou apenas 4,04Km/h (atingindo um pico de 5,49Km/h em 1996).
  10. Em 55% das edições houve aumento da média e em 45% houve redução.
  11. Da primeira edição (1903) à última (2009) tivemos um acréscimo de 14,632Km/h na média horária. Isso significa que, se Maurice Garin corresse contra Alberto Contador chegaria aproximadamente 48 horas e 56 minutos após o espanhol (se não fosse recolhido pelo caminhão vassoura primeiro).
  12. Existem outras variáveis não consideradas: número de montanhas, desnível acumulado, montagem das etapas, clima, adversários, etc. É uma análise puramente numérica.

Médias horárias por década

grafico_media_tour

Nesse gráfico admito que há uma pequena distorção: o cálculo da média da década foi feita através do método mais simples: somar e dividir pelo número de anos. O correto, eu sei, seria somar as distâncias e tempos, e desse há uma diferença na segunda casa após vírgula. Considerem como “curiosidade” e não como fato científico.

6 respostas para Tour de France – Médias horárias e estatísticas

  1. José Carlos SBC/SP disse:

    Zaka, não sou ciclista, apenas um apaixonado pelo esporte, as vezes viajo em alguns termos. Parabens para o Blog que fica sempre minimizado na tela. Cara, vai ter paciência la no inferno para trazer as mais variadas informações, sem contar com o nível de conhecimento do pessoal que envia os comentários. A propósito, o Juca deve ficar fora do próximo “quem é o ciclista?” ou ter um prazo mínimo para responder, é preciso dar chance aos outros (brincadeira Juca, rsssss).

    • Zaka disse:

      Pois é… depois de algum tempo eu descobri que gosto de “fuçar” e descobrir fatos históricos, curiosidades, números, estatísticas, imagens, sites, etc. E o pior (ou melhor…) que tenho uma certa sorte de encontrar🙂

  2. Antonio Carlos Alves disse:

    O Crescimento percentual a meu ver se deve:

    As estradas de hoje, melhor material de competição (e põe melhor nisso), suplementos, mais profissionalismo, mais dinheiro, e lamentavelmente a evolução maior. O Doping

    Quanto ao caso do Juca o José Carlos tem razão ele tem que ser banido…ele tá muito à nossa frente…é o Canibal do “quem é o ciclista”. Ele é sprintista, passista e montanheiro.

  3. Alberto Mussatto disse:

    Jóia essa matéria… eu como todo bom engenheiro, adoro gráficos e números… boa mesmo! até isso o ciclismo tem de bom!

  4. Jucaxc disse:

    olha só o Antonio está xingando o Merckx quando compara ele comigo ! kkkkk , nada , eu chuto tudo ! pode ver no (51) eu coloquei a escalação da Alessio inteira kkkk , como era 51 , pra eu era questão de honra acertar !

    Em 1996 que foi relatado o EPO com o Riis , a média aumentou pra mais de 40 Km/h ! e até hoje está nessa casa !logo o EPO deve persistir até hoje então !

  5. audaxparana disse:

    Zaka,

    não foi próximo a 1956 a entrada do cambio com cinco marchas. Senão estou enganado o grande Coppi foi vencedor do Giro em 1953 quase que inaugurando o sistema, é isso?