Tour de Langkawi

08/março/2010

De 1o. a 7 de março foi disputado na Malásia o Tour de Lankgawi.

Não sei porquê diabos está classificado como 2.HC (na verdade sei, o prêmio conta muito para a categoria 2).

Nesse país com tanta tradição no ciclismo quanto o nosso (é uma ironia, não me xinguem) o vencedor da geral foi um velho conhecido nosso: o venezuelano José Rujano, o formiga atômica.

1 José Rujano Guillen (Ven) ISD – Neri 24:07:58  
2 Hyo Suk Gong (Kor) Seoul Cycling 0:02:07  
3 Hossein Askari (IRI) Tabriz Petrochemical Cycling Team 0:02:39  
4 Peter McDonald (Aus) Drapac Porsche Cycling 0:03:21  
5 Amir Zargari (IRI) Azad University Iran 0:04:13  
6 Markus Eibegger (Aut) Footon-Servetto 0:04:54  
7 Alexandr Shushemoin (Kaz) Kazakhstan National Team    
8 Matthias Brandle (Aut) Footon-Servetto 0:04:58  
9 Ghader Mizbani (IRI) Tabriz Petrochemical Cycling Team 0:05:10  
10 Ahad Kazemi (IRI) Tabriz Petrochemical Cycling Team 0:05:46  
11 Ruslan Pydgornyy (Ukr) ISD – Neri 0:05:56  
12 Tonton Susanto (Ina) Azad University Iran 0:06:06  
13 Jaco Venter (RSA) South Africa National Team 0:06:19  
14 Josef Benetseder (Aut) Vorarlberg – Corratec 0:06:40  
15 Ian McLeod (RSA) South Africa National Team 0:06:55  
16 Andrey Mizurov (Kaz) Tabriz Petrochemical Cycling Team 0:06:59  
17 Jung Hwan Youm (Kor) Seoul Cycling 0:07:40  
18 Ruslan Tleubayev (Kaz) Kazakhstan National Team 0:07:48  
19 Jay Thomson (RSA) South Africa National Team 0:07:55  
20 Daniel Bowman (USA) Kelly Benefit Strategies 0:08:26

Sem ofender ninguém, mas além dele, não conheço nenhum outro da lista.

Agora, a pergunta: qual o tamanho da bicicleta do Rujano? 38? 40?

Um pouco menos e a coroa do pedivela encosta no pneu dianteiro 😀

Anúncios

Paris-Nice 2010 – Etapa 2

08/março/2010

Olha o Valverde tentando descontar o prejuízo de ontem.

1 Gregory Henderson (NZl) Team Sky 4:22:17  
2 Grega Bole (Slo) Lampre    
3 Jeremy Galland (Fra) Saur Sojasun    
4 Alexandr Kolobnev (Rus) Katusha    
5 Alejandro Valverde (Spa) Caisse d’Epargne    
6 Nicolas Roche (Irl) AG2R La Mondiale    
7 Jens Voigt (Ger) Team Saxo Bank    
8 Marco Marcato (Ita) Vacansoleil    
9 Dan Martin (Irl) Garmin-Transitions    
10 Roman Kreuziger (Cze) Liquigas Doimo    

Geral

1 1 Lars Boom (Ned) Rabobank    
2 Jens Voigt (Ger) Team Saxo Bank    
3 David Millar (GBr) Garmin-Transitions    
4 Luis Leon Sanchez (Spa) Caisse d’Epargne    
5 Roman Kreuziger (Cze) Liquigas Doimo    
6 Greg Henderson (NZl) Team Sky    
7 Levi Leipheimer (USA) Radioshack    
8 Alberto Contador (Spa) Astana    
9 Peter Sagan (Svk) Liquigas Doimo    
10 Xavier Tondo (Spa) Cervelo TestTe


A jóia da hora

08/março/2010

Quando a UCI proibiu bicicletas “exóticas” para o seu recorde oficial da hora justificou-se dizendo que o fator humano deveria prevalecer sobre o fator equipamento.

