Ciclomercado

19/abril/2010

Duas contratações para agitar o Giro d’Italia:

Gilberto “Chorão” Simoni foi contratado pela Lampre para aquele que será o seu último Giro d’Italia. Fará parceria com Damiano Cunego, seu amigo e ex-desafeto.

Opinião: dinheiro jogado fora. Exceto pelo fato de ser o sujeito mais entrevistado em qualquer edição do Giro (depois do Bettini e do cof-cof Di Lucca) e mostrar o patrocinador para o mundo, pois na prova sempre sobra.

José “Formiga Atômica” Rujano vai trocar de equipe pela milhésima vez. Depois de trocar a Selle Itália pela Quick-Step (onde ele estava com a cabeça pra assinar com uma equipe voltada a sprinters e clássicas?) depois ir para a Unibet, depois para a Caisse, depois para a Gobernación del Zulia e depois para a ISD (uma por ano) agora aparentemente vira o cocho again e salta para a Footon-Serveto.

A segunda notícia ainda não foi confirmada, mas fontes da ISD afirmaram que, no mínimo, até 3 de maio Rujano faz parte da esquadra (parece que essa é a data limite para as equipes inscreverem seus atletas).

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Última chance

28/outubro/2009

retirada

5 corredores de destaque vão para o seu provável último ano no pelotão profissional:

Gilberto Simoni
Aos 38 anos de idade, Gilberto Simoni parece estar há alguns anos no último ano de sua carreira. Um herói em seu país Gibo tem dois Giro d’Italia e vitórias em etapas de todas as grandes. Teve uma bela carreira marcada por controvérsias e triunfos. Bem maduro e mais tranquilo, Simoni deve correr mais esse ano e pendurar a bicicleta.

George Hincapie
Aos 36 anos ele ainda está muito forte, mas o tempo não para e o fim está próximo para Big George. Admirado por seus companheiros é um ídolo nos EUA. Ao longo dos anos passou de gregário para um corredor forte e vai tentar ganhar a Paris-Roubaix correndo pela BMC. O destino de Hincapie em 2011 dependerá de seus resultados nas clássicas do ano que vem. Vitórias e glória farão com que ele permaneça. Do contrário é provável que o melhor ciclista americano em provas de um dia também pendure a bicicleta.

Jens Voigt
Ele construiu sua carreira ao seguir ao longo dos anos como um gregário fiel e lançando ataques impiedosos. Parece ter uma capacidade de sofrer com poucos e por isso é admirado pelos colegas e fãs. Durante sua carreira de 13 anos acumulou vitórias no Giro e no Tour, além de acumular três vitórias no Critérium International, além da classificação por pontos, montanhas ou contrarrelógio em diversas provas. Agora, aos 38 anos, parece estar prestes a abandonar o esporte, mas não antes de mais um ano andando na frente do pelotão ajudando seus colegas da Saxo Bank.

Jason McCartney
Aos 36 anos ele também está chegando ao final da sua carreira. Domestique na Saxo Bank, com a exceção da classificação KOM do Tour of California ele teve uma temporada muito tranquila. Mesmo com o renascimento de equipes norte-americanos, parece que ele vai andar apenas mais um ano dando suporte aos companheiros.

Robbie McEwen
O Pocket Rocket com 37 anos está apresentando um pouco de ferrugem nas suas pernas, mas um ano mais parece ser possível para o australiano rápido. Pioneiro no seu país na categoria sprinter, ganhou etapas em todas as grandes, ganhou a classificação de pontos em três oportunidades no Tour e acumulou inúmeras vitórias ao longo dos seus 14 anos como profissional. Terá mais um ano na Katusha, para esquecer um ano ruim em 2009 e pensar no Mundial na sua terra natal.


Cunego e Simoni, juntos novamente?

07/outubro/2009

Primeiro achei que fosse piada. Depois vi que o negócio é sério. Mas é uma daquelas coisas que tem tudo pra dar errado.

Gilberto Simoni e Damiano Cunego poderiam unir forças pela primeira vez em cinco anos caso confirme-se a proposta de Giuseppe Saronni (manager da Lampre) de ter o ancião veterano corredor como auxiliar de Cunego na próxima temporada (visando o Giro d’Italia).

