O clã Anquetil

Em 18 de novembro de 1987 Jacques Anquetil abandonou sua corrida contra a morte. Vencido pelo câncer, jogou a toalha.

Anquetil estava prestes a completar 54 anos e fiel a sua lenda, despedia-se da vida com a mesma fina ironia de sempre, a visão aguda e penetrante que a acompanhou ao longo da sua carreira. Poucas horas antes de morrer, diria a André Boucher, seu primeiro mentor, seu segundo pai: “Lembra André, lhe disse que jamais morreria de um câncer? E eu estava certo. Tenho dois.”

O normando Jacques Anquetil, Maître Jacques, Monsieur Crono, nasceu em Mont Saint Aiquan em 8 de janeiro de 1934. Filho de agricultores, com a permissão de seu pai, filiou-se a um grupo amador em 1952 com a condição de que ganhasse dinheiro fazendo o que gostava. Apesar de sua juventude, surpreendeu a todos ganhado seu primeiro campeonato francês de contrarrelógio, categoria amador quando ainda não tinha 18 anos. Foi profissional de 1954 a 1967 e já no primeiro ano ganhou o Grande Prêmio das Nações (contrarrelógio) considerado na época o mundial da modalidade com mais de 6 minutos sobre o segundo.

Treinava pouco, não cuidava da alimentação e era fã de vinhos e champanha. Mesmo assim seus êxitos vieram rapidamente: em 1956 estabeleceu o recorde da hora (46,159Km).

Destacou-se com contrarrelogista devido a sua figura aerodinâmica e seu pedalar perfeito. Era também conhecido pela inteligência com que corria, aproveitando o máximo sua capacidade. Unido a sua elegância sobre a bicicleta, onde nunca perdia a compostura. Mantendo sempre uma posição impecável não deixava demonstrar aos seus adversários os maus momentos que com certeza passava.

Foi o primeiro corredor a conseguir cinco vitórias no Tour, foi o primeiro francês a vencer o Giro (60 e 64) e um dos poucos a conseguir a dobradinha Tour-Giro e Tour-Vuelta.

A fraqueza de Anquetil na subida a Envalira (descrita no post O Calvário de Anquetil e Poulidor) foi creditada por muitos anos a um banquete na noite anterior, posteriormente desmentida. Mas o fato é que, Anquetil passou para a história tanto por sua hegemonia na bicicleta como por sua vida desordenada. Como descrito na sua biografia, Anquetil era capaz de abrir ostras sem apoiar os braços na mesa. Seu lema era: “para ser bom na bicicleta tem que ser bom na mesa e alegre na vida”.

Sua vida confusa é confirmada pela história: em 1954, aos 20 anos de idade era uma estrela consagrada. A amizade com seu médico pessoal era muito grande, passava muitos finais de semana na sua casa com a família toda. Anquetil “roubou” (ou casou) a esposa do médico, Nanou.

Os filhos do médico (Annie com 8 anos e Alain com 6) acompanharam a mãe. Depois de mais de uma década instalados no castelo onde Anquetil morava ele decide ter seus próprios filhos. No entanto, Nanou havia feito ligadura de trompas. Qual a solução? A solução se chama Annie, a filha da mulher a quem conhece e cria desde os 8 anos de idade. Com o consentimento da mãe e concordância de Annie, eles tem uma filha chamada Sophie. Sob os olhos da lei, Sophie é filha e neta de Anquetil.

Como uma vez só é pouco, Anquetil continua compartilhando a cama entre mãe e filha por quase doze anos. Farta dessa história, Annie tenta abandonar Anquetil que a ameaça com uma troca por outra moça: Dominique.

Para complicar ainda mais a situação, Dominique não é ninguém menos do que noiva de Alain, o filho de Nanou, que Anquetil cria desde os seis anos de idade.

Desse relacionamento nasce Cristophe, filho e neto de Anquetil, irmão e primo de Sophie. Nesse tempo, Annie desistiu de abandonar o relacionamento e Anquetil fazia uma “revezamento” no seu harém.

E assim vivia o clã Anquetil: todas por um e um por todas.

Para saber mais: Sex, Lies and Handeblar Tape: The Remarkable Life of Jacques Anquetil, the First Five-times Winner of the Tour de France.

Disponível nos sites gringos por 30 ou 40 dinheiros brasileiros + frete (livre de impostos – livros são free).

12 respostas para O clã Anquetil

  1. Rogério Yokoyama disse:

    O Zaka voltou galera !

  2. jafo disse:

    O cara era bom na bicileta e de rolo mama mia!

  3. Antonio Carlos disse:

    Ele voltou devagar.

    Como dizem los hermanos; quien va despacio llega lejos

  4. Emilio disse:

    ele nao voltou..ele falou que os post ja programados iriam sair….

  5. José Carlos SBC/SP disse:

    O Zaka está de férias, vamos deixa-lo esfriar a cabeça. São posts programados, fruto do profissionalismo dele.

    Tava me esquecendo: Ele que não volta para ver……rsss

  6. Fabrício disse:

    Bom, grande ciclista o cara era, agora que vida confusa a dele, certamente nao iria quere-lo como amigo, muito menos que frequentasse minha casa, pelo que li ai, acho que ele nao ia perdoar nem minhas cahorrinhas… coitadas.

  7. Rogério Yokoyama disse:

    É verdade….Bom, ao menos o blog foi atualizado.

  8. vander disse:

    É Nakata..
    acho q a cada 2 ou 3 dias está programado para uma nova matéria entrar no ar, e podermos comentar..
    Ele tinha programado isso antes do DESABAFO lá….

    O Zaka é o cara.. por isso que esse blog é tão visitado, mesmo de férias, ele pensou na galera que acessa diariamente, e pesquisou várias matérias interssantes, teve o trabalho de editá-las e programar para que enquanto ele ficasse em “off” pudessemos aprender um pouco mais..
    Não para não Zaka!

  9. eliel balbino disse:

    Que Keith Richards e silvio Berlusconi que nada….rock n’ roll mesmo era o Anquetil

  10. Gabriel Sousa disse:

    O que mexesse ele traçava! :p

  11. Bruno Tiggemann disse:

    Bem, se o Armstrong só tem um “ovo”, com certeza o Anquetil tinha 3.

  12. vander disse:

    carak..
    agora q fui ler e matéria
    muito interessante
    esse era o cara..
    só ñao apresentaria minha irmã, minha prima, minha mãe, minha filha, minha cadelinha de estimação..
    o bicho era um louco
    essa de 3 ovos foi massa