Simplicidade. O homem faz a diferença, a bicicleta não.

bici

Segundo a Wikipedia, a peça acima exposta num museu em Bruxelas é a mesmíssima utilizada pelo Canibal em 1972 (foto abaixo):

A certeza que eu tenho é que são bem parecidas (notei uma diferença no adesivo frontal da bicicleta).

Mas, se olharmos atentamente, faltam alguns detalhes importantes como os furos para aliviar peso no guidão (Cinelli Champione del Mondo), canote e pedivela (Campagnolo Super Record com as letras E-D-D-Y), tudo customizado por Pino Morroni.

Já a bicicleta abaixo teve a imagem publicada no Bicycle Guide em março de 1991 sob o título “Eddy e a hora”. Aparentemente tudo, exceto o adesivo (já da fábrica dos anos 80 e o selim aparentam ser idênticos. Mas todos os furos, inclusive a customização do pedivela estão presentes.

Já a bicicleta abaixo percorria os EUA numa exposição “Dell’ora Record”. A diferença mais óbvia é o adesivo (não parece o original Colnago, mais parece com essa De Rosa). Infelizmente a foto não tem uma resolução muito boa para checar os detalhes.

Mas afinal, onde está a bicicleta utilizada por Merckx na prova? Há quem diga que está com ele, escondida embaixo da cama (informação não confirmada).

Recentemente a Cinelli divulgou as imagens abaixo, informando que o quadro encontra-se em seu poder, assim como as bicicletas de treino:

Um outro sujeito chamado Tom Pham afirma que o quadro é seu. Para comprovar, divulgou as imagens abaixo nesse fórum. Abaixo é a foto do seu quadro.

Ele fez então, uma sobreposição de imagens: a do seu quadro e da foto divulgada na Bycicle Guide (reparem que deixamos de falar em QUAL é a original e falamos em ONDE ela está). Também estamos falando apenas do QUADRO, ou seja, a ALMA da bicicleta.

Aparentemente TUDO coincide e convém lembrar que essa geometria não era a usual da fábrica para quadros: ele tem o tubo do selim mais reto. Abaixo o detalhe de um método para aliviar peso com estilo.

O pedivela e a corrente vazada (quantos anos isso levou para entrar em produção?).

O tubo do garfo “aliviado” por Pino Morroni:

E a assinatura dos dois gênios: Ernesto Colnago e Eddy Merckx.

Resumindo: onde ela está e qual delas é a original eu não sei. Mas que o homem era um maníaco pelo assunto, tenho certeza.


Rumores

08/março/2010

Saiu na Gazzetta: os irmãos Schleck estão pensando em criar sua própria equipe para 2011. Os rumores ficam mais fortes quando aparece outro nome: Marc Biver seria o diretor esportivo (ex-diretor da Liberty Seguros após a saída de Manolo Saiz e da Astana até os escândalos de Vinokourov, Mazzoleni, Kessler e Kaschnekin).

O primeiro contratado, além dos irmãos, seria Fabian Cancellara, o que é um problema devido ao contrato que ele tem com Bjarne Rijs. Não creio que o dinamarquês deixe sua estrela sair assim, tão fácil.

Outros rumores indicam que o novo patrocinador da equipe de Unzué (atual Caisse d’Epargne) vai ser o banco Santander, reforçando aquela velha teoria da equipe de Fernando Alonso. Nesse ponto, todos lembram da amizade entre Contador e Alonso e fala-se que ele iria para substituir Valverde.

Agora, outro problema: Contador tem contrato com a Specialized (em 2010) e Unzué com a Pinarello. Com os atuais investimentos que a Specialized vem fazendo, parece difícil acreditar que eles gostariam de perder o melhor ciclista da atualidade. Agora, vamos lembrar que Bjarne Rijs tem contrato com a Specialized e seria uma alternativa, caso confirmada a saída de Andy Schleck.

Falando em Itália, comenta-se que após a renovação do patrocínio da Liquigas, Basso, Kreuziger e Nibali vão perder o emprego.


