Mario Cipollini, Super Mario, Rei Leão, Il Bello, The King.

Qual sprinter poderia ser considerado mais rápido que Cipollini? Talvez nenhum, talvez Cavendish…

Cipollini é o superego em forma de pessoa. O carisma na sua forma máxima.

O criador da expressão “metrossexual”, o euro-style em pessoa. Cristiano Ronaldo e Peter Sagan são uns aprendizes com fraldas perto dele.

Sem dúvida um dos ciclistas mais facilmente reconhecidos, seja pelas suas vitórias, seja pela sua extravagância (não à toa esse post é cheio de fotos para lembrar das suas bizarrices).

Suas vitórias, abandonos e declarações, como na Vuelta, logo na primeira etapa com sua frase “sou o ciclista mais sexy da história”, sua criação do trem da Acqua e Sapone com seu uniforme de zebra.

Formado nas provas de fundo dos anos 80, andando sem capacete, sem trens, sem histórias, sem mimimi.

Era um tipo com instinto assassino, fã da velocidade e adrenalina. Foi o mais próximo que o ciclismo chegou da Fórmula 1 em todos os aspectos.

Declarações totalmente fora de lugar, ofensas contra organizadores, disparates, romances no meio de corridas.

Era um tipo com personalidade tão forte que o poderoso Patrick Lefevere colocou ninguém menos que Johan Museuuw a puxar o trem e lançar Cipollini para vencer a Gent Wevelgem.

No início dos anos 90 disputava as chegadas com tipos como Abdoujaparov, Svorada, Nelissen, Leoni, Van Poppel, Raab. Criou O TREM, uma espécie de veículo supersônico que derretia as diferenças de fugas em questão de 4 ou 5 quilômetros. NADA e NEM NINGUÉM poderia escapar.

Colocavam velocidades absurdas no pelotão, deixando Cipollini na ponta, onde ninguém conseguia ser mais rápido do que ele. Eram outras épocas do ciclismo, onde as fugas com frequência chegavam a 15-20 minutos de vantagem e eram exterminadas.

Seu maior rival na época foi sem dúvida o Terror, Abdoujaparov, ao qual Cipollini certa vez falou: “É mais lento do que eu, mas pode treinar. Também é mais feio, e isso não tem conserto”.

Tem a honra de ter vencido a etapa do Tour com a maior velocidade média até hoje: 50,355 Km/h em 1999 (Laval-Blois), ao mesmo tempo que jamais terminou uma edição sequer da prova.

Há quem diz que ele não sabia subir morros, mas isso não é verdade, visto a quantidade de maglia ciclamino que conseguiu no Giro, que possui subidas bem piores.

Primeiro sprinter a atingir uma velocidade superior a 80Km/h numa final.

Famoso pelas piadas e por ser considerado pouco profissional. Contam que em 1999 após vencer uma etapa, Iván Quaranta foi convencido pelos companheiros de equipe a ir a uma discoteca da cidade. Foram todos, mantendo os rostos baixos e chamando pouca atenção, pois ninguém da imprensa perdoaria que ciclistas profissionais estivessem naquele ambiente durante uma prova. O primeiro que viram ao chegar foi a equipe da Saeco em plena festa e Cipollini dançando na plataforma elevada com varias dançarinas.

Para alguém pouco profissional, é curioso que tenha obtido 189 vitórias durante sua carreira, Campeão Mundial em 2002, Milan-Sanremo 2002 (vídeo abaixo) e maior número de vitórias no Giro d’Italia (42). Em 1995 venceu nada menos que 18 ocasiões.

https://youtu.be/flH6Tzujfmk

Considerado por muitos como o melhor sprinter que já tivemos em todos os tempos: aguentou muitos anos, durante toda a sua carreira, no nível mais alto. Suas qualidades físicas alteraram muito pouco durante esses anos.

Enfrentou sprints caóticos, perigosos no final dos anos 80 e 90, onde nenhum ciclista atual aguentaria 10 segundos no meio da confusão. A organização que dava ao seu trem continua sendo até hoje a meta de todas as equipes.

A criatura superou o criador. Pagava multas em quase todas as grandes voltas, graças a extravagância dos seus uniformes, seja usando bermuda com as cores da bandeira americana, outra roupa imitando os músculos sem pele, subindo ao pódio vestido de imperador, usando camisa sem mangas. Questionado, dava risada e dizia que pelos prêmios recebidos, a equipe poderia pagar muito bem as multas e ainda sobraria dinheiro.

Em 2002 anuncia sua aposentadoria, surpreendendo até mesmo os dirigentes da Acqua & Sapone. Argumenta dizendo que o ciclismo o desprezava e não o merecia, que os dirigentes não elogiavam sua atuação, que a amargura de não poder competir pela vitória, a desilusão com os patrocinadores, levaram a essa decisão.

Após muita confusão, volta a competir e é campeão do mundo. Sua estratégia era apenas para não participar do Tour.

Em 2005 após vencer o Giro di Lucca, se retira definitivamente.

Nesse ano os organizadores do Giro d’Italia permitiram que ele desfilasse vestido de pantera cor-de-rosa no prólogo. Mais do que uma aposentadoria, foi uma estratégia de gênio. As más línguas diziam que ele não passava por um bom momento e o nível que estava não seria suficiente para competir com jovens corredores.

O esperto Mario decidiu sair pela porta da frente.