Testando as drogas – por Stuart Stevens

O Antonio Carlos (obrigado!) mandou essa matéria que saiu na revista Go Outside há algum tempo atrás. As substâncias já evoluiram, mas a reportagem continua atual.

“COMO VOCÊ QUER FICAR?”, disse o médico ao entrarmos no consultório. Mostrei-me confuso e ele se explicou: “Maior? Mais magro? Mais rápido em distâncias longas ou curtas? Quer mais resistência? Quer enxergar melhor?”. “Enxergar melhor?”, perguntei, incrédulo. “O hormônio do crescimento humano melhora os músculos dos olhos. Afinal, o que você deseja?” Freud escreveu que anatomia é destino, e aqui estava um médico me dando a chance, nos meus quarenta e tantos anos, de mudar meu corpo. Era estranho, mas tentador.

Demorou um tempo até eu chegar ao consultório do “dr. Jones” – vamos chamá-lo assim, pois concordei em não divulgar sua identidade. Meu objetivo era experimentar, sob supervisão médica, algumas drogas que aumentam a performance e são freqüentemente utilizadas em alguns dos esportes que pratico, como o ciclismo e o esqui cross country. Apesar de saber que arriscaria minha saúde, decidi que só havia um jeito de descobrir se essas drogas fazem você ficar 1% ou 10% mais rápido e forte: experimentar e ver no que dava. O cardápio que eu tinha em mente incluía hormônio do crescimento humano (human growth hormone ou HGH), testosterona, alguns esteróides anabolizantes e a poderosa eritropoietina, mais conhecida como EPO, um hormônio que estimula a medula óssea a produzir mais glóbulos vermelhos, aumentando os níveis de oxigênio no sangue. “

Leia o restante da reportagem no site da revista.

7 respostas para Testando as drogas – por Stuart Stevens

  1. Amoreira disse:

    Muito boa a reportagem. Ainda há quem defenda o dopping, fala sério.

  2. Fabrício disse:

    Boa materia, muito ineteressante mesmo. Uma especie de diario do doping. O que nao pode é virar estímulo para os “competidores” ai, de fim de semana ou nao, quererem esperimentar tambem para ver como é. Treinem muito, andem rápido, agora se o quanto vc é rapido ainda é pouco, vai de moto…

  3. Robinson(brow) disse:

    Que reportagem interessante!è a exata definição do que é o doping na vida de pessoas que fazem uso!! a parte q mais me chama a atençao e que eu quero fazer o apoio e´esta onde ele diz-¨O DOPING-Isso transformaria o esporte em um teste de quanto cada atleta está disposto a arriscar-se para melhorar seu desempenho. Os campeonatos esportivos teriam um estranho caráter de vida ou morte. Se não mantivermos as drogas fora desses eventos, eles vão se tornar shows de horror, com atletas fazendo papel de gladiadores e nós, os romanos decadentes, estimulando- os. Com as drogas, o esporte deixa de ser uma disputa entre atletas para ser uma briga
    Galera doping nem pensar,isso tem que ter fim!!! ABraço e vamos competir em alvorada em pleno sabado!hehehehe

  4. Pedro disse:

    Apenas… a realidade!!!

  5. Gabriel Vargas disse:

    Impressionante. É um fenômeno interessante: o vício não é pela droga, e sim pela performance que ela proporciona.

  6. Jucaxc disse:

    por isso que quando um cara é pego no antidoping é sinal que faz tempo que o espertão está tomando ou fazendo cagada !

  7. Conan disse:

    Caro Zaka
    Esta história do “doping” interessa, basicamente, aos laboratórios. Há dúvidas?
    Claro que há pessoas que pretendem ganhar a qualquer custo – mas, como se vê nesta história, devidamente assistido por médico. Penso que poucos serão os que se arriscam sozinhos. E, no desporto de alta competição, todas as equipas têm, pelo menos, um médico. Desde equipas de F1 – e não acredito que eles estejam lá com receio de acidentes – até equipas de futebol. E, claro, equipas de ciclismo. Sempre com conhecimento dos treinadores e demais pessoal técnico. Portanto, se o objectivo é impedir essa busca ancestral pela vitória a qualquer custo e se esse objectivo é sério, há que ter coragem e castigar a equipa do prevaricador. (Não sei porquê, lembrei-me do Nuno Ribeiro, do Hector Guerra e do Isidro Nozal. Coincidências!)
    E que essa guerra não se limite à perseguição infernal contra o ciclismo. Serviço público o desse sujeito, que refere vários casos de trapaça, sem discriminação. Vários desportos referidos. Mas, nos OCS, só o ciclismo é notícia. Porque será? E isto revolta-me, incomoda-me. Quando virá o dia em que um polícia te faça parar, quando estás a treinar, só porque és ciclista? É ciclista, é drogado.
    O certo é que, no imaginário do povo, o ciclismo continua a ter um lugar muito especial. Como o provam as multidões que esperam a passagem dos ciclistas. Tem de se gostar muito deste desporto para esperar horas à beira da estrada para ver a passagem do pelotão em… 20 segundos. Já te perguntaste se o povo, o adepto, quer saber se o atleta se droga ou não? Nunca te interrogaste do motivo pelo qual há tantas pessoas à espera pela passagem dos ciclistas pelos Pirinéus, mesmo depois de anos e anos de escândalos? Mesmo depois de anos e anos de massacre nos OCS, com casos atrás de casos de ciclistas enredados no “doping”? E não me digas que o povo que vai ver os ciclistas é ingénuo e não sabe o que se passa – pelo contrário, é difícil encontrar alguém que não esteja firmemente convencido do uso e abuso, por todos os elementos do pelotão, de produtos estimulantes.
    Há também outra questão – esse sujeito teve mesmo de treinar. Não esteve sentado há espera que os músculos crescessem. Será que o Jô Soares ganharia o Tour se tomasse EPO?