Montepaschi Strede Bianchi 2010

08/março/2010

1 Maxim Iglinskiy (Kaz) Astana 4:59:48  
2 Thomas Löfkvist (Swe) Sky Professional Cycling Team 0:00:01  
3 Michael Rogers (Aus) Team HTC – Columbia    
4 Filippo Pozzato (Ita) Team Katusha 0:00:18  
5 Ryder Hesjedal (Can) Garmin – Transitions 0:00:19  
6 Francesco Ginanni (Ita) Androni Giocattoli 0:00:24  
7 Leonardo Bertagnolli (Ita) Androni Giocattoli 0:00:43  
8 Juan Antonio Flecha Giannoni (Spa) Sky Professional Cycling Team    
9 Enrico Gasparotto (Ita) Astana 0:00:49  
10 Daniele Righi (Ita) Lampre-Farnese Vini    
11 Fabian Cancellara (Swi) Team Saxo Bank 0:01:19
19 Franco Pellizotti (Ita) Liquigas-Doimo 0:03:49


Merckx e o recorde da hora

08/março/2010

No seu primeiro ano como profissional (1965) perguntaram a Eddy Merckx: “Quais suas principais ambições como ciclista?” A resposta foi imediata “Ganhar o Tour de France e bater o recorde da hora”.

Vencedor do Mundial Amador de Estrada aos 19 anos em 1964, Merckx tinha todo o direito de sonhar com o Tour de France. Além disso, a Bélgica não vencia a competição desde 1939 com Sylvére Maes e estava criando uma reputação de ter apenas ciclistas para provas de um dia. Assim ele tinha a missão de fazer renascer o orgulho nacional.

O Tour como todas as provas de estrada é uma espécie de xadrez em alta velocidade. A “corrida de verdade” é intitulada aos eventos de contrarrelógio, mas mesmo nelas fraquezas podem ser mascaradas.

Só há um lugar onde um corredor pode correr em campo neutro, sem lugar para se esconder atrás de atributos peculiares como habilidades de escalador, descedor, ou a casualidade do vento, chuva, irregularidade do terreno…: é o velódromo onde o auto-conhecimento é a chave principal para manter um esforço máximo por 60 minutos. Ali só os fortes prevalecem.

Dos milhares de ciclistas que tornaram-se profissionais desde o ano 1900, apenas 22 conseguiram marcar um novo recorde da hora, e em 1965, apenas 20 ciclistas haviam conseguido essa proeza. É por isso que o desafio chamava Merckx: um clube muito mais exclusivo do que a lista dos vencedores do Tour de France. Para um Canibal, a meta natural.

Observação: esses números referem-se sempre aos recordes homologados pela UCI em bicicletas padronizadas com rodas normais, sem clip, sem capacete aerodinâmico. Recordes como o de Francesco Moser (roda traseira gigante) e Graeme Obree (clip alongado. posição superman) não são considerados pois fazem parte de outra categoria, a de esforço humano sobre bicicletas eretas. As reclinadas não são admitidas pela UCI e possuem seus próprios recordistas.

Embora Merckx tenha começado a criar um currículo incomparável na estrada, ele era igualmente hábil na pista. Como amador, corria em todos os lugares possíveis. Como profissional ganhou em 17 oportunidades as provas de 6 dias. Inquestionavelmente, uma vocação natural é necessária para participar com êxito em provas de pista. Alguns gigantes do ciclismo, como Bernard Hinault ou Marco Pantani nunca poderiam se adaptar aos velódromos.

Ele sentia que suas vitórias na estrada não eram suficientes. Para um corredor do seu nível, encontrar o tempo necessário para o desafio da hora foi a parte mais difícil. Ano a ano ele correu por 200 dias ou mais. Achava impossível resistir ao argumento de que se não aparecesse nas provas de 6 dias seus colegas menos famosos ofuscariam seu currículo. Nunca o esporte havia visto um exemplo de responsabilidade e de envolvimento total (muitas das críticas feitas a Lance Armstrong partem desse fator).

Em 1969 ganhou o Giro, o Tour, a Paris-Roubaix e o Mundial de Estrada. Sabia que tinha a maturidade para o recorde da hora. Então o acidente no final da temporada colocou fim a qualquer esperança.

