Alexander Vinokourov

O retorno de Vinokourov ao pelotão profissional foi recebido muito mal por muitos fãs e muito bem por outros tantos. É um daqueles sujeitos em que os fãs gostam ou não gostam, não existe meio termo (vide as vaias que ele recebeu na chegada da Liège-Bastogne-Liége – eu nunca tinha visto isso).

No início da sua carreira e até o momento que estourou o seu doping (transfusão) era admirado pelo seu estilo de correr e os “ataques a qualquer momento”.

Em 2007 após duas vitórias no Tour, mesmo em frangalhos, os testes revelaram que ele havia recebido uma troca de óleo sangue estranho. Imediatamente prometeu limpar seu nome, acabou por aposentar-se prematuramente, foi suspenso por apenas 1 ano pela federação de seu país e tentou um golpe voltando ao final desses 365 dias. Felizmente a UCI acordou e exigiu a suspensão regulamentar de 2 anos. Passado esse período, voltou ao seu “bebê”, a Liberty Seguros Astana.

Outros ciclistas pegos com a mão na massa, como Basso, Ullrich e Landis (não que eu simpatize com todos) voltaram (ou não) mas com outro estilo de pedalada.

Ivan Basso afirmou que “apenas teve a intenção de dopar-se” e colaborou, timidamente, com as autoridades. Na sua volta não mostrou o mesmo nível de antes, o que nos deixa duas possibilidades: dois anos fora fizeram muito mal a ele ou, infelizmente, seus resultados eram fruto de doping, e ele, “limpinho” é um corredor destacado, mas não o “Terribile” do Giro.

Floyd Landis tentou algumas desculpas esfarrapadas (cerveja, uísque…) e depois uma defesa agressiva com gastos exorbitantes. Perdeu em todas as instâncias e teve que resignar-se com corridas domésticas numa equipe de segunda categoria, a tal OUCH. Ameaçou ir para a Rock Racing, reduto de ex-dopados (ex?) e, atualmente, nenhuma equipe ProTour ou Continental Profissional pensa em contratá-lo se faz parte dos seus planos a participação no Tour de France. Acredito que nunca mais veremos as palavras ASO e Landis lado-a-lado.

Jan Ullrich sempre negou seu doping, aposentou-se e, mesmo assim, continua sendo acusado e perseguido. Já afirmou “quando Ullrich disse que vai parar, ele vai parar mesmo”.

E agora, há poucos meses do início do Tour, assistimos a espetáculos de Vinokourov e estamos nos arriscando a vê-lo, junto com Contador, no pódio da Champs Elisées. Sem um pedido de desculpas, sem a admissão de seu doping, sem nada. Apenas  o mesmo nível de forma que apresentava antes de ser flagrado no doping.

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19 Responses to Alexander Vinokourov

  1. Facchini disse:

    poisé duvida pertinente..
    2 anos fora acabam com o sujeito ou eles não eram aquilo tudo se estivessem limpos?

    Basso e Rasmussen são exemplos dos que não voltaram ao nivel antes atingido, falta de oportunidades, treinos?

    Riccó e Vino vem mostrando que tem força mesmo após a suspensão e atualmente “limpos”. (entre aspas por que nunca se sabe).

    E Valverde? Como está?

  2. leonn disse:

    Zaka,

    após este texto e outros que vi pela net a fora, creio que o sujeito pode estar fazendo de tudo “licíto” para voltar a ficar na frente. Embora na Undertown Santos na Austrália (acho que o nome não está correto!)chegou escapado numa etapa, junto com uns tres sujeitos, e desistiu de lutar faltando muito pouco para chegada. Ele vem apresentando resultados consistentes, acho que foi campeão asiático de TT.

    A entrevista (CyclingNews) dele após a Liege dizendo que treina sem qualquer técnico e que ele sabe o que é melhor para ele. Que apenas anos de profissional foram suficientes para ele tirar o máximo de si e que apenas pega “dicas” com o técnico da Astana. Fiquei muito ressabiado. Há mais por trás dele do que pode parecer (pelo menos para mim).

    Mas o cara foi pegou por transfusão, provado e comprovado, e nem por isso admitiu o erro; o truque da aposentadoria. Isso me cheira a falta de caráter, compulsão por mentira, e uma força de vontade maquiávelica numa mesma pessoa.

    Não coloco minha mão no fogo por nenhum ProTour, mas pelo Vino eu fico mais longe da fogueira que puder.

  3. rodrigo fieira disse:

    Valverde não foi suspenso fora da Itália, nunca parou de correr.
    A Federação Espanhola colocou panos mornos e acochambrou as fortes evidências de participação dele na operacion puerto.
    Até porque, se fossem mexer no Alejandro, iriam ter que acabar saindo do ciclismo, entrando em quadras, gramados, e isso na Espanha!? Deus o livre!!!

    Sobre o post, infelizmente o mais lógico é concluir que o Basso estava dopado até as orelhas naquele Giro e o Floid naquele Tour. O Vino e o Língua?! Vide a performance do retorno, se estão limpos agora, são pobres injustiçados que foram punidos sem nunca terem se dopado…

    Precisa ligar o [mode irônico]??!!

  4. […] carta de Vinokourov Primeiro leiam esse post e depois a carta (publicada no Marca, tradução livre) para que não digam que sou injusto e olho […]

  5. Nelson disse:

    Vamos lá Vino
    to torcendo pra ele fazer bonito no tour !!!

  6. Juca disse:

    …vide as vaias que ele recebeu na chegada da Liège-Bastogne-Liége – eu nunca tinha visto isso… E nem também tinha visto isso !

