La Dama Bianca

fausto_giulia

Quando retornou à Itália pouco antes do Natal de 1959, após participar das celebrações da independência de Burkina Faso com outros ciclistas italianos e franceses, teve uma febre alta, diagnosticada como uma gripe.

Coppi tinha malária. Morreu com pouco mais de 40 anos, no dia 2 de janeiro de 1960. Raphaël Geminiani, um francês que dividiu o quarto com Coppi durante a viagem apresentou os mesmos sintomas. Tratado com quinino, sobreviveu.

Fisicamente não lembrava um atleta, embora seu coração batesse num ritmo anormal: de 30 a 40 vezes por minuto em repouso (cerca de metade do normal). Alto, magro e narigudo é a caricatura de um ciclista (o personagem do desenho “As bicicletas de Belleville“, na minha opinião, foi inspirado nele), meticuloso com a dieta e muito exigente com o equipamento. Pessoa reservada, pouco falava e raramente ria.

Coppi lutava para se recuperar da tragédia da Segunda Guerra e o povo precisava de um ídolo para idolatrar. Sua adoração foi estimulada pela rivalidade com Gino Bartali: este era um católico fervoroso com ideais democratas enquanto Coppi era agnóstico e representava o Partido Comunista.

Porém, o que a imprensa e os fãs não perdoavam é que Coppi, perante a visão católica, tinha os pés sujos: um homem casado que cometeu o erro imperdoável de se apaixonar por uma bela mulher, também casada e mãe de dois filhos, Giulia Occhini, a dama bianca (alusão ao casaco que vestia no final do Mundial de 1953).

O escândalo foi enorme na sociedade intolerante. Até mesmo o Vaticano condenou abertamente o casal. Os tablóides fizeram uma falsa pintura dela, acusando-a de ser algum tipo de bruxa que o enfeitiçou e arruinou com sua vida e carreira.

Em 1954 Coppi separou-se consensualmente de sua esposa, Bruna Ciampolini. Locatelli, no entanto, recusou-se a aceitar a situação e denunciou sua mulher por adultério e movendo uma ação penal. Ao final do processo, Coppi foi condenado a dois meses de prisão e Giulia a três meses (posteriormente suspensos).

Casaram-se no México, mas seu casamento nunca foi reconhecido na Itália. Tiveram um filho, Maurizio Angelo Fausco Coppi (Faustino) em Buenos Aires em 13 de maio de 1955. Numa vida marcada por tragédias pessoais (a morte do marido, deixando o filho com cinco anos de idade), sofreu um gravíssimo acidente de carro em 1969 (recuperando-se) e faleceu em 6 de janeiro de 1993, após ficar 510 dias em coma.

“Un uomo solo è al comando; la sua maglia è bianco-celeste; il suo nome è Fausto Coppi”.

Filmes que recomendo (disponíveis nas melhores casas de compartilhamento):

Il Grande Fausto
Totó al Giro d’Italia
I Miti del Ciclismo – Fausto Coppi
I Miti del Ciclismo – Gino Bartali
Gino Bartali L’intramontabile

3 respostas para La Dama Bianca

  1. Emilio Salum Filho disse:

    Cara, nunca tinha feito a analogia entre o Coppi e o Champion, personagem das bicicletas.. e não é que voce tem razão?

  2. Edgar disse:

    Falando em Coppi e Bartali eu tenho um DVD da coleção “Giro io Ti amo” lançada pela gazzetta dello sport nesse último Giro d’Italia. É essa daqui ó:

    http://www.gazzetta.it/iniziative/giroiotiamo/

    Só tenho o DVD número 3.

    Como faço para compartilhar? Eu posso coverter em .mov mas como gerar um torrent disso?

    Abs

    Edgar