Aguardou até 1972 para incluir a tentativa no seu calendário. Manteve sua agenda cheia para ficar sempre em forma, ganhando mais de 50 vezes, incluindo a sua quinta Milan-San Remo, o quarto Tour de France, uma terceira Liège, uma terceira Fleche Wallone, Giro di Lombardia…

Durante o Tour ele teve uma lesão que o obrigou a ficar um tempo fora da bicicleta. Nessa época começou a olhar seriamente para o recorde da hora. Dividiu em “como” e “onde”. O “como” seria dividido em duas partes: preparação física e técnica.

Muitos ciclistas tinham pouco cuidado sobre o modo correto de pedalar e ajustar suas bicicletas. Merckx não, era um perfeccionista. Foi ele próprio que projetou a bicicleta para a tentativa. Em geral os quadros são mais retos e a posição resultante mais avançada. Seu amigo e patrocinador Ernesto Colnago rapidamente traduziu seus desenhos em belos tubos laranjados. Do início de setembro ele passou a usar exclusivametne esse quadro. “Eu sou, acima de tudo um ciclista de estrada, e vou atacar o recorde como um ciclista de estrada. Devo terminar a temporada no auge da minha forma para ter melhores chances”.

É interessante notar como ele preparou-se para o evento, coisa que raramente vemos. Na primeira corrida usando sua nova bicicleta (quadro) o Giro dei Piemonte, ele atacou restando 80Km para o final, rodando solo.

Assim, quando ele continou a atacar e ganhar corridas durante o outono, isso nada mais era do que parte de um plano maior para chegar na sua primeira tentativa na melhor forma possível. No entanto, ele vivia um dilema sobre o local: em 1968 Ole Ritter abriu os olhos do mundo para as possibilidades das tentativas em grandes altitudes ao estabelecer o recorde de 48,654Km na Cidade do México. Assim ele estava dividido entre o tradicional Vigorelli, em Milão, e as óbvias vantagens do México.

O Vigorelli era atrativo pela pouca distância, viagem breve, possibilidade de comparação direta com recordes anteriores e pela força do patrocinador Molteni (italiano). Mas uma viagem até lá em 12 de outubro resultou infrutífera devido aos dias de chuva que encharcaram a pista.

Imediatamente ele voltou-se para o México. Mas haviam três razões que indicavam que não seria a melhor opção:

1) A tentativa desastrosa de Ferdinand Bracke em 1969: ele havia batido o recorde em 1967 e tentou novamente, mas o ar rarefeito acabou com ele. A solução encontrada por Merckx foi treinar no rolo usando uma máscara que simulava o ar rarefeito.

2) A publicidade no México seria um nada comparada com a da Itália. Ele precisou gastar 20 mil dólares do seu próprio bolso para realizar o sonho.

3) A possibilidade do recorde não ser considerado tão importante devido a vantagem do ar rarefeito.

Mesmo assim ele viajou de Bruxelas até a Cidade do México, gastando mais de 13 horas de viagem. Viajou sem dormir e deitou-se à 1 hora da manhã, horário local. Tentando adaptar-se ao fuso horário, 8 horas depois estava de pé olhando o velódromo.

Começou a fazer algumas voltas, sem sinal aparente de fadiga. Em pouco tempo decidiu mudar a relação de 52×15 para 52×14 (apenas Anquetil tinha usado uma relação mais pesada – 52×13). Sentiu-se tão bem que elaborou um cronograma para quebrar também os recordes de 5, 10 e 20Km.

Durante a manhã seguinte uma tempestade tropical alagou a cidade e a pista. Saiu da cidade para treinar, esperando fazer a tentativa durante a tarde, quando uma nova chuva molhou a pista.

No seu terceiro dia na cidade a pista continuava inutilizável. Durante a tarde o tempo melhorou e havia a possibilidade da tentativa ser feita à noite. O médico da equipe observou que a umidade relativa do ar nesse período seria um pouco alta e poderia compensar a desidratação natural que ocorreria na tentativa, mas também concluiu que o período da manhã poderia ser perfeito.