    No jornal belga le Soir eles disseram o mesmo !!!

    Por isso que deveriam começar a punir com uns 4 anos os dopados , assim pensariam 2x antes de dopar-se e não voltariam tão cedo ao pódio .

  7. Gabriel Sousa disse:

    Na boa… Eddy Mercx controlou positivo, Joaquim Agostinho perdeu pelo menos 2 Voltas a Portugal por controlar positivo. Porque é que não podemos perdoar e deixar seguir em frente e se acusarem positivo de novo ai sim exigir a irradiação.

  8. Victor Barancelli disse:

    Simplismente assim ou o cara é animal puro
    ou ele ta usando de novo é simples
    mas eu ainda acho que continua trocando oleo o
    problema é já foram feitas 30 amostras dele e nada?
    ai que você começa a pensar e a olhar ele
    como outros olhos!!!
    Eu não tenho nada contra o Vino não
    quero mais que ele continue fazendo o esparame
    dele no bloco!
    É bunito de ve o nanico dando as sapatadas dele !!!

  9. Cebo disse:

    Depois de conviver com alguns atletas (não de ciclismo), cheguei a conclusão que não existe dopados e não dopais e sim flagrados e não flagrados.

    Já vi o treinador do Guga falando em alto e bom som em uma entrevista de televisão que não existe atleta olímpico sem doping.

    O fato é que todo mundo adora ver um ataque fulminante daqueles que parecem ser impossíveis de existir. Na verdade, eles são mesmo.

  10. Juca disse:

    podemos crer então que é aasim :

    Parabéns pra quem toma e não é pego …

    e ferrou-se quem foi pego !

  11. Ivan disse:

    Queria ver se metade do povo que fala mal andaria ao menos um terço do que o vampirão anda, mesmo que tomassem drogas e ele estivessem limpos não aguentariam um minuto na roda, eu dou minha cara a tapa já falei mil vezes se algum profissional não faz qualquer tipo ue seja de reposição hormonal, o desgaste é imenso, o problema é que tem gente que exagera na dose e quando é pego paga sozinho mas ali nínguém é inocente ou são todos extra terrestres!

    • Zaka disse:

      Começou errado. Justificar que um cara não anda igual a X ou Y pq não toma e se tomasse também não andaria é o mesmo que justificar que fulano ou ciclano tem menos dinheiro que o Arruda ou Maluf pq não tem a mesma inteligência e se tem, não usa do jeito “certo”.

  12. paraguai disse:

    QUEM NAO TOMA NAO ANDA…OU ANDA DEVAGAR…

  13. Edson de Lima Sobreira disse:

    Não quero defender o Vino até por que já falei aqui no Maglia Rosa no passado sobre ele, e como sempre falei todos se dopam, uns mais e outros menos. Mas se ele está tendo a chance de voltar após cumprir a suspensão de 2 anos, ele tem todo o direito, assim como tiveram os outros. O fato de ele ganhar uma prova tão importante, tão rápido não quer dizer que tá usando algo. Mostrou dificuldades no Trentino na ultima etapa e no Liége foi inteligente(coisa que não é na maioria das vezes nos seus ataques), não me lembro de antes disso ter se destacado, correu a Volta da Espanha e teve um desempenho pifio, abandonou depois de tomar 23 minutos na 11ª etapa, isso que já tinha levado mais de 9 minutos em cada uma das duas etapas de montanha que passou. Depois foi ao Mundial, e tentou na penultima volta um ataque, mas o Kolobnev passou por ele que parecia que tava parado, tomou um arregaço, depois disso correu outras provas, mas sem grande destaque. Não me recordo de um resultado expressivo dele até o Trentino, mas uma coisa temos que concordar, o cara anda no pelotão profissional, tem toda bagagem nas costas e só faltava ritmo de prova mesmo, coisa que tava adquirindo aos poucos. Espero que ele não decepcione novamente, pq apesar de tudo que fez e mesmo sem confessar o doping, eu gosto dos ataques burros dele e convenhamos com doping ou sem o cara é forte.

    Só para refrescar a memória o Basso quando voltou em sua primeira prova que foi no Japão foi 3º lugar atrás do Cunego, sendo que ele mesmo fez a seleção durante a subida.

    • Zaka disse:

      Falando em volta e volta forte, então usemos o exemplo de outro cara que parou 2 anos, voltou e nunca ganhou nada depois, um tal de Armstrong. E pelo que eu lembro da época que ele andava normalmente, não era dos mais fracos.

  14. leonn disse:

    Zaka,

    aquelas competições de 100 milhas de MTB não contam nada não? Uhahuhuahuhuhauhuahuh

  15. Edson de Lima Sobreira disse:

    Tudo bem Zaka, mas quantas competições vimos o Armstrong correndo depois do retorno. Não muitas, nesse época do ano mesmo, não vimos o Armstrong correr muitas provas. Eu tenho certeza que se ele estivesse competindo regularmente com certeza já teria tido algum destaque. Eu penso assim, treino é treino, corrida é corrida. Por mais que vc se esforce nos treinos, dificilmente vai conseguir simular as condições reais de uma corrida.

  16. rodrigo fieira disse:

    “treino é treino, corrida é corrida” e nada é nada…
    Não quero defender o Texano, mas… ele quando parou “aposentou-se”. Ai resolveu que ia voltar e tal. Os outros ficaram no gancho, treinando/esperando.
    Sinceramente, do jeito que foi, achei de bom tamanho o terceirinho do Tour.

  17. Alberto Mussatto disse:

    hahahaah essa ai do Ullrich é engraçada… esse sim tem história pra contar.