Que o ciclismo é criativo não temos a menor dúvida. O troféu do Giro d’Italia e o paralelepípedo da Roubaix são bons exemplos da criatividade nos troféus.

Um dos mais curiosos, no meu ponto de vista, é o que será entregue ao vencedor da prova de domingo (Kuurne-Brussel-Kuurne) que é disputada na Bélgica sempre no primeiro domingo de março.

kuurne_trophy

Imaginar que a tal cabeça de burro foi idéia de algum designer era demais. Fiz uma pesquisa sobre o assunto e encontrei duas explicações:

  1. “Burro” é o apelido dado ao morador de Kuurne (uma pequena cidade de 12.000 habitantes) pelos seus vizinhos de Kortrijk: diz-se que a origem do apelido vem desde os tempos que os moradores de Kuurne levavam suas carroças com produtos agrícolas para serem vendidos na cidade vizinha. E eles não tinham burros: os próprios agricultores puxavam as carroças. Tem lógica.
  2. Outra explicação, mais antiga, diz que um certo padre tinha que realizar um enterro na quarta-feira de cinzas. Como não pode ir, pediu ao sacristão que o fizesse. O sacristão não lembrou das palavras exatas em latim: momento, homo, quia pulvis est, et na pulverem reverteris (lembre-se homem, que és pó e ao pó retornará) e simplesmente fez uma cruz com cinzas na testa do falecido. Quando o padre soube da história teria dito “Você nasceu um burro e morrerá um burro.” O sacristão concordou e continuou a fazer suas cruzes de cinzas.

O mais famoso burro (ambroos) da cidade é a estátua que está exposta na frente da Câmara Municipal, cuja réplica da cabeça nada mais é do que o troféu da prova.

ambroos

Fico imaginando se a moda pega aqui no Brasil: troféus com galos, cachos de uva, maçãs, veados….