Assim, para a manhã de 25 de outubro ele programou a sua tentativa, mas havia desistido da idéia do recorde dos 5Km, tentaria apenas os de 10 e 20. Seus amigos estavam horrorizados: Anquetil já havia lhe advertido sobre um início excessivamente rápido deixando-o vulnerável no final do tempo. Jacques lhe contou sobre Roger Riviere que tentou a quebra em 1958: ele desenvolveu um bolso especia na sua camisa onde cabia uma garrafa plástica com um tubo preso na sua camisa que levava água até próximo de sua boca. Tudo o que Roger precisava fazer era inclinar a cabeça e sugar o líquido. Depois da tentativa, Riviere admitiu que não conseguiu fazer isso, pois a menor distração poderia ter alterado o seu tempo e ele não se atreveu a fazer isso.

Às 5 horas da manhã Merckx passou pelos quartos do hotel acordando a todos (53 jornalistas estavam acompanhando sua tentativa). Tomou seu café com queijo (trazido de casa) e presunto. Por volta de 6:50 ele estava na pista e às 8 horas tinha concluído seu aquecimento. Nesse momento cerca de 2.000 pessoas estavam no velódromo, assim como o ex-rei belga, Leopold, a Princesa Liliane e suas filhas.

No último momento adesivos “Windsor” foram colados na sua bicicleta (marca de bicicletas mexicanas) e ele viu isso como uma forma aceitável de agradecer aos seus anfitriões (mas Ernesto Colnago ficou furioso).

Exatamenta às 8:56 ele começou a sua tentativa. Um sino tocando a cada volta. Se ele estivesse no tempo deveria cruzar a linha ao escutar o som. Após as duas primeiras voltas ele já tinha 1/4 de volta de vantagem. Giogi Albani tinha a função de estar onde Merckx efetivamente estava ao tocar do sino e teve dificuldades em acertar o lugar.

No primeiro quilômetro ele passou em 1’10” e em 5 quilômetros a 5’55”. Ele já tinha 14 segundos de vantagem sobre Ritter nesse ponto. Uma segunda marcação em mais 5 quilômetros foi feita a 5’58”, baixando mais 10 segundos. Nos 20 quilômetros Merckx passou à frente em 35″ (lembrando que Ritter havia estabelecido seus tempos numa bicicleta especial).

Albani pediu a Merckx que diminuisse o ritmo. Assim ele passou a fazer 5 quilômetros em 6’07”. Aos poucos começou a demonstrar cansaço quando mexeu-se ligeiramente na bicicleta no quilômetro 35. Mas na verdade, não havia a dúvida de que ele conseguiria bater o recorde. A pergunta era: quanto? Longe de desistir, seus dois últimos quilômetros foram feitos em 1’13” e 1’12”.

Ao descer da bicicleta mal conseguia falar. Ao recompor-se foi capaz de responder às perguntas:

“Durante essa hora, a mais longa da minha carreira eu não tive nenhum momento de fraqueza, mas o esforço necessário nunca foi fácil. Não é possível comparar o recorde da hora com um contrarrelógio em estrada. Aqui não é possível reduzir, mudar de marcha ou ritmo. O recorde exige um esforço total, permamente e intenso, que não pode ser comparado a nenhum outro. Eu nunca vou tentar de novo. Não acho que posso melhorar esse tempo, mas no entanto, estou convencido que um será o meu recorde será batido, essa é a lei do esporte. Mas para fazê-lo será necessário usar uma grande relação. Meu 52×14 era muito grande pra mim, por cinco ou seis quilômetros não representou um problema, mas para uma hora, foi demais”.

Em 1984 Francesco Moser acrescentou um quilômetro ao recorde de Merckx. Embora tenha tido um grande mérito, teve uma grande ajuda pelos avanços tecnológicos e uso de uma bicicleta não regulamentada. Merckx sentiu que o recorde da hora estava se desvalorizando e que a aptidão humana não havia sido o único critério uma nova marca. Ele sempre foi justo na derrota, mas dessa vez não se convenceu. Seu desgosto era evidente: “Pela primeira vez na história do recorde da hora, um homem mais fraco bateu um homem mais forte”.

Lembrando que Moser era treinado por Francesco Conconi, um médico que desenvolveu o doping por EPO e as transfusões sanguíneas (Conconi admitiu que Moser usou a transfusão, não proibida na época).

O lado técnico pode ser controlado mas não parou. A busca de mais velocidade continuou e houve um tempo em que regras rígidas foram estabelecidas e o recorde retrocedeu até Merckx novamente.