1.125

Eddy Merckx foi, para dizer o mínimo, obsessivo.

Seu confidente e soigneur, Guillaume Michiels disse: “Ele tinha essa energia. Nunca conseguia ficar sentado. Sempre estava ocupado fazendo alguma coisa e quase sempre de alguma forma ligado à bicicleta. Observei-o durante anos em centenas de hotéis diferentes. Sua vida consistia em acordar, tomar banho, comer e, se não tinha outros compromissos, ocupar-se com algo relacionado ao seu trabalho. Se a qualquer momento não havia mais nada a fazer, ele concentrava-se na sua bicicleta. Pura obsessão”.

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A sua esposa Claudine acrescentou: “Eddy sempre foi e é obcecado por bicicletas. Eu vi ele sair da cama no meio da noite em mais de uma ocasião e ir para a garagem mudar alguma coisa no seu guidão ou selim. Mesmo durante as férias ele começava a conversar comigo sobre sua posição na bicicleta”.

Eddy sempre tinha cerca de 500 pneus tubulares e 100 rodas na sua casa; manteve 35 bicicletas na sua garagem, 15 delas sempre prontas para rodar. “Lembro-me uma vez que partimos para o Giro d’Italia com 17 bicicletas diferentes. Ele tentou tudo e nunca ficou completamente satisfeito com uma solução em particular”, disse Michiels.

Eddy admite: “É verdade, mantive centenas de pneus no porão de casa por meses a fio. Perguntaram-me em 1971 se era verdade que eu sabia quantas peças faziam parte de uma bicicleta. Eu não sabia e devia estar louco: descobri que uma bicicleta era composta por cerca de 1.125 peças diferentes.

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10 respostas para 1.125

  1. José de Athayde Barboza Ferreira disse:

    Simplesmente apaixonante e sensacional esse material, confesso que, respeitadas as proporções, eu sou bastante parecido com o Canibal.
    Acho que se eu tivesse nascido belga, francês, italiano, alemão ou até argentino ou colombiano, a minha história seria outra.

  2. Juca disse:

    Fanatático e meticuloso pra ser um fora-de-série ñ é nada fácil !!!

  3. Chiko disse:

    Já pareceberam que grandes mitos do esportes (posso até estar enganado) eram “obsecados” pelo que faziam?
    Lembro de histórias do Senna que ainda no kart ele dividia a pista em trechos (igual fazem hoje em tomada de tempo) e tentava fazer o melhor tempo em cada trecho e depois tentava juntar esses trechos.
    Oscar só saia da quadra depois de acertar 100 lances livres, inclusive algumas vezes sua esposa ficava ao lado do garrafão lhe passando a bola.
    Agora leio essa do Canibal e faz muito sentido

  4. Anderson disse:

    Realmente nao tem limites o gosto pelo esporte. 35 bikes na garagem? So ele mesmo.

  5. Thomas disse:

    bons tempos, hoje em dia, com STI’s e Ergopowers, passou de 1.125 para 8.430!!!

  6. luis souto disse:

    Eddy é o Pelé do ciclismo,não tem comparação!!
    Valeu um abraço a todos!!!

  7. jafo disse:

    Não é toa que é o maior de todos os tempos obsecado pela bicicleta por consequencia por vitórias .Concordo plenamente com o Chiko história identicas de grandes campeões como: Senna , Shumaher etc…

  8. Antonio Carlos Alves disse:

    Muito boa a matéria, Ele era mesmo bastante meticuloso, assim também era o Bernard Hinault que carregava uma chave para acertar a altura do selim e assim foi Miguel Indurian (tenho uma foto dele medindo a distância entre selim e guidão antes da prova contra-relógio) e devem ter sido os outros campeões.

    Por falar em Pelé eu li o livro “Pelé” onde narra que depois de terminado o treino qando todos já tinham ido embora ele permanescia no campo da Vila Belmiro. aperfeiçoando os chutes a gol até anoitecer. Só parava qdo o zelador desligava a iluminação.

    Mesmo um fora de série tem que ser aplicado

  9. Gabriel Sousa disse:

    Que perfeccionismo!

  10. […] tinham pouco cuidado sobre o modo correto de pedalar e ajustar suas bicicletas. Merckx não, era um perfeccionista. Foi ele próprio que projetou a bicicleta para a tentativa. Em geral os quadros são mais retos e […]