Só recordando: ambos correram juntos de 2002 a 2005. Em 2004 Cunego traiu seu capitão Simoni, atacou, venceu quatro etapas e a prova com apenas 22 anos de idade, tornando-se Il Piccolo Principe Veronese (os italianos e sua mania de dar apelidos).

Cunego recém saído da prisão vence a 7a. Etapa

Cunego recém saído da prisão vence a 7a. Etapa

Simoni não foi nada gentil com o principezinho: “Você é um canalha!”, teria dito.

Em 2008 fizeram as pazes durante um jantar beneficente, obra de suas respectivas esposas e selaram um pacto de colaboração mútua contra Armstrong (esqueceram do Menchov).

Quanta falsidade...

Quanta falsidade...


Comerciais

21/julho/2009

Todos devem conhecer aqueles comerciais da Quick-Step e seus travesseiros. Pega mal.

Até entendo que deve ter alguma cláusula nos contratos que obrigue atletas profissionais a fazer alguns comerciais, digamos, não convencionais.

Mas que pega mal, ah, isso pega.

simoni_cunego


O último valente?

20/maio/2009

diluca

Cole delle Finestre, 2005. Di Luca distanciando-se de Savoldelli e da dupla da Davitamon. Logo depois, no plano, teve cãimbras e os outros dois que foram na sua roda a subida toda não quiseram esperar. No final o oportunista Rujano ganhou a etapa e Simoni ficou chorando.


Gibo Simoni

08/fevereiro/2009

Retirado do Parlamento Ciclista, autoria de “leblaireau”.

“Não posso dizer que conheça pessoalmente muitos ciclistas (não tenho essa sorte), mas vejam como conheci Gilberto Simoni.

Nos situemos em setembro de 1992. Meu irmão, um par de anos mais novo que Simoni, havia conhecido uma trentina muito bonita na Inglaterra. Estava apaixonado por ela e eu, vendo a situação e que ele não tinha nada de dinheiro e eu sim, propus que fizéssemos uma viagem a Trento de carro para que ele visse sua amada e eu aproveitaria para tirar umas férias que não havia tido no verão.

Dito e feito. Durante a longa viagem por estrada, começamos a aprender italiano com um par de livros que compramos. Poucos dias depois de chegar em Trento, onde nos trataram as mil maravilhas, fomos convidados para uma festa. De maneira incrível, em pouco tempo já falávamos em italiano com todo mundo.

O caso é que nessa festa uma menina gostou de mim e no final me perguntou quais eram os meus planos para o dia seguinte. A verdade é que não era muito bonita e eu não tinha vontade de vê-la novamente, mas lhe falei a verdade: disse que tinha pensado em ir ao Monte Bondone, essa montanha mítica onde o grande Charly Gaul havia escrito uma página memorável e Miguel Induráin acabava, no Giro desse mesmo ano, de resistir aos ataques de Chioccioli, Chiappucci e companhia.

E perguntei a menina se ela sabia como ir. Ela disse que sim, mas melhor que ninguém ela conhecia um rapaz que havia por ali. Ele veio e fui apresentado a ele, dizendo que se dedicava a dar pedaladas e era muito bom.

Me disse que se chamava Gibo e me pus a conversar com ele. Eu não tinha nem idéia de quem era, logicamente. Quando expliquei minhas intenções, me disse que iria treinar por essa zona no dia seguinte e se eu queria acompanhá-lo. “De bici? Não tenho e além disso essa montanha pode matar-me”, respondi.

No final fomos, meu irmão e sua namorada, a “minha” e eu, tranquilamente no carro, atrás do tal Gibo. As duas trentinas não faziam nada mais do que falar maravilhas desse Gibo, que iria ser uma figura, e meu irmão e eu nos olhávamos como dizendo “bom, será menos”.

Quando chegamos ao topo, tiramos umas fotos numa placa que diz “Monte Bondone” e logo estávamos conversando com o tal Gibo; de Induráin, Chiapucci, Bugno, Chioccioli, os astros do momento.

