O ciclista que nunca ria

René Pottier, nasceu em Moret-sur-Loing em 5 de junho de 1879. Era uma figura rara: nunca dava risada. Isso o marginalizava naqueles tempos heróicos do ciclismo em que precisamente o que caracterizava o esporte era a sua alegria. Alegria de viver uma experiência nova e surpreendente que era o profissionalismo e a abundância de comida, a compensação legítima pelos esforços e sofrimentos que os atletas precisavam suportar.

Assim, os demais corredores como Garin, Aucouturier, Trousselier olhavam para ele de lado. Há que se admitir, no entanto, que esse sentimento de respeito tinha um pouco medo embutido. Em 1904 havia batido os recordes do quilômetro com saída parada e dos vinte quilômetros (ao tentar bater o recorde da hora). Havia ganho a Paris-Caen e a Burdeos-Paris (em 3 etapas) sendo ainda um amador. Em 1905 acabou em segundo na Paris-Roubaix e na Burdeos-Paris e venceu a escalada ao Ballon d’Alsace que estreava no Tour de France: fez a subida em menos de 40 minutos com uma média horária próxima dos 20Km/h.

Para tentar integrá-lo melhor ao pelotão, os organizadores decidiram forçar as coisas, dar um pouco mais de atenção a ele e tratar-lhe como um rei…. da montanha, como era na realidade, o primeiro da história do ciclismo.

No ano seguinte confirmou seu favoritismo: chegou ao Tour e dominou a prova, ganhando quatro etapas consecutivas entre Douai e Nice, com uma outra proeza no Ballon d’Alsace.

René Pottier morreu em 25 de janeiro de 1907 em circunstâncias estranhas (teria cometido suicídio, enforcando-se no suporte de sua bicicleta ao descobrir que sua esposa tinha encontrado um amante nos longos períodos que ele ficava fora de casa, pedalando no Tour). Em sua homenagem foi construido um monumento no alto do Ballon d’Alsace, cenário dos seus maiores êxitos.


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4 Responses to O ciclista que nunca ria

  1. Nelson disse:

    Eu queria ver alguem aki no brasil fazer um monumento em nome de algum cicilista brasileiro

  2. José Carlos SBC/SP disse:

    Nelson, se não tem monumento nem de atletas que fizeram história, imaginem de algum ciclista. Esportista só é lembrado quando ganha ouro em alguma Olimpíada ou Copa do Mundo de futebol (aí com direito de subir na rampa do planalto, triste admitir, mas é uma vergonha), rssss

  3. Antonio Carlos Alves disse:

    Zaka é uma história linda do René Pottier

    e meu eu conheci ciclistas casados que mantinham total abstinência ao sexo e mesmo depois de ficarem ausentes por muito tempo, longe de casa…e aí meu…já vi este filme

  4. Eu queria ver algum monumento ao Brasil aos ciclistas que não fosse uma ghost bike…