Já ao final da conversa (falava um italiano fechado que às vezes era difícil de entender), perguntei-lhe quais ciclistas italianos ele via para o futuro. Sem dúvidas, nos falou de um tal Pantani que escalava como os anjos. E eu lhe disse, “mas dos escaladores já não se fala, tem que ser como Induráin ou Bugno, que se defendem na montanha e marcam nas cronos”.

E o tal Gibo me disse: “Bom, mas Pantani vai ser uma estrela, já verá”. E eu perguntei: “E você, como é?”. “Bom, depois de Pantani sou eu”, nos disse rindo.

E aí acabou, não sem falar que era um grande admirador de Perico Delgado. Agradecemos, desejamos boa sorte e poucos dias depois voltamos a Espanha.

Quando surgiu Pantani no Giro de 94, meu irmão e eu não lhe dávamos crédito. Era o tipo que nos havia falado aquele italiano de Trento. E claro, nos rendemos aos pés de Pantani. Perguntei a meu irmão (que já não tinha mais contato com a “sua” trentina) de como se chamava o sujeito que nos falou de Pantani (curioso: o nome de Pantani era familiar, mas o de Gibo havíamos esquecido).

Um ano depois, vendo o Tour de 95, aparece um tal Gilberto Simoni, da equipe AKT que vai escapado. Eu, no caso, não tinha nem idéia de quem era, pois entre outras coisas não associo Gibo com Gilberto. Mas meu irmão, aproximando-se da televisão, me disse: “Veja, não é esse o italiano que conhecemos em Trento?”. A verdade é que não se distinguia muito bem e a resposta foi: “Vá, que mais quer?”.

Aí acabou a coisa. Não tínhamos Internet para investigar sobre o tal Simone e rapidamente nos esquecemos dele. E não foi até ver o pódio do Giro de 99, que não pude acompanhar por motivos profissionais, quando peguei o telefone e disse a meu irmão: “O que está em terceiro no pódio é nosso amigo Gibo? Tem a foto que tiramos com ele e com tua amiga no Monte Bondone?”. Mas, é claro, que essa foto havia desaparecido depois de tanto tempo.

Mas, bom, como não se conhece todos os dias a um futuro campeão, a partir desse momento comecei a fixar-me em tudo que faz Simoni e realmente, me dá uma grande alegria cada vez que o vejo atacar e ganhar.

italianos

Alguém sabe o nome do corredor à esquerda?


Cunego-Simoni X Armstrong-Basso

30/dezembro/2008

Damiano Cunego se desmanchou em elogios a Alberto Contador, que considera “o ciclista do ano” e adverte que está buscando uma aliança com seu ex-inimigo Gilberto Simoni para tentar bater Lance Armstrong e Ivan Basso na próxima edição do Giro.

“Alberto é o ciclista do ano. É forte sobre a bicicleta e um sujeito simpático, disponível. Somos quase conterrâneos e temos um grande respeito um pelo outro, mas ele vislumbra mais as grandes e eu luto pelas clássicas”, diz Cunego em entrevista a Gazzetta.

O corredor da Lampre afirma ter feito as pazes com Simoni, com o qual viveu uma batalha no Giro 2004 quando ambos corriam pela Saeco e o jovem quebrou o protocolo, atacou seu capitão e venceu a prova com apenas 22 anos.

Numa festa em Milão, Cunego disse que as respectivas esposas começaram a conversar e selou-se a paz. “Passaram quatro anos, amadurecemos”, lembra o corredor, que aproveitou para conversar com seu ex-companheiro.

“Faltam alguns detalhes para que ele participar da prova, mas é o Giro do Centenário. Discuti alianças e um pacto para derrotar Armstrong e Basso, que farão um bloco pela sua amizade e seu modo de correr, pelo que então, nós escaladores deveremos contra-atacar”, adverte.

Cuengo está certo de que Armstrong não vem a passeio ao seu país. “Ele vem para correr bem, não para ficar em 7o ou 8o lugar”.

Pacto? entre Basso e Armstrong até acredito e deixam para decidir tudo no CR. Entre Simoni e Cunego? Dura até o segundo dia.